MATÉRIAS/REVIEWS
 
  
 
13/12/2011
MATÉRIA: A NOVA DC - PARTE 3
 
 
Batman and Robin #1
 
 
Deathstroke #1
 
 
Green Lantern #1
 
 
Legion Lost #1
 
 
Mister Terrific #1
 
 
Red Lanterns #1
 
 
Resurrection Man #1
 
 
Batwoman #1
 


Dando continuidade à nossa análise da reformulação da DC Comics, trataremos nesta terceira parte de mais treze dos “novos cinquenta e dois”. Sempre lembrando: essa série de artigos conta com os “dois lados da moeda”: Leandro Damasceno – leitor que não acompanhava regularmente a DC antes da reformulação, e Leonardo Vicente – fã de longa data da editora.

- BATMAN AND ROBIN
Roteiro: Peter J. Tomasi
Desenhos: Patrick Gleason
Arte-final: Mick Gray

Leandro:
Antes da reformulação, um dos editores da DC disse que cada revista do mundo do Batman tinha um propósito específico e que Batman and Robin seria a revista da dupla dinâmica. Ou seja, o foco seria sempre na relação entre os dois heróis, quem quer que fossem os nomes por baixo das máscaras.

E parece que essa diretriz continua a mesma depois da reformulação. Batman and Robin tem seus melhores momentos nas cenas entre Bruce Wayne e Damian, esse último ainda presente e ainda filho de Bruce. A relação entre ambos, tanto como heróis quanto como pessoas, é demonstrada sem didatismos, com Batman soando como um idealista e Robin como um pragmático. Pode parecer estranho, principalmente no começo, que Batman demonstre tanto sentimentalismo, mas Tomasi, através das intervenções de Damian, nos conta que o cavaleiro das trevas quer mostrar ao seu filho o que ele está buscando em relação à sua nova vida de combatente do crime. Com espaço ainda para piadas.

A edição começa e termina com um inimigo possivelmente russo do qual sabemos pouco, além do fato de ser alguém que consegue ficar invisível, é bem forte e muito mau. Dos ladrões que Batman e Robin enfrentam, o que nos contam é que eles estão roubando material nuclear para alguém e três deles sofrem um acidente envolvendo um veículo roubado e material radioativo. Poderemos ver um novo vilão surgir depois desse acidente? Talvez, talvez...

Gleason demonstra capacidade total de desenhar a série, com especial predileção por Damian. Ele se diverte muito com o moleque, que, por sua vez, parece também se divertir com seu trabalho de combatente do crime. Diferente de Batman, que faz o que faz devido a um senso de obrigação e dever, Damian só tem certeza que ele é o melhor para o serviço e o fará de qualquer maneira. No entanto, e isso pode ser apenas erro meu, mas acho que Tomasi pisa na bola no final da edição, ao fazer Damian dizer que "até Grayson confiou em mim". Ora, se foi tudo resetado, quando é que Damian e Dick Grayson atuaram juntos? Isso será explicado depois? Será que, aqui também, nessa nova DC, Grayson já teve que assumir o manto do morcego? Veremos...

Ainda assim, essa é mais uma agradável surpresa. Batman and Robin é, até agora, a revista do universo do morcego a ser seguida.

Leonardo:
Sendo uma das poucas revistas que mantiveram sua equipe criativa, Batman and Robin voltou ainda melhor, enfim explorando melhor a relação entre Bruce Wayne e seu filho Damian, algo que sempre ficava em segundo plano, até porque anteriormente o Batman da revista era Dick Grayson, que se dava muito melhor com Damian. Com Bruce, as coisas ganham uma dinâmica totalmente diferente. Aliás, conforme comentários na edição, vemos que muito aconteceu neste tempo condensado da nova DC, com Grayson, Jason Todd e Tim Drake já tendo sido Robins, e Grayson sendo Batman. E enfim vemos Alfred, agora de carne e osso, acabando com qualquer dúvida.

Tomasi é normalmente um bom roteirista, mas vinha deixando a desejar na encarnação anterior do título, com histórias confusas e pouco explorando os personagens. Isso mudou bastante aqui, com uma trama mais coesa, ainda que misteriosa, e um aprofundamento na relação entre a dupla, com Bruce enfim se mostrando contrariado pelo modo de agir de seu filho, algo que era ignorado por quase todos os roteiristas anteriormente, desafiando a lógica e o que conhecemos sobre o morcego.

Gleason apresenta sua arte habitual, estilosa e competente, mas em algumas páginas Batman está estranho, passando a impressão de que talvez algumas artes já estivessem prontas antes da reformulação, precisando ser alteradas às pressas para “comportar” o novo uniforme.

- DEATHSTROKE
Roteiro: Kyle Higgins
Desenhos: Joe Bennett
Arte-final: Art Thibert

Leandro:
Imagine Nick Fury escrito por Garth Ennis ou Jonathan Hickman, misturado com o Clint Eastwood de Gran Torino com um espadão. Pronto! Esse é o Exterminador da nova DC. E ele é muito bom.

A história não poderia ser mais simples: o Exterminador é contratado para recuperar algo de um ex-cientista que se transformou num traficante de armas. Para isso, ele tem que agir com três novos mercenários e atacar o alvo num avião em pleno ar, sobre águas internacionais.

Mas a simplicidade não quer dizer incipiência. O primeiro título que não tem um "continua" na última página, mostra que é possível fazer uma história completa, objetiva e bem divertida, mesmo sem participações especiais de outros supers ou conceitos mirabolantes. Apesar de não ser a "parte 1 de sei-lá-quantas", Deathstroke #1 deixa pistas e perguntas suficientes para que os leitores voltem para a próxima edição.

Ponto para o roteirista Kyle Higgins e para o desenhista brasileiro Joe Bennett (que faz aqui o melhor trabalho que eu já o vi fazer). De bônus, a revista tem ainda capa de Simon Bisley. E qualquer revista que tem capa de Simon Bisley ganha pontos comigo.

Leonardo:
Superexposto e descaracterizado por consequência disso nos últimos anos, o Exterminador precisava se afastar um pouco de qualquer versão dos Titãs para poder ser levado de volta às suas origens mercenárias. E sua nova revista mensal faz justamente isso, numa trama violenta e simples, com um certo humor negro que acerta em cheio ao explorar as relações de Slade Wilson com grupos de adolescentes.

Joe Bennett faz um belo trabalho, algo costumeiro em sua carreira. Já passou da hora da DC parar de investir em tantos artistas ruins e dar mais espaço para Bennett em títulos de maior destaque.

- GREEN LANTERN
Roteiro: Geoff Johns
Desenhos: Doug Mahnke
Arte-final: Christian Alamy, Tom Nguyen

Leandro:
Até onde sei, o Lanterna Verde foi, durante muito tempo, o personagem central de várias das últimas mudanças da DC. Desde que eu lia os super-heróis da editora, lá em Zero Hora, o Lanterna é um ponto focal importante. Por isso, eu estava animado para ler a nova Green Lantern, na esperança de que fosse possível me familiarizar de novo com a Tropa toda. Não foi bem assim.

A história começa com Sinestro (antes um dos inimigos jurados de Hal Jordan) voltando a ser um Lanterna Verde. Os Guardiões de Oa falam sobre eventos (recentes?) a respeito de Sinestro como um soberano em seu planeta, Korugar. Isso aconteceu antes da reformulação? Devo supor que essa é a primeira vez que vemos Sinestro? Não sei. Os Guardiões se desentendem e matam (eu acho) um dos seus, enquanto Sinestro vai a Korugar, onde descobre que os Lanternas Amarelos(?) estão dominando o planeta com mão de ferro. Ele luta com um dos membros da "Tropa Sinestro"(?) e o mata.

Enquanto isso, na Terra, Jordan é uma sombra do que já foi. Sem seu anel, ele está lutando para se manter de pé e falhando feio. Entre não ter dinheiro para pagar o aluguel e sem perspectiva de emprego, Jordan acaba se reconectando com Carol Ferris, sua antiga empregadora. Ela não pode oferecer a ele um cargo de piloto de testes de novo, mas ainda assim faz uma proposta para que Jordan volte a trabalhar na Ferris Air. Eles acabam saindo juntos, mas Hal é uma negação inclusive no campo do relacionamento pessoal.

A aparição de Sinestro no final, propondo a Jordan um acordo para que esse consiga seu anel de volta, parece tudo o que o terráqueo precisa. Pelo que vemos durante a história, ir para o espaço e lutar contra outros lanternas, mesmo sem poderes, parece ser algo até melhor do que continuar com a vida patética que ele vive.

Mesmo com a substituição de diálogos por explicações, característica de Johns, que adora escrever exposições em vez de falas, Green Lantern tem gosto de "bonde andando".

Em Justice League, que acontece "há cinco anos", o Lanterna do nosso setor é Hal Jordan, mas em seu próprio título, não mais. Tudo o que Jordan diz foi que o caráter inconsequente de suas atitudes foi o que lhe fez perder tanto o emprego na Ferris Air quanto o anel. O que aconteceu? Qual teria sido a grande pisada na bola dele para que os Guardiões lhe tomassem seu posto? Essa será uma história interessante, mas não acho que será revelada tão cedo. E, sinceramente, ver Jordan ajudando Sinestro a limpar o planeta do antigo inimigo de Lanternas Amarelos não soa como um bom mote para outras histórias. Sinto muito, mas não é dessa vez que voltarei para Green Lantern.

Leonardo:
Uma divertida edição para quem já acompanhava o Lanterna Verde, mas um péssimo “recomeço”, já que tudo que é utilizado na história faz menção aos acontecimentos dos últimos meses antes da reformulação. Claro, como um dos títulos mais vendidos e elogiados da DC, o Lanterna conseguiu passar para a nova fase sem quase nenhuma mudança, mas isso resulta em confusão para quem começou a ler agora, teoricamente o verdadeiro público alvo de toda essa iniciativa.

Não que o erro seja novo, sempre que uma grande reformulação é efetuada na DC (ou mesmo na Marvel), os títulos de grande sucesso têm o “privilégio” de mal sofrerem com as mudanças, o que em longo prazo cria divergências cronológicas crescentes.

O efeito poderia ser diluído com algum recordatório explicando a expulsão de Hal Jordan da Tropa dos Lanternas Verdes por ter matado o guardião renegado Krona, a seleção de Sinestro para novamente ser um Lanterna Verde graças à falta do “compasso moral” da Tropa, etc.

Julgando a revista levando em conta a continuidade das histórias, tudo fica melhor. Johns investe no humor para levar Jordan ao fundo do poço, explorando muito bem as consequências de ser um super-herói e deixar sua vida pessoal para trás. Algo que é bem relevante nos dias de hoje, onde quase nenhum herói tem vida pessoal pra valer, tendo só amigos super-heróis, sem empregos “civis”, apenas combatendo uma ameaça depois da outra.

Mas existem alguns furos. Se as histórias recentes ainda valem, como Carol Ferris pôde deixar de ser uma Safira Estrela se tinha se tornado a rainha delas? E porque os outros Lanternas da Terra não mantém contado com Jordan, principalmente se lembrarmos que nas últimas histórias antes da reformulação eles chegam a falar que estavam viajando para a Terra justamente para inteirar Hal sobre os últimos acontecimentos?

- LEGION LOST
Roteiro: Fabian Nicieza
Arte: Pete Woods

Leandro:
Boom! Pessoas com roupas coloridas chegam à Terra vindas do século 31. Alguém que eles estão procurando já está aqui. Esse alguém solta um vírus, talvez, na atmosfera da Terra e compromete o planeta todo. As pessoas com roupas coloridas pegam o alguém que liberou o vírus e tentam voltar com ele pro futuro. Boom! de novo. Algumas pessoas de roupa colorida morrem, talvez, outras talvez tenham apenas desaparecido, quem sobrou está na Terra mais uma vez, sem saber se é a mesma Terra de antes. E aí acaba.

Legion Lost, de Fabian Nicieza e Pete Woods, é uma coleção de clichês sem uma linha clara de raciocínio, que, sinceramente, não sei como irá sobreviver. Nunca vi nenhum desses personagens antes e não acho que verei de novo.

Leonardo:
O argentino Fabian Nicieza tem uma carreira de altos e baixos. Um de seus melhores momentos foi escrevendo os Novos Guerreiros na Marvel. Por isso mesmo, era de se esperar que se desse bem no comando dos adolescentes da Legião dos Super-Heróis. Só que alguma coisa saiu errado, ao menos nesta primeira edição, que é corrida demais, ininteligível até.

Woods, que tem uma arte irregular, aqui não está tão mal, mas é muito atrapalhado pela colorização, que simplesmente não funciona com seu estilo, tornado tudo no mínimo estranho.

Mas talvez o maior defeito da revista seja o próprio nome. Sim, Legion Lost passa inteiramente o sentido da trama, com legionários perdidos no presente. Porém, acaba passando a impressão errada para o leitor de longa data, que lembra da minissérie de mesmo nome que apresentou uma das melhores aventuras da Legião, algo que essa nova encarnação está longe de ser.

- MISTER TERRIFIC
Roteiro: Eric Wallace
Desenhos: Gianluca Gugliotta
Arte-final: Wayne Faucher

Leandro:
Mister Terrific é mais um desses títulos que não inventa. Conta qual é a motivação principal do personagem central, mostra um pouco de quem o cerca e apresenta um mistério a ser resolvido. Não cria nada, não diminui nada. O time formado pelo roteirista Eric Wallace e pelo desenhista Gianluca Gugliotta fez o dever de casa. É isso.

Leonardo:
Um título solo do Sr. Incrível foi uma grande surpresa, apenas porque o personagem nunca teve destaque fora da Sociedade da Justiça, não estrelando sequer um especial ou minissérie. A escolha é até interessante pois não é todo dia que um personagem negro, um dos homens mais inteligentes da Terra, ateu e cercado pela ciência absurda tradicional dos quadrinhos tem a chance de brilhar.

Entretanto, embora apresente boas ideias que podem vir a ser desenvolvidas com o tempo, este primeiro número decepciona bastante, sendo um dos piores até aqui. A história pessoal do herói é jogada rapidamente sem nenhuma emoção e tudo acontece rápido demais, sem detalhes, sem aprofundamento, sem sentimento, não conseguindo gerar curiosidade ou simpatia.

Duas coisas devem ser ressaltadas: a presença de Karen Starr, que até antes da reformulação era a heroína Poderosa (como a SJA agora existirá novamente na Terra-2 fica a dúvida: será ela uma heroína ou apenas parte do elenco de apoio?) e a péssima arte de Gianluca Gugliotta.

- RED LANTERNS
Roteiro: Peter Milligan
Desenhos: Ed Benes
Arte-final: Rob Hunter

Leandro:
Nunca tinha ouvido falar desses e nem sabia que existiam. Há tantas cores de Lanternas quanto de Hulks? Mais ou menos? Não sei. Só sei que, para ser um Lanterna Vermelho, você tem que ser bravo. E o mais bravo de todos é Atrocitus. Ele tem um gatinho.

Peter Milligan e o desenhista brasileiro Ed Benes fazem uma introdução meio capenga, mas funcional ao mundo dos Lanternas Vermelhos. Conhecemos a história de Atrocitus e, num conto paralelo, dois terráqueos que perdem o avô para um deliquente juvenil e entram em conflito. Ao final, temos Atrocitus com um propósito claro, os garotos da terra brigados e a promessa de que veremos muito mais ódio daqui pra frente.

Como Green Lantern, não voltarei a Red Lantern. A história é chata e sem graça. Por melhor que Milligan seja, acho que aqui ele não faz um bom trabalho. Assim como Benes, que é bom também, mas não perde uma chance de desenhar uma bunda bem abrasileirada em qualquer personagem feminina que apareça na sua frente.

Leonardo:
Franquias dentro do mundo dos quadrinhos não são nenhuma novidade, mas nas últimas duas décadas a coisa saiu do controle, com as editoras lançando mais e mais títulos apenas para aproveitar o embalo de um personagem ou grupo de sucesso, sem se preocupar com a qualidade ou até mesmo a existência de um conceito por trás de um novo título.

Red Lanterns segue esse embalo. Tudo bem, explorar as outras tropas coloridas é até interessante, mas começar a revista já amenizando o personagem principal, Atrocitus, não é um bom sinal. Peter Milligan costuma transitar entre os dois lados da moeda, ou é muito bom ou péssimo, mas desta vez está ainda no meio termo, embora penda mais para o ruim. Alguns detalhes geram interesse, como explorar mais a fundo as origens de Atrocitus e o que parece o prelúdio para o surgimento de um Lanterna Vermelho terráqueo, mas, por outro lado, as divagações de Atrocitus beiram o insuportável e o modo como de repente ele é apresentado como um anti-herói mais bem intencionado destoa de tudo o que o personagem sempre foi.

Ed Benes até capricha bastante, talvez o melhor para ele seja mesmo desenhar alienígenas, porque nos humanos raramente acerta. Ainda assim existem pontos a serem considerados: o flashback com Hal Jordan o apresenta com o uniforme anterior à reformulação, que na cronologia nova, na verdade nunca existiu. E Atrocitus está bem mais humanizado. Será mesmo um novo visual aproveitando o clima de mudança ou Atrocitus só é mais um a sofrer com as limitações do desenhista?

- RESURRECTION MAN
Roteiro: Dan Abnett, Andy Lanning
Arte: Fernando Dagnino

Leandro:
Mais um inédito pra mim e mais uma surpresa interessante. Dan Abnett & Andy Lanning, a dupla conhecida pelos trabalhos com os personagens cósmicos da Marvel, retornam ao personagem que criaram (informação que a Wikipedia me deu) e fazem uma história cheia de intrigantes questões. A grande força aqui está no inverso do que acontece em várias outras revistas, ou seja, em não tentar explicar demais. O título diz tudo o que o leitor novo precisa saber: o personagem principal volta dos mortos. Sempre. O que descobrimos logo é que, toda vez que ele volta, tem um poder diferente e uma missão. Como nem ele mesmo sabe quais são esses quando volta à vida, as respostas que ele descobre servem também para os leitores.

De certa forma, Resurrection Man é o herói de quadrinhos definitivo. Volta dos mortos e tem superpoderes. Mais do que isso, DnA (como é conhecida a dupla de roteiristas lá fora) estão construindo também uma mitologia que intriga, composta de elementos mágicos, de assassinas seriais e do que parece ser uma sociedade secreta conspiratória sobrenatural. Tudo isso no traço competente do espanhol Fernando Dagnino.

Resurrection Man é diferente, é estranho, é um ar novo na DC e, ainda que fosse apenas isso, já valeria à pena. Mais uma para ficar de olho.

Leonardo:
O Ressurreição é um personagem que também não conheço muito bem, salvo participações nas sagas DC Um Milhão e O Dia Mais Claro e na revista da Supergirl. Mas isso não é problema. A dupla DnA é competente na (re)introdução do personagem, deixando claro que ele já existia previamente, ao mesmo tempo em que não insiste em trazer esse passado à tona. As próprias habilidades do personagem garantem um ar de frescor que é dividido entre o herói e o leitor.

A arte de Dagnino é bonita e eficaz, mesmo que não seja chamativa. Em poucas páginas várias pontas são soltas, todas elas gerando interesse. Para quem gosta de suspense e sobrenatural é um prato cheio, lembrando um pouco o estilo da Fallen Angel de Peter David.

- SUICIDE SQUAD
Roteiro: Adam Glass
Roteiro: Federico Dallocchio, Ransom Getty, Scott Hanna

Leandro:
O Pistoleiro está amarrado, aprisionado numa maca de aço. Um ser vestindo o que parece ser a máscara do Espantalho – na versão do vilão mostrada nos filmes do Batman de Christopher Nolan – tem algo parecido com um ferro de passar roupa pressionado contra o peito nu do prisioneiro. O ferro está sendo esquentado por um maçarico e o Pistoleiro grita. Logo, o Espantalho fajuto levanta o ferro e revela que o que ele tinha ali era, na verdade, um receptáculo onde dois ratos estavam aprisionados. Desesperados pelo calor intenso, os animais estavam tentando escapar comendo a carne do peito do Pistoleiro. Quadrinhos de super-heróis, meninos e meninas. Diversão para toda família!

Essa é apenas a primeira página de Suicide Squad, a nova revista do Esquadrão Suicida. Verdade seja dita, está explícito na capa da revista que ela não é aconselhada para todas as idades. Tanto em texto quanto no fato do desenho da capa ser uma mulher quase seminua posando como uma psicopata viciada em armas.

Não demora para descobrirmos que a mulher é de fato uma psicopata viciada em armas, já que se trata da Arlequina, antiga parceira do Coringa. Ela, junto do Pistoleiro e de uma série de outros personagens formam o tal Esquadrão. Todos estão presos no mesmo lugar e sendo torturados. Um dos membros acaba falando mais do que deveria e é a primeira baixa da equipe.

Contar mais do que isso seria estragar a revelação final, mas é certo que veremos mais mortes em breve. Afinal, estamos falando do Esquadrão SUICIDA, mas a história não consegue ser exatamente um primor, se valendo mais do choque das torturas do que de um bom roteiro. Na verdade, em termos de roteiro, essa deve ser a revista mais fraca de toda a linha. Superá-la será uma tarefa complicada.

Leonardo:
Um dos anúncios que me deixou mais feliz, já que o Esquadrão Suicida já foi um dos melhores títulos da DC no passado. E lá ficou a qualidade, pois esse novo título até é inteligente no modo que apresenta o grupo, atiçando a curiosidade do leitor, mas antes mesmo da história começar a ser contada, o descontentamento com os personagens fala mais alto.

Sim, a ideia é reformular – a editora modificando seus personagens –, mas a maioria das mudanças está sendo apenas estética, e mesmo outras mais profundas estão respeitando a essência dos personagens. Aqui não. A Arlequina simpática é substituída por uma psicopata de visual ridículo. O ardiloso Savant é apenas um covarde. Amanda Waller ainda é manipuladora, mas vê-la como uma gatona magrinha já é demais. Ao menos o Pistoleiro aparentemente mantém intactas a maioria de suas características, apenas usando um uniforme horrível.

- SUPERBOY
Roteiro: Scott Lobdell
Desenhos: R.B. Silva
Arte-final: Rob Lean

Leandro:
Scott Lobdell escreve Superboy. Eu lembro de Scott Lobdell nos X-Men e ainda não me recuperei completamente. Demora quatro páginas para que ele mostre um personagem chorando, o que confirma que Lobdell não mudou nada desde os anos 90. A mesma verborragia, a mesma preferência pelo melodrama.

A história mostra parte da origem do Superboy, algum mistério a respeito de quem é o fornecedor da parte humana do seu DNA e termina, inexplicavelmente, com o herói à frente do que parecem ser espectros do restante dos Novos Titãs. Ou pelo menos eu acho que são os Novos Titãs. Essa revista é só para os fãs do personagem mesmo. E para os admiradores da arte do brasileiro R.B. Silva, que é linda de fato. Lembra um pouco Stuart Immonen, Jim Cheung e Ed McGuinness, com boa noção de composição e staging.

Leonardo:
Superboy foi um dos títulos que recebeu mais críticas antes mesmo de seu lançamento. O motivo é óbvio: o herói adolescente tinha sido relançado pouco tempo atrás com roteiros de Jeff Lemire, resultando numa fase que, mesmo curta, foi ótima. Lemire chegou a ser convidado para o novo título, mas declarou achar simplesmente errado o mesmo roteirista relançar uma revista duas vezes em tão pouco tempo.

O que seria do  Superboy se Lemire continuasse no comando é um mistério, mas o que Lobdell fez com certeza não parece com nenhum Superboy anterior. A história até é interessante, levantando talvez questões demais, só que o problema é mesmo ter um Superboy tão diferente, um personagem que sequer sabe quem ou o que é. E isso depois de anos para a versão anterior se encontrar e definir. Com certeza voltar a essa tema tão cedo não foi uma boa ideia.

Alguns personagens peculiares dão as caras, como Rose Wilson, na cronologia antiga a filha do Exterminador, também conhecida como Devastadora. Uma cientista por quem Superboy tem muita empatia tem sua identidade omitida, mas tudo leva a crer que se trata de Fairchild, do antigo Gen 13.

O melhor da edição é sem dúvidas a arte de Silva, limpa, dinâmica e muito bonita em sua simplicidade.

- DEMON KNIGHTS
Roteiro: Paul Cornell
Desenhos: Diógenes Neves
Arte-final: Oclair Albert

Leandro:
A revista centrada em Etrigan é divertida! Clássica aventura medieval, com direito até a dragões. Começamos na queda de Camelot, com Etrigan aprisionado por Merlin e Madame Xanadu deixando o navio que iria para Avalon numa tentativa de recuperar a espada Excalibur. Merlin aprisiona Etrigan no corpo de um jovem chamado Jason e Xanadu falha em sua perseguição à espada. Mas tudo isso é um pano de fundo que o roteirista Paul Cornell conta em poucas páginas.

Num pulo estamos na Idade Média, onde um casal de soberanos domina uma cidade em busca de algo que não sabemos o que é, mas o caminho que seguem os fará cruzar com Jason/Etrigan e com Xanadu. Vandal Savage aparece também, invadindo uma hospedaria. Logo os três estão bebendo numa taberna que se torna o ponto de referência de toda sorte de peregrinos. Enviados do casal de soberanos invadem o lugar e a porrada come solta. E então, dragões!

Assim como acontece em (pouquíssimos) outros títulos, não paramos muito para explicações, o que faz a narrativa correr solta e torna a história bem agradável. Com direito inclusive a um romance entre Xanadu e Etrigan, do qual Jason não sabe. Isso ainda vai dar muito problema...

Destaque também para outros brasileiros, o desenhista Diógenes Neves, o arte-finalista Oclair Albert e o colorista Marcelo Maiolo. A arte dessa primeira edição é bem bonita.

Leonardo:
Este é um dos títulos que mais me animou quando anunciado e é ótimo constatar que ele é bom mesmo. Cornell sempre se vira melhor escrevendo grupos, ressaltando sempre que possível as características peculiares de cada personagem. O fundo místico também cai bem, tornado essa uma das publicações mais ímpares no relançamento da DC, realmente com um estilo próprio que, surpreendentemente, se mostra muito divertido.

Funciona bem para um novo leitor e desperta a curiosidade do antigo, misturando um belo leque de personagens que, além dos já citados, incluiu Mordru e Cavaleiro(a) Andante, além de alguns novos, algo que falta na maioria dos outros títulos.

Os novos visuais funcionam bem, principalmente o de Etrigan, especialmente na bela arte de Neves, que caprichou como nunca aqui. A única coisa que causa estranhamento é ver Vandal Savage não tão vilanesco, parecendo apenas um bárbaro que consegue até ser simpático quando não está atacando ninguém.

- BATWOMAN
Roteiro: J.H. Williams III, W. Haden Blackman
Arte: J.H. Williams III

Leandro:
Todos os problemas e frustrações que acompanham uma revista desenhada por Rob Liefeld desaparecerem quando lemos algo desenhado por J.H. Williams III. Desde que cuidava dos desenhos de Promethea, J.H. tem sido notado mais de perto por fãs e críticos e, quando assumiu Batwoman, ainda antes da reformulação, se tornou uma lenda viva.

A personagem era então escrita por Greg Rucka, o que não acontece dessa vez. Williams, junto de W. Haden Blackman, escreve a história. E, se a arte continua tão magnífica quanto era antes, o mesmo não se pode dizer do roteiro. Infelizmente, o talento necessário para lidar com as diferentes faces da personagem principal não está mais presente, o que torna a história corrida e sem propósitos. A homossexualidade da heroína ainda está ali, assim como sua porção combatente do crime e seus problemas familiares, mas tudo é feito de forma rápida e seca, sem tato, sem delicadeza, sem a necessária precisão com a qual Rucka tratava a personagem. Para piorar, já se sabe que Williams em breve dividirá os desenhos com Amy Reeder, boa desenhista, mas que não tem um terço do talento de J.H.. Ninguém tem.

Leonardo:
Essa é mais uma revista que surge quase sem alterações na reformulação, e mais uma não muito bem sucedida no quesito “atrair novos leitores”. A trama até explica um pouco eventos passados, mas o clima de que se está pegando o bonde andando continua mesmo assim.

Williams e Blackman mantém o estilo das histórias de Greg Rucka, mas a história é um pouco desfragmentada, perde sua fluidez. O título era anunciado meses antes de qualquer um imaginar a reformulação da DC e, talvez por isso, traga referências que podem não se encaixar mais na cronologia, como Pássaro Flamejante afirmar que já fez parte dos Novos Titãs. Ao menos veremos enfim o Batman se aproximar da Batwoman, algo que vinha sendo adiado por demais, a ponto de chegar a ser absurdo.

Williams resgata ainda Cameron Chase, personagem que co-roteirizou e desenhou bem antes de ficar famoso, e que costuma render ótimos momentos. Maggie Swayer, policial que já passou pelos títulos do Superman e do Batman, também entra para o elenco de coadjuvantes. Já Renee Montoya, a Questão, antigo amor da Batwoman, tem destino incerto. Uma cena da revista sugere que ela possa estar morta.

- GRIFTER
Roteiro: Nathan Edmondson
Desenhos: Cafu
Arte-final: Jason Gorder

Leandro:
Apesar de não ter acompanhado a DC por anos, eu adorava a Wildstorm. Como já disse, o desenho de Jim Lee nos anos 90 foi muito influente pra mim e acompanhei de perto o surgimento da Image Comics, dos seus primeiros títulos, dos universos desenvolvidos pelos fundadores da empresa etc. Como Grifter (ou Bandoleiro, como o personagem foi chamado quando primeiro chegou aqui, via Editora Globo) era claramente uma espécie de Wolverine da Wildstorm, sempre esperei grandes coisas. Infelizmente, acho que o personagem nunca foi bem desenvolvido ou explorado. Logo, saber que Grifter teria uma série própria pela DC foi uma grande surpresa e fonte de satisfação. Seria agora que veríamos Grifter se tornar uma figura tão interessante quanto os arquétipos a partir dos quais ele foi moldado? Veremos ele chutando bundas e anotando nomes e distribuindo tiros e sendo o cara foda que sabemos que ele pode ser? O que o primeiro número mostra é que, como sempre, o potencial está ali, mas ainda existe muito receio de transformar Grifter em algo mais significativo.

O roteirista Nathan Edmondson leva Grifter, em sua série mensal, para um campo sobre o qual já escreveu, o da espionagem, e transforma o personagem num ex-militar que virou um chantagista de empresários. A história traz elementos sobrenaturais e mistérios com alguma aventura, mas tudo com um ar meio James Bond misturado com John McClaine, o que deixa a história pouco original.

Na trama, depois de ser capturado e vítima de algumas experiências que, até onde sabemos, lhe deram dor de cabeça e a inconveniência de ouvir os pensamentos daqueles que querem matá-lo, Grifter perde sua parceira nos golpes, aparentemente perde um pedaço de sua memória e se torna alvo de vários grupos diferentes. É uma história corrida, que não mostra muita coisa, mas, verdade seja dita, tem seus momentos intrigantes. No entanto, é fato que Cole Nash poderia ser muito melhor do que isso. E talvez ainda seja. Edmondson, é também o responsável por Who is Jake Ellis?, outra HQ de espionagem com elementos sobrenaturais que é fantástica. Agora é ver se Grifter vai funcionar como chantagista-espião-fugitivo.

Leonardo:
Sou outro que gostava muito da Wildstorm, e Grifter era um de meus personagens preferidos. Essa sua nova versão ainda está... estranha! Como o personagem é um ex-militar, não dá para entender tamanho pânico por ter matado uma pessoa, por exemplo. Suas origens ainda não estão claras e toda a trama lembra mais o seriado Os Invasores ou o começo das história de Rom, com Grifter sendo o único a perceber a presença dos alienígenas Demonitas entre os humanos.

O ponto alto é a arte do espanhol Cafu (pseudônimo de Carlos Alberto Fernandez Urbano), um pouco menos estilizada do que a habitual, provavelmente influência da arte-final.

- FRANKENSTEIN: AGENT OF S.H.A.D.E.
Roteiro: Jeff Lemire
Arte: Alberto Ponticelli

Leandro:
Assim como Deathstroke, Frankenstein é um mercenário, mas, em vez de lidar com terroristas e possíveis ameaças geopolíticas internacionais, ele mata monstros. Outra similaridade com o título solo do personagem conhecido no Brasil como Exterminador é que Frankenstein: Agent of S.H.A.D.E. é bem divertido.

De novo, não perdemos muito tempo com bobagens. Acho que essa característica está se tornando a minha preferida na nova DC. Quanto menos porquês, mais eu agrado da história. Frank é um agente da S.H.A.D.E., que é uma agência que cuida de casos bizarros que acontecem no mundo. Um dos seus cientistas é Ray Palmer, que, pelo menos por enquanto, ainda não é o herói Eléktron, mas já criou uma tecnologia de encolhimento usada na sede da agência. Um surto de monstros aparece numa cidade americana, Frank é chamado para intervir, um grupo de outros monstros se junta a ele e a porrada come solta.

É uma história muito simples e que funciona muito bem, além de levantar várias questões para outros números, como a natureza exata da S.H.A.D.E., de seus humanóides e de seu líder. Além disso, quero saber mais sobre a relação entre Frankenstein e sua esposa (também uma agente de campo). O escritor Jeff Lemire usa elementos clássicos de ficção-científica de maneira inteligente, assumindo os clichês com decência, sem tentar se esconder com um verniz de originalidade disfarçada. Frankenstein: Agent of S.H.A.D.E. é quase um título pulp, com todo o charme das antigas histórias em quadrinhos e que não pede desculpas por ser exatamente isso.

Leonardo:
Jeff Lemire já tinha escrito Frankenstein muito bem numa minissérie derivada de Flashpoint e agora acerta o alvo mais uma vez, desta vez misturando elementos introduzidos pelo criador desta versão de Frank, Grant Morrison, com os já usados na mini de Flashpoint.

O resultado é muito bom: diversão na dose certa, com aquelas viagens típicas de escritores britânicos, mas sem exagerar demais. O elenco de apoio chega a ser até mais interessante do que o próprio Frank, principalmente o Pai Tempo em sua nova e inusitada forma.

A arte de Ponticelli causa estranhamento num primeiro momento, mas logo se percebe que ela se encaixa perfeitamente com o tipo de história. Com certeza não é um traço convencional.

Veja também:
- A Nova DC - Parte 1
- A Nova DC - Parte 2
- Notícias sobre Flashpoint
- Notícias sobre a DC Comics

  facebook


Grifter #1
Frankenstein: Agent of S.H.A.D.E.
 


 

Seções
HQ Maniacs
Redes Sociais
HQ Maniacs - Todas as marcas e denominações comerciais apresentadas neste site são registradas e/ou de propriedade de seus respectivos titulares e estão sendo usadas somente para divulgação. :: HQ Maniacs - fundado em 19.08.2001 :: Brasil