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Data do Review: 25/09/2009
Por: Vitor Mazon
Argumento e arte: Dash Shaw
Após 40 anos de casados, Maggie e David Loony decidem se separar. Ao receber essa noticia a família se reúne para passar uns dias na casa de praia. Todos juntos, filhos e netos do casal lidam cada um a sua maneira com o divorcio enquanto passam os últimos dias como uma família.
Opinião:
Ao escrever Umbigo sem Fundo o americano Dash Shaw criou um tratado sobre as relações familiares. No tijolo de mais de 700 páginas, ele explora os laços que mantém uma família unida com leveza e incrível sensibilidade.
A história é contada de forma paralela pelos membros da família. O autor procura mostrar a desintegração do núcleo familiar pela visão de todos os envolvidos, mas acaba se focando mais nos três filhos do casal. Enquanto eles andam pela casa de praia onde cresceram, cada um procura achar respostas para o drama da sua própria maneira.
Shaw opta por retratar cada filho de uma forma diferente, ressaltando certos aspectos emocionais de cada um. Dennis (o mais velho) aparece como uma versão com cabelo de Homer Simpson. O traço mais caricato ressalta um personagem frustrado, mas com uma visão otimista dos laços familiares. Ele é incapaz de aceitar o que está fora do seu controle.
Claire (filha do meio) tem um traço mais realista. Divorciada e com uma filha adolescente, ela é a mais pé no chão dos irmãos. Tentando restabelecer uma normalidade em sua vida, ela se posiciona como a cola que vai unir os blocos separados da família.
Peter (o mais novo) é um resignado estudante de cinema. O laço mais forte que ele possui na família é com a filha de Claire. Um típico outsider na própria família, fato ressaltado por ele ser caracterizado com uma cabeça de sapo. Ele passa a maior parte do tempo se apaixonando pela garota do fim da praia.
Durante a semana em que se passa a história, Peter vive o oposto do que acontece com seus irmãos. Enquanto eles lidam com o fim da família tradicional, ele vive um rápido romance. Sua presença na história, assim como a de Jill, sua sobrinha, funcionam como um contraponto. Suas vidas amorosas ainda estão começando, enquanto as relações de seus pais, avós e irmãos se desfazem.
A casa de praia onde a história se desenvolve tem um papel importante nas relações familiares. A areia, a água, o vento, elementos não humanos procuram explicitar que tudo pode existir de diversas formas, mesmo uma família. Influenciado pelos mangás, esses aspectos naturais estão profundamente interligados à arte do álbum.
Diagramas, plantas da casa, transcrição de cartas, fotos, o álbum reúne todo o tipo de informações e pistas. Como um detetive, se procura esmiuçar a história e os laços de uma família. O traço do autor, claro e bem detalhado (típico dos quadrinhos independentes americanos), possibilita que essas pausas na narrativa aconteçam de forma fluída.
O tamanho da obra pode assustar, já que dificilmente são publicadas histórias em quadrinhos dessa grossura. Mas ela é tão bem contada, que não parece ter esse tamanho. Shaw criou uma narrativa envolvente com personagens muito bem construídos, com os quais o leitor pode se identificar facilmente. |