MATÉRIAS/REVIEWS
 
  
 
11/11/2011
MATÉRIA: A NOVA DC - PARTE 2
 
 
Detective Comics #1
 
 
Animal Man #1
 
 
Action Comics #1
 
 
OMAC #1
 
 
Swamp Thing #1
 
 
Stormwatch #1
 
 
Batgirl #1
 
 
Green Arrow #1
 

Continuando a nossa análise da reformulação da DC Comics, agora vamos tratar da primeira leva significativa de títulos (a primeira semana só contou com a nova Liga da Justiça), incluindo a aguardada Action Comics de Grant  Morrison. Sempre lembrando: essa série de artigos conta com os “dois lados da moeda”: Leandro Damasceno – leitor que não acompanhava regularmente a DC antes da reformulação, e Leonardo Vicente – fã de longa data da editora.

- DETECTIVE COMICS
Roteiro e desenhos: Tony Daniel
Arte-final: Ryan Winn

Leandro:
Comida requentada que não era muito boa quando foi feita pela primeira vez, como a primeira história de David Finch quando ele assumiu Batman: The Dark Knight. E essa história não é para crianças. A arte de Tony Daniel, apesar de ser muito inspirada naqueles artistas dos anos 90, como Jim Lee e Marc Silvestri, sempre foi o ponto forte de suas revistas, mas aqui parece que Daniel está tentando mudar um pouco seu estilo enquanto produz novas páginas. Se for isso, parabéns para ele pela coragem, mas o resultado não é dos melhores.

Leonardo:
Tony Daniel vem levando uma carreira desequilibrada nos últimos anos. Começando como um péssimo desenhista, pouco a pouco foi ganhando estilo, tornando sua arte bastante agradável. Sua faceta roteirista, porém, demorou muito mais tempo para engrenar, coisa que começa só agora, ao criar uma trama detetivesca que prende a atenção do leitor, apesar das desnecessárias frases de efeito que chegam até a quebrar o ritmo da narrativa.

A sua arte, por outro lado, vem mudando demais. É claro que Daniel tenta inovar, experimentar, mas o resultado é irregular. Algumas páginas estão ótimas, enquanto outras parecem relaxadas. Parece que ele ainda não encontrou seu estilo definitivo.

Alguns detalhes na história levantam algumas dúvidas: se a polícia continua a caçar o Batman no presente, como funciona a Batman Inc. nesta nova DC? Afinal, Alfred é uma pessoa ou só um holograma?

- ANIMAL MAN
Roteiro: Jeff Lemire
Desenhos: Travel Foreman
Arte-final: Travel Foreman, Dan Green

Leandro:
Ótima história de Jeff Lemire e Travel Foreman. Consistente, dá seu recado, fala quem é o Homem-Animal, apresenta sua família, suas questões fundamentais, seus problemas básicos e ainda dá um gancho muito interessante para a segunda edição. A arte de Travel Foreman, apesar de também corrida, é linda! Uma sequência onírica, em especial, é perfeita.

Leonardo:
Até aqui o título mais consistente, eliminando eventos recentes e pequenos detalhes, mas mantendo totalmente a essência do personagem. Abrir a edição com uma reportagem sobre o Homem-Animal foi a maneira mais simples e inteligente de, logo de cara, apresentar quase tudo que precisamos saber. O modo como a trama caminha, explorando a fonte dos poderes do herói e o envolvimento de sua filha com tudo isso resgata elementos da fase pós-Grant Morrison da revista original.

A arte de Foreman é peculiar, mas bonita. Em alguns pontos parece destoar, provavelmente por culpa da arte-finalização dividida com Dan Green. O único ponto negativo é o novo uniforme do personagem que, além de nãos ser muito bonito, apaga um pouco de sua personalidade, se tornando genérico demais.

- ACTION COMICS
Roteiro: Grant Morrison
Desenhos: Rags Morales
Arte-final: Rick Bryant

Leandro:
Não é das melhores, mas Morrison ainda pode surpreender. É óbvio que ele adora Lex Luthor e sempre o escreve como um personagem muito interessante. Aqui, de novo, Luthor é muito mais complexo e bacana do que o Superman, que parece um adolescente deslumbrado com a vida que mal sabe o que está fazendo. Na verdade, como a arte de Rags Morales é muito aquém do que ele consegue fazer, não dá pra saber se o Superman é um adolescente, um adulto, uma pessoa com seus vinte e poucos anos ou o quê. Se formos olhar pelo trabalho que Clark Kent exerce, ele já saiu da faculdade e trabalha num jornal rival ao de Lois Lane e Jimmy Olsen, mas Morales o desenha como um menino grande. Não sei se esse aspecto será abordado adiante na série e nem sei se vou descobrir também. Action ganha mais uma chance derradeira. Se melhorar muito, continua, se não, cai fora.

Leonardo:
Depois de muito tempo, Grant Morrison enfim alcança seu sonho de escrever a principal revista mensal do Superman. E não decepciona. Constrói uma trama rápida, que já dá muitas pistas do que virá, com um Superman ainda iniciante, um tanto convencido e resgatando muito do clima da Era de Ouro, quando o herói era um pouco mais violento e preocupado com crimes comuns. O desenvolvimento lento de seus poderes é outra ótima sacada. Morales, quase sempre um ótimo desenhista, é outro que entrou para o crescente time dos inconstantes, caprichando mais em algumas páginas, relaxando em outras.

Superman recomeça muito bem, mas é um tanto irritante rever seu início mais uma vez, sendo que a origem de Geoff Johns foi contada há tão pouco tempo. É interessante notar a presença do General Sam Lane, que ficou popular depois dos eventos de Novo Krypton. Aliás, desde o final dessa saga, as revistas do Superman ficaram totalmente sem rumo, fazendo dele um dos personagens que mais se beneficiaram dessa reformulação.

- OMAC
Roteiro: Dan Didio e Keith Giffen
Desenhos: Keith Giffen
Arte-final: Scott Koblish

Leandro:
Como era de se esperar de Keith Giffen, só diversão. A história mostra um monstro chamado OMAC destruindo o laboratório do Cadmus para chegar ao computador principal e depois de muita destruição nos apresenta quem será o novo avatar do Irmão Olho na Terra. E só. Porrada, destruição, mais porrada, mais destruição, porrada, porrada, quebra, destrói e dá porrada. Com uma piada bacana no final. É tudo o que se espera de uma história de Giffen e mais um pouco. Com uma arte completamente inspirada em Jack Kirby e muito bem feita.

Leonardo:
O novo OMAC é uma agradável surpresa. O conceito em si foi pouco funcional deste sua criação: foi um dos piores trabalhos de Jack Kirby, poucas vezes saindo do esquecimento. John Byrne utilizou muito bem o personagem original numa memorável minissérie e depois o nome OMAC só teria importância na minissérie Projeto OMAC, mas a nova ideia para o personagem logo foi usada à exaustão, se perdendo.

Essa nova versão tem muito do clima do original, com um novo visual que presta homenagem ao clássico e, claro, a arte de Giffen praticamente “psicografando” Kirby. E, quem diria, Dan Didio até manda bem no roteiro, coisa que fez poucas vezes. Melhor ainda, não se limita apenas aos conceitos e personagens de OMAC, usando também alguns elementos do Quarto Mundo de Kirby.

- SWAMP THING
Roteiro: Scott Snyder
Arte: Yanick Paquette

Leandro:
A mais fraquinha até agora. História chata, sem muito conteúdo (nem mesmo o conteúdo do tipo: "isso aqui é o que você precisa saber para conhecer esse personagem"; algo que pauta quase todos os títulos, foi bem feito aqui). Muita conversa mal redigida, mal cimentada, principalmente entre Alec Holland e o Superman. Talvez parte do problema seja o fato desse novo Superman ainda não estar totalmente acertado, fazendo com que aqueles que o escrevem tenham que trabalhar com ele de maneira muito superficial. Ainda que seja isso, não é justificativa para diálogos tão ruins. Surpresa bem desagradável, uma vez que o roteirista Scott Snyder é um dos melhores atualmente trabalhando na DC.

Em compensação, os desenhos de Yanick Paquette são maravilhosos. É muito óbvio que quase todo mundo desses novos 52 títulos teve que correr com a arte, mas Paquette corrido é melhor do que muita gente que demora três meses para fazer dez páginas. Chega a valer só pelo trabalho de arte? Não. Infelizmente não.

Leonardo:
Para um leitor de primeira viagem, a edição não diz quase nada. Já um leitor que vem acompanhando as últimas reviravoltas na mitologia do Monstro do Pântano desde O Dia Mais Claro, com certeza achará o fim da picada mais uma edição de pura enrolação, algo que acontece desde a recente minissérie em três edições do personagem. Alec Holland, ainda separado do Monstro, está vazio demais, e Snyder sequer se dá ao trabalho de desenvolver esse lado humano do personagem, sem explicar como depois de anos dado como morto, ele leva uma vida aparentemente normal.

Outro detalhe que salta aos olhos rapidamente é a falta de sincronia com os demais títulos. O modo como o Planeta Diário é mostrado e o Superman age não condizem com os títulos do kryptoniano, que, aliás, dá a entender que sua morte nas mãos de Apocalypse continua a valer. A arte de Paquette é a primeira 100% entre todos os títulos, nada de altos e baixos, este é um dos melhores trabalhos do artista.

- STORMWATCH
Roteiro: Paul Cornell
Arte: Miguel Sepulveda

Leandro:
Bem bacana. O escritor Paul Cornell tenta dar ao Stormwatch a mesma dimensão esplêndida que Warren Ellis imprimiu ao Authority, com muitos conceitos bizarros e gigantescos, muita coisa acontecendo ao mesmo tempo, diversas regiões do planeta (e até mesmo a lua!) servindo como cenário para diferentes personagens. Stormwatch promete ser uma série cheia de elementos diversificados e de diálogos mais bem construídos. Como a base deixada por Ellis e Mark Millar em Stomrwatch e Authority é muito boa, o que Cornell faz agora é brincar com conceitos já consagrados, mantendo a maior parte do que já foi feito intacta em termos de caracterização.

As maiores mudanças: Apolo e Meia-Noite, o fato do Caçador de Marte fazer parte da equipe e a base de operações, agora conhecida como The Eye of Stormwatch. A nova base existe no hiperespaço e substituiu (para sempre?) a linda Balsa, que viajava pela Sangria. É um detalhe, mas eu curtia muito a Balsa. O ponto mais baixo de Stormwatch: a arte. Os desenhos de Miguel Sepulveda estão horrorosos e quase estragam toda a brincadeira.

Leonardo:
A DC anunciou Stormwatch como um dos títulos mais importantes desse reinício. A primeira edição ainda não deixa claro o que há de tão importante, mas deixa diversas pontas soltas, comprovando que a revista, ainda assim, é muito interessante, com bastante espaço para vários tipos de histórias. O elenco de personagens é bem interessante: personagens consagrados do Stormwatch original e do Authority, misturados ao Caçador de Marte e novas caras. Aliás, essa é uma das poucas revistas a investir em novos “heróis” – entre aspas, já que eles não gostam de ser chamados assim. Cornell entretém muito bem, e ainda captura nossa curiosidade com as pistas deixadas.

Miguel Sepulveda, por outro lado, precisa desesperadamente de um bom arte-finalista. O desenhista nunca se destacou, mas antes ao menos tinha quem melhorava sua arte. Desta vez, simplesmente apresentou seu pior trabalho bem num momento importante da editora e de sua carreira.

- BATGIRL
Roteiro: Gail Simone
Desenhos: Ardian Syaf
Arte-final: Vicente Cifuentes

Leandro:
Mais uma com desenhos horríveis. Ardian Syaf pisa na bola totalmente. O design da roupa da Batgirl é muito bonito, mas nas mãos de Syaf se perde. A história de Gail Simone funciona. Só isso. Nada além. Na parte que talvez seja a mais relevante da história toda, Simone inclui um pedaço de A Piada Mortal, especificamente o tiro do Coringa em Bárbara Gordon, dentro da nova continuidade. Mas aqui, Bárbara Gordon ficou paralítica por um tempo apenas, tendo se recuperado "milagrosamente". É certo que mais a respeito desse aspecto será explorado ao longo da série. Uma história sólida, bem contada, mas mal desenhada. Nada de mais. Só mais um título do universo do Batman.

Leonardo:
Batgirl foi um dos mais polêmicos anúncios. A decisão de fazer Bárbara Gordon novamente a Batgirl tem muita lógica, já que em outras mídias sempre é ela quem usa o uniforme – e isso se reflete em algumas escolhas da HQ, como as cores de seu traje e sua moto. Porém, os fãs da personagem em sua maioria (eu incluso) a consideram mais forte no papel de Oráculo. Para agravar a situação muita gente ainda é fã de Cassandra Cain e até de Stephanie Brown, a Salteadora, que primeiramente desagradou a todos, mas acabou estrelando um dos melhores e mais divertidos títulos de seu período, cancelado antes de realmente demarcar território.

Ao menos Gail Simone não desvirtua a personagem. Sim, Babs está claramente mais jovem e animada, mas a ideia do reinício da editora é exatamente rejuvenescer seus personagens. O trauma de A Piada Mortal aconteceu, mas fica o mistério de como ela voltou a andar. E mais: nesta nova cronologia ela algum dia foi Oráculo? Chefiou as Aves de Rapina? O ponto fraco é Ardian Syaf, outro que não fez questão de caprichar, mesmo tendo um arte-finalista. Syaf costuma pegar ritmo bem devagar em seus trabalhos, mas nunca começou tão mal.

- JUSTICE LEAGUE INTERNATIONAL
Roteiro: Dan Jurgens
Desenhos: Aaron Lopresti
Arte-final: Matt Ryan

Leandro:
Dan Jurgens não inventa e talvez esteja aí sua maior força. JLI é uma revista que segue as regras e o faz com competência. Junta a equipe, o grupo encontra uma ameaça e o pau quebra. Pronto. É isso. Com uma história secundária de desaprovação popular que ainda vai render. Mas o plot principal? Simples, eficiente, bastante razoável. O desenho de Aaron Lopestri segue os mesmos adjetivos: eficiente e bastante razoável. Faz o dever de casa bem feito. JLI como um todo não é um primor, mas é bem acertada.

Leonardo:
No passado, Jurgens foi o único roteirista a utilizar adequadamente a Liga da Justiça “cômica” além de seus criadores, ainda dando pitadas da ficção-cientifíca dos primeiros anos da Liga original. Desta vez, porém, o roteirista reduz bastante o humor – ele ainda está presente, mas não é a força motriz. Aqui, o grupo é reunido pela primeira vez, então fãs se decepcionam ao ver laços duradouros entre personagens clássicos não mais existirem. Porém, boa parte do elenco é o mesmo da formação clássica, com algumas adesões que prometem um bom desenvolvimento e uma escalação que faz mais jus ao termo internacional.

Lopresti, outro que costuma aprimorar seu trabalho ao longo do tempo, começa muito bem, até porque foi um dos principais desenhistas da máxissérie Liga da Justiça: Geração Perdida.

- HAWK & DOVE
Roteiro: Sterling Gates
Arte: Rob Liefeld

Leandro:
Por que Liefeld? Por quê? Não sei. Nada justifica. A história não é ruim, mas ao mesmo tempo é intragável, porque o "desenho" do artista é pior do que o de uma criança disléxica de quatro anos de idade.

Leonardo:
Pobre Sterling Gates: depois de ser o único escritor a dar um (ótimo) rumo à Supergirl, ele perdeu esse emprego, não teve seu título do Kid Flash efetuado e agora tem que aguentar Rob Liefeld destruindo suas histórias de Rapina & Columba. De qualquer modo, Gates entrega um trabalho descompromissado e divertido, resgatando diversos elementos da mitologia da dupla, como o pai de Don e Hank Hall e o policial Sal Arsala – cuja morte em Armageddon 2001 foi felizmente ignorada.

Por outro lado, a trama traz uma demonstração da falta de comunicação entre os profissionais da DC nesta nova fase. Dan Didio se pronunciou diversas vezes afirmando que as Crises nunca aconteceram. Porém, aqui Rapina relembra a morte do primeiro Columba, ocorrida, em suas próprias palavras, “durante a maior Crise que o mundo já viu”. Sim, pode ser apenas “jeito de dizer”, mas é o tipo de frase que só causa confusão, podendo muito bem ser evitada.

- BATWING
Roteiro: Judd Winick
Arte: Ben Oliver

Leandro:
Antes de qualquer coisa, vamos deixar claro que eu não gosto do trabalho do Judd Winick. Acho um roteirista muito fraco, supervalorizado, que sempre volta aos mesmos temas de novo e de novo. Mas esse não é o problema de Batwing, o título do Batman negro que atua na África (mais especificamente, na República Democrática do Congo). O grande problema é conceitual. Lidar com as questões da África da maneira simplista que uma revista de super-herói geralmente pede torna as histórias artificiais e fracas. Ir a fundo nessas questões pode soar como pregação ou didatismo e, não tocar nessas questões, poderia soar como alienação e falta de conhecimento. É um caminho muito espinhoso pelo qual a DC pretende caminhar. Winick toca em assuntos tipicamente "africanos" ao mesmo tempo em que tenta vender uma clássica história de super-herói que quer pegar o vilão assassino. Uma ideia que seria perfeitamente aproveitável em qualquer outro cenário, mas no Congo, soa falsa e boba, mesmo com as cenas fortes de assassinato espalhadas por essa primeira edição.

Por que me importar com um assassino serial fictício no Congo quando o país sofre com problemas reais como fome, guerra de gangues, epidemia de AIDS e afins? Pedir para que os leitores esqueçam as questões da África em função de apreciar uma história de super-heróis parece ser uma exigência grande demais, irreal demais. Não ajuda o fato do artista britânico Ben Oliver não ter se esforçado o mínimo para convencer que a história se passa num país africano. Apesar de ter conhecimento de narrativa e anatomia, é muito óbvio que Oliver nunca chegou perto da África, muito menos foi fundo em sua pesquisa sobre o continente.

Talvez Batwing seja o título mais complicado de toda essa nova safra. Como uma tentativa de criar um Batman alternativo, funciona; como um caminho para expandir o Universo DC para além dos limites já conhecidos e implantar uma "filial" na África, é bem falho.

Leonardo:
Judd Winick sempre foi uma roleta russa. Nunca sabemos o que esperar de seus títulos - podem ser ótimos ou medíocres - , e até os que começam ótimos, costumam decair (com a exceção de Exilados). A certeza que temos é que em algum momento ele abordará temas que já são jargão em sua carreira: AIDS, sexo e homossexualismo, mesmo quando muito mal encaixados nas tramas. Tendo tudo isso em vista, até que Winick conseguiu fugir de seus próprios estereótipos nesta primeira edição, nem mesmo citando que os pais do herói morreram em decorrência da AIDS.

Mesmo sendo uma história bem construída e, acima de tudo, muito bem desenhada, Batwing causa muito estranhamento simplesmente por ser quem é. Era de se esperar que escolhessem a dupla Cavaleiro & Escudeira como expansão de Batman Inc., e não um quase desconhecido. É uma das apostas mais arriscadas da DC.

- GREEN ARROW
Roteiro: J.T. Krul
Desenhos: Dan Jurgens
Arte-final: George Pérez

Leandro:
J.T. Krul, o roteirista de Green Arrow, parece ter medo do personagem que lhe deram para escrever. Sua história é bacaninha, traz o que parecem ser novos vilões e os coloca dentro de uma lógica bem próxima do mundo contemporâneo, onde a mídia hipervaloriza quem não deveria, mas o próprio Arqueiro é muito mal caracterizado. Seus diálogos são tolos e sem propósito. Se a proposta da DC é começar de novo, bem do começo mesmo, Oliver Queen seria então o herói que mais aprendeu ao longo de sua vida, uma vez que, para se tornar o Arqueiro Verde – pelo menos na cronologia que conhecíamos – ele teve que passar por experiências de humildade e redenção que o moldaram. Assim sendo, ele já teria deixado de ser arrogante (como Batman, Lanterna Verde e Superman são, se tomarmos as outras revistas como referência), e hoje seria um herói bem maior do que aparenta ser nesse primeiro número. É possível que a história se desenvolva melhor mais adiante, mas esse começo foi bem decepcionante. O Arqueiro Verde é um personagem muito melhor do que esse #1 deixa transparecer. Não obstante, destaque para a arte de Dan Jurgens, que é clássica, lembra John Byrne e Dave Cockrum, mas com ainda mais dinâmica e beleza.

Leonardo:
Não mudar algumas equipes criativas de Batman e Lanterna Verde fez bastante sentido mesmo após reformulação, afinal “não se mexe em time que está ganhando”. Mas manter J.T. Krul em Arqueiro Verde, por outro lado, não tem explicação, já que o roteirista não era nenhum favorito e agora descaracteriza totalmente o herói. A trama em si não tem defeitos dignos de nota, mas o protagonista não tem profundidade, perdeu muito de sua marcante personalidade e tem um visual que também o descaracteriza, chegando atrasado para emular o uniforme apresentado no seriado Smallville. A parte boa da edição é a arte, afinal une dois grandes nomes, que se complementam muito bem. Ao menos a DC remediou rapidamente o erro cometido com Krul, logo o substituindo.

- STATIC SHOCK
Roteiro: Scott McDaniel e John Rozum
Desenhos: Scott McDaniel
Arte-final: Jonathan Glapion e Le Beau Underwood

Leandro:
Como OMAC, Static Shock não perde tempo explicando muita coisa e joga o leitor direto na ação. Descobrimos como o personagem se vê e como a cidade o percebe em meia dúzia de páginas. Conhecemos os vilões, a família do herói e logo voltamos para a peleja, quando a história chega ao final possivelmente cataclísmico.

É um conto rápido, que talvez se apóie demais no fato dos leitores já conhecerem o personagem, categoria na qual eu não me encaixo. Partindo desse ponto de vista, de alguém que não tinha ideia de quem Static Shock é, por mais divertida que a história seja, ela não vende um personagem com o qual eu me importo. Pelo contrário. Mostra um moleque arrogante sem ter cacife para ser.

McDaniel consegue desenhar bem melhor do que ele mostra aqui, mas como essa é a primeira edição, talvez ele se encontre à medida que os novos números forem se sucedendo. A arte, no entanto, não é ruim, só que tem muito espaço para melhorar.

Leonardo:
Conhecido mundialmente muito mais pela sua série animada do que por suas HQs, Static inicia sua nova revista mensal de maneira movimentada e divertida, mas deixando a desejar como apresentação. Vilões com visuais genéricos não ajudam muito, mas ao menos o personagem se mostra carismático. A arte de McDaniel ainda está longe dos tempos de Asa Noturna, mas já muito superior aos seus últimos e intragáveis trabalhos.

- MEN OF WAR
Roteiro: Ivan Brandon (história principal), Jonathan Vankin (história secundária)
Arte: Tom Derenick (história principal), Phil Winslade (história secundária)

Leandro:
A primeira surpresa agradável dessa leva de HQs. Não esperava nada e acabei lendo uma boa história, com um conto extra (de menos páginas) também muito interessante. Men of War mostra a missão que leva o soldado Rock a se tornar o Sargento Rock, também sem mostrar quase nada de sua vida antes do exército. Começamos já na guerra (sem saber qual) e depois, por um flashback, entendemos qual a posição de Rock em relação ao seu papel dentro do exército, bem como aprendemos também um pouco sobre sua família. Mas quase nada.

O que importa mesmo aqui é o "homem da guerra". E logo somos atirados num país do Oriente Médio, onde um grupo de militares – que inclui o ainda soldado Rock – é jogado numa missão de resgate. As coisas acabam não dando tão certo quanto se imaginava e a aparição de um personagem aparentemente importante mostra que, apesar da abordagem diferente, Men of War é uma revista que faz parte da continuidade do universo de super-heróis da DC.

O desenhista Tom Derenick trabalha muito bem. É um pouco diferente do que estamos acostumados em revistas de super-heróis, um pouco mais realista e com escolhas ousadas em relação à arte-final, que mistura tinta e lápis. Derenick tem potencial para crescer muito e talvez Men of War seja um caminho bacana para isso.

Na história extra, chamada Navy Seals: Human Shields, estamos de volta à guerra no Oriente Médio, mas dessa vez com outros personagens e com uma pegada muito mais realista, muito mais próxima do que pode ser uma guerra na atualidade. É também uma história boa, que surpreende justamente por ser crua, rápida, com um verniz verossímil e bem dinâmica. Se você gosta de histórias de guerra, mas não é muito fã do excesso gráfico ao qual roteiristas como Garth Ennis são dados a cometer, Men of War é feita para você.

Leonardo:
Devo confessar, também não dava nada por esse título e me surpreendi positivamente. Misturar soldados normais com o mundo dos super-heróis, bem como utilizar herdeiros de clássicos personagens de guerra na DC não são ideias novas, mas como funcionaram bem aqui. A iniciativa de contar uma história principal mais enraizada no universo da editora, seguida de uma atração secundária mais pé no chão também foi ótima, passando um contraste perfeito.

Não só as histórias são bem escritas, como também bem desenhadas. Derenick torna seu estilo mais realista do que nunca, criando algo novo em sua carreira. Já Winslade não inventa muito, mas seu traço habitual já combina perfeitamente com o clima da trama.

Veja também:
- A Nova DC - Parte 1
- Notícias sobre Flashpoint
- Notícias sobre a DC Comics
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Static Shock #1
Men of War #1
 


 

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