MATÉRIAS/REVIEWS
 
  
 
07/10/2008
MATÉRIA: A HISTÓRIA DOS QUADRINHOS NO BRASIL - PARTE 2
 
 
O Globo Juvenil: resposta ao Suplemento de Aizen
 
 
Gibi: sinônimo de HQs no Brasil
 
 
Romance em Quadrinhos
 
 
Os Quatro Fantásticos: Marvel pela RGE
 
 
O Pato Donald #1: a entrada da Abril nos quadrinhos
 
 
Mônica #1: fenômeno editorial de Mauricio de Sousa
 
 
Superaventuras Marvel: Demolidor, Conan e Luke Cage
 
 
 



Na primeira parte desta série de artigos, ficamos sabendo detalhes do início das histórias em quadrinhos no exterior e principalmente no Brasil, afinal este é o tema desta série de matérias. As primeiras publicações e editoras foram analisadas, com atenção especial para a saudosa Ebal. Caso não tenha lido o artigo anterior,
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Roberto Marinho: mais suplementos, RGE e Globo
Na época em que Adolfo Aizen iniciou seu projeto de suplementos de quadrinhos, o jornalista Roberto Marinho, então diretor do jornal O Globo, havia se recusado a encartá-los em seu jornal. Mas ao ver o sucesso editorial que se tornaram as publicações de seu ex-empregado (Aizen era funcionário d´O Globo quando decidiu trazer os suplementos para o Brasil), chamou-o para uma conversa e propôs uma sociedade: o Grande Consórcio de Aizen utilizaria a gráfica do jornal de Marinho para produzir seus suplementos e ambos os editariam juntos, distribuindo-os para diversos outros jornais. Aizen, como era de se esperar, recusou a proposta.

Apesar da recusa, Marinho decidiu que editaria seus suplementos sozinho. Apenas algumas semanas depois, em 12 de junho de 1937, era lançado O Globo Juvenil. As histórias trazidas pela revista não eram ainda conhecidas pelo público, mas possuíam qualidade. Eram títulos como Ferdinando, Brucutu, Zé Mulambo, As Aventuras de Patsy e o pioneiro Os sobrinhos do Capitão (que antes foi chamado de O Capitão e os Meninos). A semelhança com seu mais forte concorrente terminava no nome: ao contrário do Suplemento Juvenil, 100% do material da revista de Marinho era importado. Uma curiosidade era que, no início da publicação, seu editor era uma jovem promessa do jornalismo carioca: Nelson Rodrigues.

Já em 1939, novamente seguindo os bem-sucedidos passos de Adolfo Aizen (que acabara de lançar a revista Mirim, publicando vários heróis já vistos em outras revistas, mas com formato inovador), Roberto Marinho lançava o Gibi; o termo acabaria por tornar-se sinônimo de histórias em quadrinhos no Brasil. E este não seria o primeiro duro golpe que ele daria em seu concorrente: pelas costas de Aizen, Marinho conseguiu adquirir os direitos de todos os personagens publicados pelo Suplemento Juvenil. Com algumas outras edições de mesmo título, mas com periodicidades diferentes, Marinho abriu caminho para a expansão de seus negócios como um todo.

Marinho continuaria publicando seus gibis sem grandes alterações em sua linha editorial até que, em 1955, fundou a Rio Gráfica Editora, ou simplesmente RGE. Parte das Organizações Globo, a editora não pôde ter o mesmo nome que as outras afiliadas das Organizações pelo fato de uma outra editora, situada no Rio Grande do Sul, já ter registrado o nome Globo. Até então mantendo em seu quadro artistas brasileiros apenas para a produção de capas e alteração de cenas consideradas pesadas, Marinho novamente copia uma idéia de Aizen: as adaptações de obras literárias. Então, em abril de 1956, chega às bancas Romance em Quadrinhos, seguida por outras adaptações de filmes e programas de rádio e TV.

Publicando durante as décadas seguintes seus títulos clássicos, além de outras revistas como Tex, Fantasma e Mandrake, a RGE, aproveitando o declínio da Ebal, adquiriu os direitos de alguns dos heróis da Marvel, como Homem-Aranha, Hulk e Os Quatro Fantásticos (Quarteto Fantástico), lançando revistas com os nomes destes personagens. Além disso, publicou outros super-heróis em revistas como Almanaque Marvel, Almanaque Premiére Marvel e Super-Heróis Marvel; em suas páginas, personagens como os X-Men e a Mulher-Aranha. Esta empreitada foi prejudicada pelo fato de a editora não ter os direitos de todos os personagens da casa: a Editora Abril publicava diversos outros personagens da “Casa das Idéias” (como a Marvel é conhecida) e acabou por mais tarde adquirir os direitos totais dos personagens.

Somente em 1986 as Organizações Globo conseguiram adquirir a Editora Globo, do RS, e fundi-la à RGE; no ano seguinte, como se fosse o troco pela perda dos direitos dos personagens da Marvel Comics, Mauricio de Sousa, criador da Turma da Mônica, troca a Editora Abril pela Globo, onde permaneceu até dezembro de 2006.

Civita entra na briga
Fundado em 1950, o Grupo Abril tornou-se uma das maiores empresas de comunicação não só do Brasil como de toda a América Latina. E como diria seu fundador, o italiano naturalizado brasileiro Victor Civita, tudo por causa de um pato. No caso, o Pato Donald, personagem de Walt Disney, que estrelou a primeira revista lançada pelo grupo quando este se chamava apenas Editora Abril e possuía meia dúzia de funcionários.

Perguntando-se por que não existia um pólo editorial em São Paulo como havia no Rio de Janeiro, Civita chegou ao Brasil em 1949 para montar com o irmão César, que vivia na Argentina, era proprietário da Editorial Abril e havia sido sócio de Adolfo Aizen no lançamento da revista Seleções Coloridas. Justamente por seu irmão ser distribuidor dos direitos de vários personagens Disney na América Latina, Civita resolveu começar seu empreendimento lançando uma história em quadrinhos.

Mas na verdade, O Pato Donald foi a primeira revista da Editora Abril de forma honorária: Civita havia antes tentado a sorte com uma revista de faroeste e ficção científica chamada Raio Vermelho, que misturava quadrinhos com fotoaventuras (como eram chamadas as fotonovelas dirigidas aos homens); a publicação não vingou e, dois meses depois, era lançado o primeiro número de O Pato Donald, cujo formato havia sido copiado da editora italiana Mondadori. A revista seguinte, estrelando o personagem mais famoso de Disney, Mickey, saiu dois anos depois.

A Abril continuou crescendo, editando publicações em diversos segmentos, mas as histórias em quadrinhos continuaram a ser um dos carros-chefe da empresa. A família Disney aumentava e, em 1961 mais um personagem ganhou revista própria: Zé Carioca. O malandro papagaio, que já havia aparecido na capa de O Pato Donald #1, teve algumas de suas primeiras histórias decalcadas de outros personagens, como Mickey e do próprio Donald, pois o material estrangeiro estrelado pelo Zé não era tão farto. Isso fez com que o personagem ficasse descaracterizado.

A solução para o problema demorou, mas chegou: a partir de 1972, uma equipe de redatores e desenhistas foi contratada para produzir integralmente as histórias do Zé Carioca. O visual do personagem foi reformulado e suas histórias passaram a ser ambientadas no Rio de Janeiro. Pela redação da editora, que depois começou a produzir histórias made in Brazil de outros personagens Disney, passaram nomes como Álvaro de Moya (hoje um dos maiores especialistas em quadrinhos do país), Waldyr Igayara e Primaggio Mantovi, além de argumentistas como Ivan Saidenberg, Julio de Andrade e Arthur Faria Jr.

Mas a Abril faria uma de suas mais valiosas aquisições no mundo dos quadrinhos ainda um pouco antes disso, no ano de 1970. Foi quando a editora firmou uma parceria com o cartunista Mauricio de Sousa, que produzia tiras de para diversos jornais do país, para a publicação de revistas com seus personagens. A primeira foi Mônica, seguida, dois anos depois, pelo gibi do Cebolinha. Nos anos seguintes, Chico BentoCascão também ganharam títulos próprios. A Abril foi a casa dos personagens de Mauricio até o fim de 1986, quando eles passaram a ser publicados pela Editora Globo.

Ampliando mais ainda seu leque de HQs, a Abril adquiriu em 1979 os direitos de seus primeiros personagens de super-herói, da Marvel Comics: Capitão América, Demolidor, Vingadores e Surfista Prateado, entre outros, eram publicados em revistas como Heróis da TV (gibi homônimo que em sua primeira versão trazia clássicos da Hanna-Barbera) e Superaventuras Marvel. Em 1983, terminou por adquirir os direitos de todo o catálogo da Marvel, bem como o da DC Comics, e tornou-se a maior editora de quadrinhos do país, até 2002, quando a editora Panini, que já licenciava a Marvel para a Abril, resolveu tomar as rédeas dos personagens, logo depois conquistando também os direitos da DC.

A Abril foi, aos poucos, cancelando seus poucos títulos de super-herói restantes (como Spawn, cria dos anos 1990, da Image Comics), bem como suas HQs Disney: apenas algumas sobrevivem nas bancas. Apesar disso, a editora vem publicando uma luxuosa coleção com a obra completa de Carl Barks.

Os magos do quadrinho infantil
Dois nomes ficarão para sempre marcados na história das HQs brasileiras como os maiores criadores de personagens infantis: Ziraldo e Mauricio de Sousa. Ambos trouxeram para nós personagens que resistiram ao tempo e, publicados até hoje, fizeram a alegria de várias gerações de leitores e já fazem parte do imaginário popular nacional.

Ziraldo Alves Pinto, nascido em 24 de outubro de 1932, em Caratinga, Minas Gerais, começou a trabalhar como cartunista com colaborações mensais para a revista Era Uma Vez. Mas é para o jornal A Folha de Minas (que coincidentemente foi o primeiro a publicar um desenho seu, quando ele tinha seis anos), em 1954, que ele viria a produzir suas primeiras histórias de humor, em uma página.

Seus próximos trabalhos foram para a revista A Cigarra e O Cruzeiro, em 1957. Começa a colaborar com o Jornal do Brasil, onde até hoje publica uma tira diária, em 1963. Foi neste jornal que ele criou personagens antológicos, como Jeremias, O Bom. Recheado de crítica social, o personagem, que personificava a gentileza e a abnegação em prol do próximo, teve várias de suas tiras censuradas pelo regime militar. Problema corrigido pela editora Melhoramentos, que lançou recentemente uma coletânea de Jeremias.

Criou também a dominadora, cuidadosa e fervorosa Supermãe; trabalhou para as revistas Visão e Fairplay, e produziu cartazes para filmes brasileiros como Os Fuzis, Os Cafajestes, Selva Trágica, Os Mendigos. Mas ainda no início da década de 1960 é que ele viria a realizar seu maior sonho: produzir uma revista em quadrinhos de um autor só. Foi quando surgiu A Turma do Pererê.

Era uma história em quadrinhos que transpirava brasilidade, desde o traço do cartunista, que se apresentava livre de influências estrangeiras, como em seu panteão de personagens. Começando, claro, pelo próprio Pererê, encarnação de um dos mais conhecidos mitos de nosso folclore, passando pelos coadjuvantes: um índio e sua namorada (Tininim e Tuiuiú), uma onça e um caçador de onças (Galileu e Compadre Tonico), um coelho (Geraldinho), um macaco (Allan), e muitos outros. Os temas de suas histórias também refletiam superstições e costumes das brincadeiras de nossas crianças. A Turma do Pererê teve 43 números, entre 1960 e 1964, voltando em 1975 pela Editora Abril.

Em 1973, três álbuns foram lançados pela Editora Primor, reeditando algumas das melhores histórias da Turma do Pererê. Foi quando elas passaram a fazer parte de vários livros didáticos publicados no país, como uma forma de apresentar o folclore nacional para crianças em idade escolar. Pouco antes, em 1969, Ziraldo escreveu seu primeiro livro infantil, FLICTS, a história de uma cor que procura seu lugar no mundo.

Mas foi em 1980 que ele criaria seu personagem mais famoso: O Menino Maluquinho. Surgido em um livro infantil, que deu a Ziraldo o Prêmio Jabuti de melhor autor infantil, as histórias do esperto e irrequieto garoto foram adaptadas para o teatro, cinema e, logicamente, os quadrinhos, onde ganhou diversos coadjuvantes, como Julieta e Bocão. Hoje, a Editora Globo publica vários álbuns de HQs de Pererê, Maluquinho e seus amigos, e, até pouco tempo atrás, editava também uma linha de HQs deste último, voltada para as bancas.

Já Mauricio de Sousa, natural de Santa Isabel e nascido em 27 de outubro de 1935, começou a trabalhar como desenhista produzindo cartazes e ilustrações para rádios e jornais de Mogi das Cruzes, onde morava na época (meados de 1950). Mas sua carreira decolou após ser contratado pela Folha de S. Paulo: Mauricio pleiteara uma vaga de desenhista no jornal, mas acabou empregado como repórter policial. Mas ele não desistiu e, em 1959, o jornal aprovava sua primeira tira: o cãozinho Bidu.

O cartunista continuou criando personagens: Cebolinha, o garoto que troca o “r” pelo “l”, em 1960; o homem das cavernas Piteco, em 1961; o sujinho Cascão, o caipira Chico Bento, o redondo Astronauta e o filosófico dinossauro Horácio, em 1963; o fantasma Penadinho, em 1964; a forçuda Mônica, que viria a se tornar sua principal personagem, em 1965; o traquinas Nico Demo, em 1966 (abandonado por Maurício tempos depois); e o elefante Jotalhão, em 1967. Mas o universo de Mauricio é ainda maior, visto que muitos destes personagens, como Penadinho, possuem um “núcleo” próprio, e deram origem a diversos outros coadjuvantes.

Depois de fundar os Estúdios Mauricio de Sousa, o cartunista passou a trabalhar no mesmo esquema em que as tiras norte-americanas eram produzidas: os syndicates associavam os autores, que produziam as tiras, e depois as revendiam para jornais. A diferença é que Mauricio contratou profissionais para trabalharem exclusivamente com os personagens criados por ele. Com a formação de uma equipe de profissionais, Mauricio passou a dedicar-se à produção apenas de histórias do Horácio.

Em pouco tempo, suas tiras já eram distribuídas para mais de 200 jornais em todo o país e ele pôde partir para o passo seguinte: o lançamento de revistas mensais. Em 1970, foi lançada a primeira revista da Mônica, seguida por outros personagens. Ao longo dos 17 anos que passou na Abril, Mauricio foi pavimentando seu império, e ampliou seus estúdios para fundar a Mauricio de Sousa Produções, licenciando seus personagens para estampar diversos produtos. Foi quando em 1987 trocou a Abril pela Editora Globo, ex-RGE, que lhe propôs um aumento substancial em suas tiragens. Na mesma época, a MSP produziu alguns longas em animação da Turma da Mônica para o cinema.

Ao longo dos 20 anos em que seus personagens foram publicados não só em revistas, que marcaram época pela inventividade de suas histórias (como no uso da metalinguagem), pela Editora Globo, mas também na continuação de suas tiras de jornal, a MSP produziu vários outros desenhos (desta vez para o mercado de home vídeo), licenciou um sem número de produtos (bonecos, doces e biscoitos, artigos escolares, vídeogames, etc.) e levou a Turma da Mônica para diversos países, de EUA, Dinamarca e Alemanha, até Japão e Indonésia. Em 1993, criou o Parque da Mônica, em São Paulo (que gerou inclusive um gibi homônimo); o parque também teve instalações em Curitiba e no Rio de Janeiro, mas que acabaram fechando em 2000 e 2005.

Vários outros personagens continuaram sendo criados por Mauricio em sua passagem pela Globo, alguns baseados, como os clássicos, em seus filhos (como a desenhista Marina, o fanático por meteorologia Nimbus e o do contra... Do Contra!), outros numa tentativa de apoiar a inclusão social (a deficiente visual Dorinha e o cadeirante Luca, apelidado carinhosamente pela turminha de Da Roda).

E os negócios também vão bem, obrigado: recentemente uma série de animação foi exibida pelo canal a cabo Cartoon Network, além de novas investidas no cinema (a mais recente sendo Uma Aventura no Tempo) e um contrato para a publicação de seus gibis com a editora multinacional Panini Comics, que já havia tomado os super-heróis da Abril. No carnaval paulista do ano passado, Mauricio e seus personagens foram homenageados pela escola de samba Unidos da Peruche. 

Na Panini, além dos diversos títulos em bancas, indo do mais simples ao mais luxuoso, inclusive resgatando materiais clássicos, como reedição de revistas originais e coletâneas de tiras, foi lançado o mais novo sucesso do estúdio: a Turma da Mônica Jovem, onde a carismática turminha ganhou uma nova roupagem, com traço em estilo mangá, lembrando os quadrinhos japoneses.


Na última parte:
O Pasquim, Henfil, o movimento underground, o amadurecimento dos super-heróis, as graphic novels e muito mais. 

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A Turma da Mônica Jovem
 
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