Claudio Seto, desenhista veterano dos quadrinhos brasileiros, recebe algumas homenagens neste ano. A primeira é o título de Cidadão Honorário de Curitiba, que será entregue no dia 15 de março, na Câmara Municipal. Residente na cidade desde de 1975, além de trabalhar com quadrinhos, também dedicou-se à pesquisa da imigração japonesa no Paraná e tornou-se uma espécie de consultor de cultura japonesa em diversas entidades nipo-brasileiras em Curitiba.
Outra homenagem é um documentário sobre a sua produção em quadrinhos. O título será O Samurai de Curitiba, um curta-metragem, dirigido por Rober Machado. O documentário terá algumas seqüências de animação com os trabalhos de Seto, da mesma maneira como foi feito no documentário Will Eisner: Profissão Cartunista. O responsável por essas seqüências de animação será outro quadrinhista curitibano, José Aguiar, autor do álbum Folheteen e desenhista de série Ernie Adams, atualmente publicada na Europa.
Também está sendo cogitada a publicação de um álbum pela Mythos Editora, reeditando algumas histórias produzidas por Seto. A editora demonstrou interesse na publicação, mas ainda não há nada confirmado.
Chuji Seto Takeguma, mais conhecido como Claudio Seto ou simplesmente Seto, nasceu em Guaiçara, São Paulo, em 1944, e desde a infância gostava de desenhar. Aos nove anos, foi para o Japão estudar num templo Zen. Nos finais de semana visitava o estúdio de Osamu Tezuka, considerado o “pai” do mangá.
Depois de oito anos, retornou ao Brasil e trabalhou com publicidade. No final da década de 60, trabalhou na recém-fundada Editora Edrel, onde foi o pioneiro ao utilizar o estilo mangá nos quadrinhos brasileiros e produzir histórias de samurais e ninjas. Também produziu histórias de conteúdo adulto, em pleno período da ditadura militar.
No final da década de 70 trabalhou na editora curitibana Grafipar como desenhista e editor de alguns títulos, reunindo grandes argumentistas e desenhistas na editora, dentre elesFlavio Colin, Julio Shimamoto, Mozart Couto, Watson Portela, Rodval Matias eFranco de Rosa. Nessa época retomou uma personagem que criara na Edrel, Maria Erótica, com grande sucesso, chegando a ter revista própria. Com o fim da Grafipar, Seto publicou poucas histórias em quadrinhos, entre elas destaca-se A História de Curitiba em Quadrinhos, publicada em comemoração aos 300 anos da cidade.
Atualmente publica charges nos jornais Tribuna do Paraná e O Estado do Paraná e dedica-se a organizar eventos culturais da comunidade japonesa. Também publicou um livro contando a história da imigração japonesa no Paraná e hoje escreve sobre lendas do Japão para o jornal Nippo-Brasil, o que deve resultar num futuro livro.
Dentre os prêmios ganhos por Seto estão o prêmio homenagem Ângelo Agostini como "Mestre do Quadrinho Brasileiro" em 1990; o HQMix, como "Grande Mestre do Quadrinho Brasileiro" em 1995; além de uma homenagem como "Pioneiro e Mestre do Mangá no Brasil", da Associação Brasileira dos Desenhistas de Mangá e Ilustradores em 1996.
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