MATÉRIAS/REVIEWS
 
  
 
19/08/2011
ESPECIAL: 10 ANOS DE HQ MANIACS
 
 
HQ Maniacs - 10 anos
 
 
HQM Editora
 
 
Os Mortos-Vivos - Volume 5: A Melhor Defesa
 
 
Kickback, de David Lloyd
 
 
Necronauta, de Danilo Beyruth, selecionado pelo PNBE
 
 
Zoo, de Nestablo Ramos Neto, nas bibliotecas
 
 
Alice Através do Espelho, de Kyle Baker: sucesso de vendas
 
 
 


- Me lembro de pouco do tempo que entrei no HQM. Eu era um moleque de dezesseis pra dezessete anos, meio entediado, que lia gibis e os discutia no antigo fórum da Panini. Foi ali que eu fiz grandes amigos que eu mantenho contato até hoje – outros menos, alguns mais -, e foi lá que meus companheiros Carlos Costa e Leonardo Vicente (eram muitos mais, sobramos nós) me recrutaram.

Eu havia passado no vestibular de jornalismo, e o site passara recentemente por uma reformulação – de quatro anos, se não me engano, ele entrava em sua fase azul. Não faria mal, pensei, testar um pouco a escrita e sair na frente dos meus futuros colegas de profissão. Por isso, sim, aceitei o convite para escrever notícias diárias ao veículo.

Passou-se um ano, e os laços foram aumentando. Eu morava no interior de São Paulo, e voltei para cá para a faculdade. Nos tornamos amigos não só virtuais, e sim de presença confirmada para cervejas que duravam até anoitecer no bar na frente da Comix, uma das melhores feijoadas da cidade.

Lembro quando o Spider (Carlos) me conheceu, em uma dessas situações. Ele estava indo comprar cerveja na padaria, e eu aproveitei: “me compra um maço de cigarro?!” Quando ele voltou com meu Lucky Strike, o mesmo que infelizmente eu ainda fumo até hoje, alguém anunciou “Aeee, Spider, pagando cigarro pra um menor!” Não sei se a resposta dele foi bem essa, mas gosto de imaginar que tenha sido: “você é menor, filho da mãe?! Que moleque safado!” Eu já estava bêbado, ele também, ninguém poderia ser culpado.

Foi no mesmo bar na frente da Comix que eu ouvi ele falar pela primeira vez: “vamos abrir uma editora?” O motivo era simples: nós gostávamos de muitas coisas que simplesmente não eram publicadas aqui. Não levei a sério, disse que sim, e hoje não me arrependo do futuro que aquele “sim” me reservou.

É difícil falar dos dez anos do HQM sem falar da HQM, a editora. Muito porque o site já não é realidade na minha vida há mais de um ano, muito porque eu devo toda minha carreira a ambos. Na verdade, este texto não é sobre um, nem sobre outro. É sobre as pessoas que fizeram e fazem o HQM. Sem elencar as pessoas em ordem de importância, são essas que marcaram mais a minha vida:

Ao Carlos e ao Leonardo, eu devo tudo. São meus irmãos, daqueles que sairíamos na mão, se não fôssemos adultos o suficiente para resolver as coisas na base da conversa. A última briga foi há menos de um ano. Confesso, não foi a primeira vez que eu quis abandonar tudo, mas sociedade tem dessas coisas.

Ao primeiro deles, eu devo uma amizade quase paternal, noites longas de conversas que me amadureceram muito mais do que com qualquer outro amigo que tive. O Carlos é um grande ouvinte, e, muito mais, um grande falador. Nunca me importei com a segunda qualidade, porque eu também sou. É a ele que eu, e todos os leitores do (e da) HQM devem à existência desse pequeno “império” das HQs que temos hoje. A perseverança, a capacidade de superar toda e qualquer crise, a motivação quase cega que o motiva é impressionante, um exemplo pra mim.

Ao segundo, primeiro de tudo, devo desculpas. Desde a briga, não tive chance de olhar nos olhos dele e pedir essas desculpas de verdade. Arrependo-me das coisas que falei. Ele é um libriano do dia 12 de outubro, e não é o único dos librianos do dia 12 que eu perdi nos últimos dois anos. Parece superstição, bobagem, mas é verdade. Tive problemas com muitas pessoas da mesma data, talvez seja meu ponto fraco.

Devo também ao Leo (o Buddy) a pequena fração de conhecimento nerd (perto da dele, que é imensa) que eu tenho; a aprovação de todos meus textos (e as traduções de Os Mortos-Vivos. Talvez tenha sido ele o primeiro a concordar comigo que trazer o gibi para cá era uma boa ideia, não lembro...), à confiança cega em tudo o que eu propus, aos pequenos complôs que armamos para convencer o Carlos de que, às vezes, a opinião dele não era a certa (o Spider foi muito cabeça-dura no começo, algo que já passou).

Por fim, devo ao Leo um pequeno rancor por ter perdido uma série de matérias que eu escrevi sobre o Batman, que nunca foram publicadas no HQM, e que nunca vão ser. Mas esse é só um detalhezinho, uma cutucada pra tudo ficar um pouco mais leve.

Ao Júlio Anderson (Cadera) e ao Willian Matheus (Will, qual era seu nick mesmo?) eu devo as primeiras amizades naquele fórum da Panini. Vocês dois aceitaram andar com um moleque muito mais novo que vocês e nunca questionaram isso. Por algum tempo eles escreveram no site também, mas a lembrança maior é mesmo a da amizade que até hoje existe – embora muito mais fraca. Ao Rogério de Simone e ao Fábio Inumano, devo o aprendizado de como lidar com sócios.

Andrea Prenholato, a mulher que me ensinou tudo de Sandman, e salvou nossas peles milhões de vezes. A ela, devo as visitas que ela fez à minha casa, e que eu nunca retribuí (Vitória ainda me aguarda). Outra das pessoas que eu perdi contato na vida, foi nossa grande revisora, amiga, conselheira, pau pra toda obra, e também uma espécie de irmã torta pra mim. Ally, volta!

Leandro Damasceno, aquele mineiro safado: a você eu não devo nada, mas confio minha parte dessa sociedade se um dia eu passar dessa pra melhor e você ainda estiver aqui. Seu trabalho hoje é imprescindível para o HQM e à HQM, e é talvez o cara que, junto com o Leo, ainda faz essa engrenagem funcionar.

Dandara Palankof (Scataplof!). A ela eu – e todos nós – devemos o Terry Moore, de Estranhos no Paraíso. A maior contribuição dela não foi para o HQM, mas sim para os quadrinhos no Brasil. Foi ela que, há quase uma década, escancarou o escândalo das revistas piratas da editora anterior, uma grande mudança no mercado editorial. Também devemos a ela o trabalho de babá com o David Lloyd no ano passado, na ocasião do lançamento de Kickback. Me aguarde aí no Recife, Dandara, que nós vamos ao Coquetel Molotov (festival de música) juntos este ano.

Tenho certeza que estou esquecendo de muita gente (e nem quero citar os quadrinistas nacionais que trabalharam conosco, porque este é um texto sobre o site), mas tem muita gente mais que eu quero lembrar, e a esses eu resumo:

Aos leitores, eu e todos nós devemos mais do que nossas vidas. Porque sem vocês nós não chegaríamos a um, dois, cinco e nem a esses dez anos. Não estaríamos vivendo de paixão pelo nosso trabalho, no site ou na editora. Vocês poderiam ter escolhido ser fiéis a tantos outros (os tão importantes parceiros e amigos do Universo HQ, Omelete, Judão, Melhores do Mundo...), mas decidiram se manter conosco em todo esse tempo. A vocês, devo o maior agradecimento que posso dar, um agradecimento que não cabe nessas palavras, nem em todas que eu ainda vou escrever durante a vida que o (e a) HQM ainda tiver.

Vida longa ao HQM! Vida longa à nona arte! Vida longa a todos vocês!

Artur Tavares
Sócio-diretor da HQM Editora


- Essa não é a primeira vez que escrevo um texto sobre o aniversário do HQM, e espero, não será a última. Mas essa é, sem dúvidas, uma data um tanto mais marcante, pois não é um simples aniversário, não - agora estamos completando uma década de existência.

No começo do ano, até brinquei ao notar que muita coisa que começou mais ou menos na mesma época que a gente estava chegando ao fim neste ano: o seriado Smallville, a saga de Harry Potter nos cinemas, outros sites de cultura pop. Diabos, até mesmo o Universo DC como o conhecemos está acabando (de novo)!

Bem, se esperava um tipo de “carta de despedida”, pode parar por aqui, pois então a despedida é para você. Caso contrário, continuemos: dez anos é muito tempo. Mas, como todos sabem, o tempo é relativo. Quando estou escrevendo notícias, revisando uma tradução ou simplesmente lendo algo (muito provavelmente para escrever uma resenha para o site logo depois), o tempo na verdade parece ser curto, passar rápido demais. As vinte e quatro horas do dia nunca parecem o bastante. De repente, numa conversa com algum outro colaborador do site, percebemos que tínhamos abordado certo assunto outro dia, mas esse “outro dia” foi há alguns meses. E aí notamos como o tempo realmente passa sem nos darmos conta. E assim se foram dez anos.

Olhando para trás é até difícil comparar. O grupo mudou: dezenas de pessoas entraram e saíram, muitos foram e voltaram. A qualidade se alterou da mesma maneira: éramos amadores, contávamos muito mais com a empolgação do que com a qualidade. Ainda não sei se é verdade que o tempo a tudo cura, mas não duvido que ele seja um bom professor. 

Quando reli tempos atrás a primeira matéria que escrevi aqui no HQM (que infelizmente foi perdida junto da CPU da época – aliás, foi assim que se foram as matérias do Batman do Artur também), até me envergonhei pela qualidade do texto. Olhar para trás é um ótimo exercício crítico, que só ajuda a melhorar.

E olhar para trás é também uma maneira agradável de animar-se. Sim, sempre aparecem dificuldades que quase fazem tudo ir por água abaixo. O serviço de hospedagem pode entrar em colapso quando o site começa a ter acessos diários demais. A burocracia interminável pode adiar por um ano a abertura da editora. Aquele colaborador amigo pode acabar se afastando para cursar a faculdade, ingressar num novo emprego. Ou o estresse pode simplesmente chegar a um ponto de ruptura.

Mas aí sempre existem também as boas lembranças. As tardes na Comix jogando conversa nerd fora. A alegria de pegar pela primeira vez o volume um de Invencível que acabou de chegar da gráfica. Conhecer durante algum evento aquele cara que já é seu amigo virtual há anos e que só agora “ganha” voz e rosto. Descobrir numa entrevista que o escritor que você acompanhou por tanto tempo é ainda mais gente fina do que você imaginava. Tomar uma cervejinha com o David Lloyd.

É, vale a pena sim.

E espero que valha também para os leitores, tanto os do site quanto os da editora (que já tem um pouco mais da metade da idade do site!).  A maioria de nós começou do mesmo modo: apenas como leitor, até que decidiu se envolver com o mercado. Por isso, desculpem-nos amigos leitores, a quem eu também agradeço, mas os parabéns hoje também vão à nossa equipe de colaboradores, alguns dos quais retornaram ou subiram a bordo há poucos dias. Sem vocês as coisas não seriam as mesmas.

Portanto, parabéns e obrigado a todos os que estão lendo esse texto, e que as portas continuem sempre abertas!

Leonardo Vicente
Sócio-diretor da HQM Editora


- É, dez anos se passaram. Caramba!! Muita coisa já aconteceu por aqui. Quem diria que aquele 19 de agosto de 2001 se tornaria tão longínquo hoje.

Para você, que nos acompanha diariamente, talvez não tenha percebido, porque não deixamos transparecer - ou talvez realmente não se importe - que a vida, fora do HQM, é como a sua aí também. Momentos de intensa felicidade, momentos de angústia, momentos memoráveis, momentos que queremos esquecer.

Nunca fui de falar sobre minha vida pessoal por não ser algo profissional ou ético, no entanto, neste 2011, em que o HQM completa 10 anos de existência, preciso falar um pouco mais e quebrar um pouco dessa barreira.

Este ano foi marcante - um ano que nunca sairá de minha memória. Ano em que, no dia 17 de fevereiro, meu irmão do meio foi morto com um tiro no coração, no caótico trânsito de São Paulo. Ano em que, logo depois disso, meu relacionamento, que já estava em crise, acabou na pior hora possível: logo após o falecimento de meu irmão. Momento em que eu mais precisava de colo, de ser confortado, fui deixado. Graças a Deus que nessas horas podemos contar com os inestimáveis amigos. São coisas da vida, não é mesmo? Por pior que tenha sido o momento, por pior que seja o momento, temos que ter forças para continuar. Sim, é o velho clichê "retroceder nunca, render-se jamais". E isso vale pra todos nós - eu e você. Nunca esmoreça diante das adversidades. 

E claro, depois de todos esses baques da vida, quase que simultâneos, por mais que eu não quisesse, que lutasse contra, a tal depressão me pegou de jeito - em alguns dias, não tive forças para trabalhar, para prosseguir. Atrasei trabalhos, compromissos e tenho corrido atrás do prejuízo, como por exemplo, as seções Nas Bancas e Nas Comic Shops, atrasadas desde a época de tais acontecimentos. Porém, é algo que já está sendo trabalhado para em breve estarem atualizadas novamente com todos os títulos lançados até o momento, para que você volte a fazer sua busca diária de quadrinhos lançados no Brasil, divulgados cronologicamente aqui em nosso portal, como já é de costume nestes 10 anos.

Já na editora, apesar dos pesares, conseguimos fechar o volume 5 de Os Mortos-Vivos, que está à venda desde o mês passado. A série está matadora. Se você ainda não conhece a HQ que deu origem ao seriado The Walking Dead, corra e adquira todos os volumes na Comix. Devido a muitos e insistentes pedidos, decidimos protelar alguns lançamentos que anunciamos para investir pra valer na série, o sexto volume já está sendo trabalhado e deverá sair logo mais. E, até o fim do ano, além do volume 6, teremos também o volume 7, que já está traduzido e entrando em diagramação. Torçamos para que tudo corra conforme o planejado e possamos estar próximos aos lançamentos norte-americanos da HQ.

Não podemos esquecer também que 2011, além de marcar o retorno de Os Mortos-Vivos, marca também a entrada da HQM Editora nas bibliotecas brasileiras, através do PNBE 2011 - o programa do Governo Federal que está levando os quadrinhos para as escolas - que, com muita luta e esforço, tanto da editora quanto dos autores - Nestablo Ramos, de Zoo, e Danilo Beyruth, do Necronauta - conseguimos, juntos, colocar nossas obras à disposição dos estudantes do ensino médio. Tanto nós, quanto os autores, já estamos recebendo largos elogios das duas HQs, que já se encontram nas bibliotecas escolares do país.

Eu e nossa equipe temos muitos outros planos para 2011 e além graças a você, nosso amigo leitor, que nos acompanha nestes 10 anos de existência, na luta em prol dos quadrinhos no Brasil. Temos, sim, a sensação de dever cumprido neste momento, mas queremos, e podemos, fazer muito mais. O mercado de quadrinhos já mudou muito nesta última década e temos certeza de que nosso dedo (ou os nossos dedos, no bom sentido da expressão) estão neste mercado.

Esperamos poder continuar com você por mais 10, 20, 30, 40, 50 anos, por tanto tempo que a evolução tecnológica e a vida nos permitam continuar a fazer por você, amante da nona arte!

Obrigado, Senhor!
Obrigado, leitor!
Obrigado, autor!
Obrigado, amigo!
Obrigado, equipe HQM!

Carlos Costa
Fundador e editor-chefe da HQM Editora

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