MATÉRIAS/REVIEWS
 
  
 
29/07/2008
MATÉRIA: CORINGA - O PALHAÇO DO CRIME - PARTE 3
 
 
A Piada Mortal: a história definitiva do Palhaço do Crime
 
 
Jack Nicholson caracterizado como Coringa
 
 
O Coringa animated - arte de Bruce Timm
 
 
Louco Amor: Coringa às voltas com a Arlequina
 
 
Coringa em um momento ´intimo´ com o Batman - arte de Dave McKean
 
 
Robin vol.2 #2: Coringa jura de morte o Menino-Prodígio
 
 
Legends of Dark Knight #65: o Coringa volta a ser uma pessoa normal
 
 
Last Laugh #2: o Coringa espalha o Terror pelo Universo DC
 



“Palhaços podem ser engraçados, mas não há nada de engraçado em encontrar-se com um à meia-noite”.
Lon Chaney, ator.

Não é que nós voltamos? A carreira do Coringa (Joker) foi o tema de nossos dois últimos encontros, e falar sobre o Palhaço do Crime rendeu assunto. Na primeira parte dessa série de artigos (caso não tenha lido esse artigo clique aqui) relembramos a controversa origem editorial do personagem e um pouco do que foi feito com ele entre os anos quarenta e sessenta; na segunda parte (clique aqui caso não a tenha lido) adentramos nos anos setenta e oitenta e resgatamos algumas estrepolias cometidas pelo sorridente criminoso nesse período, em especial aquela que foi concebida pelo roteirista Steve Englehart, e por fim mostramos a polêmica participação que o vilão teve na hoje histórica minissérie O Cavaleiro das Trevas.

Não esgotamos o tema “Coringa” nessas duas primeiras partes, e como ainda tem muita coisa a ser dita sobre o maior inimigo do Batman, convidamos a nossa audiência a ler a terceira e última parte dessa série de artigos, onde iremos ver o que aconteceu com o Coringa do final dos anos oitenta até os dias de hoje. Gostariam de nos acompanhar? Se a resposta for “sim”, venham conosco!

:: A Piada Mortal
Juntamente com Watchmen (outra maravilhosa minissérie publicada em 1986), O Cavaleiro das Trevas marcou o início de uma nova era para os quadrinhos americanos, uma era onde os heróis passaram a ser tão cínicos e violentos quanto os vilões, e os vilões... Bem, os vilões começaram a ter suas maldades elevadas a patamares mais altos. Esse era um cenário mais do que perfeito para o Coringa, e em 1988 a DC Comics tirou proveito desse momento lançando a graphic novel A Piada Mortal (The Killing Joke), estrelada pelo arquiinimigo do Homem-Morcego.

A criação de A Piada Mortal começou quando os editores da DC Comics perguntaram ao desenhista britânico Brian Bolland (na época um dos favoritos dos fãs graças ao sucesso obtido com a minissérie Camelot 3000) com qual personagem da editora ele gostaria de desenvolver um projeto especial. Bolland sempre teve um fraco pelo Coringa, e propôs ao corpo editorial da DC uma graphic novel estrelada pelo Palhaço do Crime e escrita por Alan Moore, roteirista que naquele período havia obtido o respeito da critica e dos fãs graças ao seu trabalho na série mensal Swamp Thing (Monstro do Pântano) e em Watchmen. Assim que recebeu sinal verde dos editores, Bolland entrou em contato com Moore e deixou-o completamente à vontade para bolar e escrever a história da maneira que achasse melhor.

Lançada em meados de 1988, A Piada Mortal começa com o Coringa fugindo do Asilo Arkham tendo em mente mais um plano insano para ser posto em prática. A idéia do Palhaço do Crime era provar que apenas “um dia ruim” o separa das assim consideradas pessoas normais... E não havia melhor individuo onde essa estranha teoria poderia ser posta em prática que o Comissário James Gordon, policial que sempre foi um dos mais importantes aliados do Homem-Morcego. Dito isso, o sorridente criminoso seqüestrou o Comissário Gordon, e não contente apenas com isso, ele disparou um tiro de revólver na coluna cervical de Barbara Gordon (filha do Comissário Gordon, mais conhecida na época como a super-heróina Batgirl), deixando-a irremediavelmente paralítica.

O primeiro passo para enlouquecer Gordon havia sido dado... O segundo passo foi levar o velho policial para um parque de diversões abandonado e aplicar-lhe diversas torturas psicológicas. Cabia ao Cavaleiro das Trevas resgatar o seu amigo do jugo do Palhaço do Crime e enfrentar as seguintes questões: é “normal” um sujeito se fantasiar de morcego e sair por aí a cata de bandidos? O que o tornava diferente do Coringa? O Cavaleiro das Trevas não seria tão insano quanto o seu maior adversário? Justamente em cima dessas perguntas A Piada Mortal é desenvolvida, mas a graphic novel não se restringiu apenas a isso...

Na primeira parte desse artigo, comentamos que a origem do Palhaço do Crime sempre foi envolta em mistérios, e apenas uma parte dela foi contada na história “The Man Behind the Red Hood” (O Homem Por Trás do Capuz Vermelho), publicada em 1951 no gibi Detective Comics #168. Tomando por base “The Man Behind the Red Hood”, Moore aproveitou A Piada Mortal para recontar através de flashbacks essa história, acrescentando novos e instigantes elementos à origem do personagem. Na versão de Moore, o Coringa era um químico desempregado que tentava levantar uma grana para sustentar a esposa grávida fazendo apresentações humorísticas (sempre mal-sucedidas) em night clubs. Tal situação estava levando o frustrado humorista (Moore não revelou seu verdadeiro nome, mantendo o mistério sobre a verdadeira identidade do Coringa) ao desespero, quando repentinamente surgiu uma solução para os seus problemas financeiros.

Tal solução era uma proposta feita por um bando criminoso, que pretendia assaltar a indústria química onde o humorista havia trabalhado no passado. Se ele ajudasse no assalto seria uma moleza entrar na indústria, já que ele a conhecia, disseram os criminosos... E ele não precisava se preocupar em ser reconhecido, já que durante a ação ele se disfarçaria de Capuz Vermelho, um ladrão que naquele momento aterrorizava Gotham City. O humorista inicialmente relutou em aceitar a proposta, porém ao tomar conhecimento do falecimento da esposa em um acidente industrial, ele topou participar da empreitada criminosa... No fim das contas, ele não tinha nada a perder mesmo. Daí em diante a versão de Moore é praticamente idêntica a apresentada em Detective Comics #168.

A Piada Mortal é considerada por críticos e fãs a história definitiva do Palhaço do Crime, e passados vinte anos de sua publicação original, os autores da obra têm suas opiniões pessoais sobre o resultado final da mesma. Alan Moore – hoje considerado um dos maiores escritores de quadrinhos de todos os tempos – acha que A Piada Mortal está longe de ser o seu melhor trabalho, e costumeiramente afirma que a única coisa que realmente vale a pena na graphic novel é a brilhante arte de Brian Bolland. Por outro lado, Bolland nunca se cansa de elogiar o roteiro de Moore, e quando perguntado sobre de onde veio a inspiração para a sua concepção visual do Coringa – concepção que era ao mesmo tempo terrivelmente caricatural e absurdamente realista – o artista alega que seu objetivo ao desenhar o Palhaço do Crime foi tentar fazer uma amálgama das visões artísticas que no passado os desenhistas Jerry Robinson, Dick Sprang e Neal Adams haviam dado ao personagem.

A única coisa que realmente desagradou Bolland durante a publicação original da história foi o trabalho de colorização de John Higgins, tanto que na republicação que a graphic novel ganha este ano nos EUA o desenhista refez as cores em partes da história, priorizando os tons de cinza, especialmente nos flashbacks que recontam a origem do Coringa. Em terras brasileiras A Piada Mortal foi originalmente publicada pela Editora Abril em 1988, e a sua última republicação por aqui rolou na coletânea Grandes Clássicos DC #9: Alan Moore, lançada em 2006 pela Panini Comics. 

Apesar de sua qualidade e importância, A Piada Mortal não foi o grande evento quadrinistico que marcou o ano de 1988. Nesse mesmo ano houve uma outra história que agitou de maneira significativa as hostes de fãs do Homem-Morcego, e somente para “variar” tal aventura contou com a participação decisiva do vilão de eterno sorriso no rosto. Já ouviram falar do arco de histórias chamado “Morte em Família” (A Death in the Family)?

:: Morte em Família
No final dos anos oitenta, Jason Todd – o órfão que havia substituído Dick Grayson no papel de Robin – era odiado pelos fãs. Essa foi a “deixa” para no final de 1988 e início de 1989 a DC Comics publicar nos gibis Batman #426 a Batman #429 a saga “Morte em Família”, que tinha como foco justamente a busca de Jason por sua desaparecida mãe. Publicada no Brasil pela primeira vez pela Editora Abril no final de 1989 na revista DC Especial #1, escrita por Jim Starlin e desenhada por Jim Aparo, no transcorrer dessa história Jason encontrou sua mãe, todavia havia três “coisinhas” com as quais ele não contava.

A primeira era a associação criminosa que no passado sua querida mãezinha teve com o Coringa; a segunda era a súbita aparição do Palhaço do Crime, que passou a chantagear a mãe de Jason; e a terceira era a linha telefônica que a DC Comics disponibilizou para os fãs, onde eles poderiam responder “sim” ou “não” para a seguinte questão: Jason Todd deve ser morto pelo Coringa? A votação telefônica sobre o destino final do segundo Robin agitou os fãs, e o resultado final dela foi óbvio: por uma larga margem, mais de dez mil leitores decidiram que o novo Menino-Prodígio deveria ser executado pelo Coringa, e isso aconteceu em Batman #428.

Vendo em retrospecto essa história, é fácil concluir que o desfecho dela nada mais foi que um sintoma do “desejo de sangue” que marcava os quadrinhos americanos naquele período, e uma de suas conseqüências foi que a morte de Jason Todd permeou todos os confrontos entre o Batman e o Coringa que foram publicados nos anos noventa, tornando-os, digamos assim, mais “pessoais”. Outra conseqüência foi que em Batman #436 o adolescente Timothy “Tim” Drake entrou na vida do Homem-Morcego e se tornou o terceiro jovem a vestir o manto do Menino-Prodígio. Todavia, Jason Todd realmente morreu?

Denny O’Neill
uma vez declarou que Jason Todd estava definitivamente morto e enterrado, e que trazê-lo de volta à vida seria um enorme desleixo da parte da DC Comics. Mas como no Mundo Encantado dos Quadrinhos tudo é relativo, em 2005 o segundo Menino-Prodígio renasceu dos mortos na saga Batman: Under the Hood (Por trás da Máscara, publicada no Brasil em 2006 na revista mensal Batman, da Panini Comics), usando a identidade de Capuz Vermelho (que era usada pelo Coringa antes do acidente que o desfigurou) e tocando o terror em Gotham City.

Após a conclusão de Under the Hood, Jason Todd virou uma espécie de anti-herói no Universo DC, e entre 2007 e 2008 ele foi largamente utilizado pelos roteiristas da editora, principalmente na minissérie Contagem Regressiva e seu derivado Countdown Presents: The Search for Ray Palmer. Mas nesse momento vamos deixar de lado o Mundo da Nona Arte, já que em 1989 o Cavaleiro das Trevas fez um “passeio” pelo Mundo da Sétima Arte através de uma adaptação cinematográfica dedicada a ele. E nesse passeio, como sempre ele foi acompanhado pelo Palhaço Crime, é claro.

:: O Coringa de Jack Nicholson
Havia em Hollywood muita gente interessada em fazer com o Batman a mesma coisa que foi feita com o Superman em 1978, ou seja, dar-lhe uma adaptação cinematográfica de grande orçamento, com atores de classe e roteiro maduro, de preferência o mais distante possível das galhofas que existiam no antigo seriado dos anos sessenta. Após vários anos de idas e vindas, a Warner Bros. liberou a luz verde para o projeto, e em 1989 as salas de cinema receberam o longa-metragem Batman – O Filme, dirigido por Tim Burton e contando com Michael Keaton no papel-titulo e Jack Nicholson interpretando o Coringa.

Quando os produtores anunciaram que Burton iria dirigir o filme e Michael Keaton interpretaria o Homem-Morcego, uma certa polêmica se instalou entre os fãs, já que no final dos anos oitenta Burton estava longe de ser o diretor consagrado que é nos dias de hoje e Keaton... Bem, Keaton era um baixinho de físico pouco avantajado e meio calvo! Entretanto, quando foi anunciado que o papel do Palhaço do Crime ficaria a cargo de Jack Nicholson todo mundo abriu um sorriso de orelha a orelha.

Também pudera... Considerado um dos maiores atores americanos de todos os tempos, Nicholson iniciou sua carreira trabalhando em filmes B do diretor Roger Corman, e despontou para o estrelato no final nos anos sessenta com o filme Easy Rider – Sem Destino. Daí em diante Nicholson especializou-se em interpretar tipos marginais ou ensandecidos, o que o tornava mais do que perfeito para dar vida ao Coringa.

Desde o início, Nicholson sempre foi um dos favoritos dos produtores para o papel, tanto que em 1986 ele foi um dos primeiros atores convidados a participar do filme. Não se fazendo de rogado ele aceitou o papel, e como pagamento pelo trabalho recebeu um salário astronômico e percentuais sobre a futura bilheteria do filme. Mas aí a nossa audiência perguntará se Nicholson fez jus a honorários tão altos. Bem, ele fez jus, sim... E como!

No filme Nicholson interpreta Jack Napier, um assassino da máfia de Gotham City que ao ser acuado pelo Batman durante uma operação criminosa em uma indústria química acaba caindo em um tanque de resíduos industriais. Esse acidente deixou algumas seqüelas em Napier, entre as quais a pele esbranquiçada, os cabelos verdes e um eterno sorriso no rosto, e a sua psicopatia – que já era latente – elevou-se a níveis radicalmente perigosos para aqueles que estavam à sua volta. Completamente transtornado após o acidente e inspirado no curinga do baralho, Napier decidiu se transformar no Coringa e se tornar o novo chefe do crime em Gotham City, só que no meio do caminho ele novamente encontrou o Cavaleiro das Trevas, e justamente em cima desse conflito o roteiro do filme foi montado.

Batman – o Filme estreou em 23 de junho de 1989 e teve uma boa recepção da critica e ótima aceitação por parte do público, e o trabalho de Nicholson interpretando o Palhaço do Crime foi elogiado por todos. Houve restrições quanto ao fato dos roteiristas mostrarem Napier como o assassino dos pais de Bruce Wayne (algo completamente diferente da mitologia do Homem-Morcego nos quadrinhos), mas tirando esse pequeno revés, a interpretação do veterano ator foi tão bem sucedida que além de indicações para o prêmio de melhor ator no Globo de Ouro e no Bafta (o Oscar do cinema britânico), o Coringa de Nicholson foi arrolado pelo American Film Institut (organização dedicada a manter e celebrar a memória do cinema americano) entre os cinqüenta maiores vilões da história do cinema americano, na quadragésima-quinta posição.

O sucesso de Batman – O Filme motivou a produção de três continuações (uma pior que a outra) e um pequeno “filhote” da película surgiu nas televisões americanas em 1992. Tal “filhote” era o desenho animado Batman – A Série Animada e, como sempre, o Coringa foi atrás do seu arquiinimigo nessa nova adaptação.

:: Um Coringa cheio de animação
Entre todos os personagens da DC Comics, o Batman é o recordista em aparições em desenhos animados. Tudo começou em 1968 com The Batman/Superman Show – produzido pelo estúdio Filmation – e continuou pelos anos setenta, com as séries Batman with Robin the Boy Wonder (também produzida pela Filmation) e Superamigos (Superfriends), produção concebida pela Hanna-Barbera que além do Homem-Morcego trazia também uma enorme plêiade de personagens da DC Comics.

Vistos com os olhos de hoje todos esses desenhos são ingênuos, e a caracterização do Cavaleiro das Trevas sempre beirava o infantil. Se um dos mais famosos heróis dos quadrinhos era representado dessa maneira, o que foi feito com o Coringa? Bem, obviamente ele seguiu os passos do seu arquiinimigo, e se tem algo dessa época que somos obrigados a lembrar é que o Palhaço do Crime juntamente com o Pingüim enfrentou a Dupla Dinâmica e a Turma do Scooby-Doo nos episódios “The Dynamic Scooby-Doo Affair” e "The Caped Crusader Caper" da série animada Os Novos Filmes do Scooby-Doo, episódios esses que no Brasil foram batizados com o nome “Scooby-Doo Encontra Batman e Robin".

Outro fato interessante é que em Superamigos (indiscutivelmente o mais famoso desenho animado envolvendo heróis da DC) as aparições do Coringa ficaram restritas a poucos episódios, com destaque para um chamado “The Wild Cards”, e muito provavelmente isso aconteceu porque os produtores dessa série animada não estavam muito a fim de se arriscar com um personagem de caráter tão controverso quanto o Palhaço do Crime em uma produção voltada para o público infantil.

Pois é, estava realmente faltando uma adaptação “de responsa“ do Batman para o Mundo da Animação, e na esteira do sucesso da série cinematográfica, ela surgiu em 1992 quando estreou o desenho animado Batman – A Série Animada (Batman – The Animated Series). Produzida pela Warner Bros. e comandada por Bruce Timm, Paul Dini, Alan Burnett e Eric Radomski, essa série surgiu de um mix de influências que incluíam o filme do Batman dirigido por Tim Burton, o desenho animado do Superman dos Estúdios Fleischer e HQs clássicas do Homem-Morcego. Essa animação foi tão bem sucedida do ponto de vista artístico e comercial que no seu rastro novas produções surgiram como Superman – A Série Animada (Superman – The Animated Series), Batman do Futuro (Batman Beyond), Super Shock (Static Shock), Projeto Zeta (Zeta Project), Liga da Justiça (Justice League) e Liga da Justiça sem Limites (Justice League Unlimited), sendo que usualmente os fãs gostam de agrupá-las sobre o termo DC Animated Universe, uma vez que todas elas foram desenvolvidas pela mesma equipe de animadores e roteiristas e compartilham uma cronologia comum.

A animação de primeiríssima qualidade, a trilha sonora arrojada, os roteiros bem elaborados e uma ótima equipe de dubladores fizeram a fama de todos esses desenhos que citamos acima, e já que acabamos de falar de dublagem, quem vocês acham que teve a responsabilidade de “emprestar” a voz para a versão animada do Coringa que apareceu em todas essas produções? Bem, essa tarefa coube a ninguém mais ninguém menos que a Mark Hamill!

Para os membros da nossa audiência que estiveram fora do planeta Terra nos últimos trinta anos é bom explicarmos que no final dos anos setenta e inicio dos oitenta Hamill obteve fama mundial ao interpretar o herói Luke Skywalker na primeira trilogia da série cinematográfica Star Wars. Infelizmente essa fama não se traduziu em bons papéis para ele nos anos oitenta, e o seu destino acabou sendo emprestar sua voz para personagens em desenhos animados praticamente desprovidos de qualquer repercussão. Esse mesmo destino voltou a sorrir-lhe quando ele foi convidado para dublar um vilão secundário em um dos episódios de Batman – A Série Animada. Fã de longa data dos gibis do Homem-Morcego e do antigo seriado televisivo dos anos sessenta, Hamill ficou tão impressionado com a qualidade do roteiro que dublou que se ofereceu para trabalhar de maneira fixa para a série.

Inicialmente o papel do Coringa estava reservado para Tim Curry (protagonista do hoje clássico The Rocky Horror Picture Show), porém, como os produtores não estavam satisfeitos com o trabalho dele, o pedido de Hamill foi levado em conta, e o eterno Luke Skywallker fez alguns testes interpretando o Palhaço do Crime. E aí, ao escutarem a gargalhada de Hamill durante esses testes, os produtores se entreolharam e simplesmente falaram: “Esse é o nosso Palhaço!”.

Aprovado para o papel, Hamill buscou inspiração em Cesar Romero (ator que interpretou o Palhaço do Crime no seriado live-action dos anos sessenta) para dar vida ao personagem, e não contente apenas com isso, ele também usou como referência na composição do vilão o psicopata Hannibal Lecter (principal personagem do filme O Silêncio dos Inocentes) e o humorista Jerry Lewis. O resultado do esforço de Hamill foi uma voz histriônica que soava aterradora e sinistra quando necessário, e a enxurrada de críticas positivas para o seu trabalho demonstra que ele foi extremamente bem sucedido em sua interpretação do Coringa.

Hoje Hamill está tão identificado com o Palhaço do Crime que quando participa de convenções de quadrinhos ou cinema é comum o público pedir para ele duas coisas: posar para fotos ao lado de alguma memorabilia de Star Wars e fazer imitações do Coringa! Quando Batman – A Série Animada chegou no Brasil a voz do Palhaço do Crime ficou a cargo do grande dublador Darcy Pedrosa (especializado em dublar os atores Gene Hackman e Jack Nicholson). Talvez Pedrosa não soasse tão galhofeiro quanto Hamill, mas seu belo timbre vocal conferiu ao personagem um charme deliciosamente elegante e canalha, e infelizmente o seu falecimento em 1999 (devido a um endema pulmonar) interrompeu esse magnífico trabalho, que foi continuado pelos atores José Sant´anna, Isaac Schneider e Carlos Silveira.

O Coringa participou de vinte e sete episódios televisivos e de duas produções lançadas em home video do DC Animated Universe, e algumas dessas aparições são antológicas, como em “Os Peixes Risonhos” (The Laughing Fish), episódio de Batman – A Série Animada inspirado na história homônima escrita por Steve Englehart nos anos setenta. Outro momento marcante do Palhaço do Crime aconteceu em Liga da Justiça, quando ele encurralou a maior equipe de heróis do mundo em um sinistro reality show realizado em Las Vegas no episódio duplo “Cartas Marcadas” (Wild Cards), mas talvez o momento mais marcante – e polêmico – do Palhaço do Crime tenha ocorrido no desenho produzido diretamente para DVD Batman do Futuro: O Retorno do Coringa (Batman Beyond: Return of the Joker).

Para quem não conhece, Batman do Futuro é uma série passada em um futuro distante onde o jovem Terry McGinnis leva adiante o legado do Homem-Morcego, contando com os conselhos de um Bruce Wayne aposentado e envelhecido. Bem, o longa de animação baseado nessa série obviamente trata sobre o retorno do Coringa após ele ter sido dado como morto vários anos atrás, e até aí não teria nada de mais nisso, só que ao assistirem  o desenho animado pronto, os executivos da Warner Bros. ficaram escandalizados com o suposto “excesso de violência” que havia na animação, e exigiram uma série de modificações e cortes no longa, entre eles o de uma cena onde a morte do Coringa era mostrada com direito a sangue escorrendo da boca do vilão. Os cortes e modificações foram feitos, mas nem mesmo esse triste fato impediu O Retorno do Coringa de trazer uma das melhores aparições que o Palhaço do Crime já teve no Mundo da Animação.

O DC Animated Universe foi um sucesso, isso já falamos aqui. O que não falamos é que tal sucesso influenciou os quadrinhos, e algumas situações e personagens vistos nas animações passaram a fazer parte dos gibis da DC Comics. Entre esses personagens havia uma certa mocinha chamada Arlequina (Harley Quinn), e é sobre ela que iremos falar agora!

:: Meu Pudinzinho
Ajudante, parceira de crime, amante e eventual empregada doméstica do Palhaço do Crime, a bela Arlequina está sempre a postos para atender as vontades do seu amado Coringa, e sua devoção ao criminoso chega a tal ponto que ela só chama o sorridente vilão de “Senhor Coringa”, “Senhor C.” ou – pior ainda – “Pudim” ou “Pudinzinho”. Mas de onde surgiu tanta submissão?

Tudo começou quando a jovem psiquiatra Harleen Quinzel foi fazer residência no Asilo Arkham e a direção da instituição deu à ela a responsabilidade de tratar o mais perigoso e risonho bandido de Gotham City. Durante o tratamento, o Coringa contou à Dra. Quinzel que na infância apanhava do pai, da mãe, do tio, da vovó, do vovô, dos amiguinhos da escola e que na vida adulta tomava pancada das namoradas, da mulher, do patrão... Em suma, segundo o Palhaço do Crime, os abusos que sofreu durante toda a sua vida eram os responsáveis pela sua condição mental.

A Dra. Quinzel ficou com pena do pobre palhaço, e rapidamente essa piedade evoluiu para uma ensandecida paixão, e nós sabemos que as pessoas apaixonadas são capazes de cometer as maiores loucuras... Como libertar um perigoso homicida da prisão, se aliar a ele e, vestindo um traje de arlequim, assumir a identidade criminosa de Arlequina!

Arlequina estreou no episódio “Um Favor para o Coringa” (Joker’s Favor) da animação Batman – A Série Animada, e a intenção inicial dos produtores era encerrar por ali a participação da simpática vilã no show televisivo. Todavia, assim que os encarregados pela série assistiram pela primeira vez “Um Favor para o Coringa”, eles logo perceberam que estavam diante de uma personagem que fazia o contraponto humorístico perfeito para o sinistro Palhaço do Crime. Devido a isso, a adorável Dra. Quinzel ganhou mais algumas chances na série animada, e estabeleceu tanta empatia com os telespectadores que rapidamente tornou-se uma personagem recorrente durante todo o transcorrer dessa série. Mas de onde surgiu a idéia maluca de conferir ao Palhaço do Crime uma ajudante?

A inspiração para essa idéia é Arleen Sorkin, uma atriz que durante os anos oitenta trabalhou na novela televisa Days of your Lifes. Em uma cena de Days of your Lifes, Sorkin apareceu fantasiada de boba da corte, e tomando tal cena por base, o produtor e roteirista Paul Dini (que é amigo pessoal de Sorkin) elaborou a Arlequina, incorporando à personagem os trejeitos e maneirismos da atriz. Diante de tal homenagem, não restou a Arleen Sorkin outra opção senão dublar a vilãzinha inspirada nela, e o trabalho da atriz indiscutivelmente foi um dos elementos que ajudou a Arlequina a se consolidar como um dos personagens favoritos dos fãs. Aqui em terras brasileiras a voz da assistente do Coringa ficou a cargo de Iara Riça, que de maneira competente soube dosar a doçura e psicopatia inerentes a Arlequina.

Pois é, um resultado direto do sucesso da Arlequina junto ao público foi a sua estréia no Mundo Encantado dos Quadrinhos em 1994, através da graphic novel Louco Amor (Mad Love, publicada no Brasil pela Editora Abril em duas partes nos gibis Batman – O Desenho da TV #14 e 15 e pela Opera Graphica em 2002 em edição especial homônima). Ambientada no DC Animated Universe, essa história escrita por Paul Dini e desenhada por Bruce Timm mostrou em detalhes tanto a origem da vilã quanto o seu complicado relacionamento com o “pudinzinho”. Devido à sua imensa qualidade, Louco Amor foi agraciada com o Eisner Awards (o Oscar dos quadrinhos americanos) de Melhor História Simples, e posteriormente, em 1999, Timm e Dini a adaptaram para o Mundo da Animação, na forma de um episódio de Batman – A Série Animada.

A estréia da namoradinha do Coringa na cronologia oficial dos quadrinhos ocorreu em 1999 através da edição especial Batman: Harley Quinn (publicada no Brasil em Batman Premium #4, 2000, Editora Abril), e em 2000 ela foi presenteada com uma série regular mensal que durou apenas trinta e oito edições. Não que isso tenha significado o fim da linha para ela, é claro. De tempos em tempos a Arlequina dá a caras nos gibis com o propósito de atormentar o Homem-Morcego e conquistar de vez o coração do seu “pudinzinho”, embora atualmente esteja tentando se regenerar. Enquanto malucos como o cineasta e nerdmaster Kevin Smith continuarem batizando suas filhas com o nome Harley Quinn, ainda ouviremos falar muito da namorada do Coringa!

Mais do que uma parceira de crime, Arlequina acabou sendo uma prova de que o Coringa realmente “gosta” de mulher, a despeito de certos “boatos” que rolam por aí e que foram “injustamente” propagados por Frank Miller. O que “lamentamos” é que tais “boatos injuriosos” foram amplificados graças à graphic novel Asilo Arkham – Uma Séria Casa em Um Sério Mundo (Arkham Asylum – A Serious House in a Serious Earth), e justamente sobre essa fantástica história iremos falar agora!

:: Uma Séria Casa em Um Sério Mundo
Desde que estreou oficialmente em 1974 no gibi Batman #258 (em uma história envolvendo o Duas-Caras), o Asilo Arkham tem sido o hospital psiquiátrico onde quase todos os inimigos do Batman são trancafiados após serem derrotados. Nos anos subseqüentes à sua estréia, esse estranho manicômio foi ganhando cada vez mais importância junto aos fãs e roteiristas do Homem-Morcego, até chegar o momento em que se fazia necessário elaborar a história definitiva sobre a origem da “residência oficial” do Coringa e de tantos outros criminosos malucos que assolavam Gotham City. A elaboração de tal história ficou a cargo do escritor escocês Grant Morrison e do ilustrador inglês Dave McKean, e assim que foi lançada no final de 1989, a graphic novel atiçou tanto os fãs quanto a critica especializada, gerando acaloradas polêmicas. Mas que polêmicas foram essas?

Em Asilo Arkham – Uma Séria Casa em Um Sério Mundo os internos do mais perigoso hospital psiquiátrico do Universo DC se rebelam, apossando-se tanto do prédio onde funciona o manicômio quanto dos funcionários que lá trabalham. Em troca da vida dos reféns, os internos do Arkham exigem que Batman se entregue a eles, e assim que o Cavaleiro das Trevas adentra a instituição, sucedem-se uma série de perigosos jogos psicológicos, cujo desfecho pode acabar com a vida ou com a sanidade do Defensor de Gotham. Até aí a nossa audiência dirá que aparentemente não há nada de mais nessa história, só que a controvérsia começa logo no inicio da graphic novel, assim que o Batman passa pelos portões do Asilo Arkham...

Esperando ele estava o Coringa, e a recepção que o Palhaço do Crime concedeu ao seu arquiinimigo foi, digamos assim, bem “íntima” e “calorosa”... Já que ele apalpou as nádegas do Homem-Morcego e ainda por cima perguntou ao seu adversário se o Menino-Prodígio já estava começando a depilar as pernas! Provavelmente parte da nossa audiência achará que o fato de o Coringa apertar o “bumbum” do Batman por si só é algo deveras chocante, todavia a intenção de Grant Morrison era fazer algo um pouquinho mais ultrajante, já que no roteiro original da obra e nos esboços feitos por Dave McKean, o Coringa recepcionava o Batman vestido com um “adorável” corpete e calçando sapatos femininos de salto alto, um tipo de visual muito próximo àquele que era usado pela famosa (e sempre polêmica) cantora Madonna no final dos anos oitenta.

No instante em que souberam que a intenção de Morrison era retratar o Coringa de forma semelhante à cantora de “Like a Virgin”, os executivos da Time-Warner (conglomerado de mídia do qual a DC Comics faz parte, hoje chamado AOL-Time-Warner) decidiram acabar com a alegria do escritor, vetando qualquer possibilidade nesse sentido. Afinal de contas, Madonna (que por acaso era contratada da Warner Records) e Coringa juntos era confusão demais para qualquer conglomerado de mídia contornar...

A polêmica em relação a Asilo Arkham não se restringiu apenas à abordagem homoerótica conferida ao Coringa. Muita gente considera a narrativa surrealista carregada de simbolismos que permeiam a graphic novel confusa; por outro lado uma igual quantidade de pessoas considera tal tipo de narrativa o maior trunfo da história. Outro elemento interessante da obra é o perfil psicológico que Morrison traçou para o Palhaço do Crime, explorando a possibilidade de ele não ser um doente mental, e sim um portador de “supersanidade”, uma estranha modificação da percepção humana que seria responsável pelas suas oscilações de humor, fazendo com que em um momento ele seja um assassino cruel, e em outro apenas um bufão quase inofensivo.

As mais de 500.000 cópias vendidas em seu lançamento original e as constantes republicações mostram que, apesar de todas as polêmicas, Asilo Arkham tornou-se uma das mais importantes histórias do Homem-Morcego de todos os tempos, e aqui no Brasil a sua última publicação ocorreu em 2003, pela Panini Comics. Pena que as histórias que a sucederam nos anos noventa não atingiram a mesma repercussão...

:: Dos Anos Noventa em diante

Nos anos noventa, supostamente os quadrinhos americanos de super-heróis ganharam maturidade e profundidade, todavia isso não se refletiu nos gráficos de vendas, já que tirando um ou outro grande blockbuster, a venda de gibis atingiu níveis baixíssimos. Alguns especialistas creditam tal queda ao surgimento de novas mídias como os videogames e a internet, porém uma análise simples demonstra que talvez os próprios quadrinhos fossem os culpados por essa situação.

Histórias que priorizavam a arte em detrimento do roteiro, sagas que se estendiam por dezenas de edições e aumento nos preços dos gibis não são exatamente um grande chamariz para atrair novos leitores, e tal cenário atingiu inclusive personagens que outrora eram campeões de vendas, como o Batman. Entretanto, mesmo nessa situação algumas importantes histórias envolvendo o Coringa foram publicadas, e entre elas podemos citar a minissérie em quatro partes Robin vol.2 (publicada no Brasil em 1992 pela Editora Abril em duas edições), onde o escritor Chuck Dixon e o desenhista Tom Lyle obrigaram Tim Drake a enfrentar sozinho o algoz do seu antecessor.

Em 1994, após um súbito desaparecimento do Cavaleiro das Trevas, o Coringa aparentemente curou-se da sua loucura no arco de histórias “De Volta à Sanidade” (Going Sane), publicada entre a sexagésima-quinta e sexagésima-oitava edições do gibi Legends of the Dark Knight, escrito por J.M DeMatteis e desenhado por Joe Staton e lançado aqui no Brasil pela Editora Abril em 1995 no formato de minissérie em quatro partes. Em 1996 o Coringa foi condenado à morte por um crime que não cometeu na graphic novel escrita por Chuck Dixon e desenhada por Grahan Nolan que foi batizada com o título Coringa – O Advogado do Diabo (Joker: Devil’s Advocate, publicada aqui pela Editora Abril no final de 1997), e sobrou para o Cavaleiro das Trevas a inglória missão de inocentar o seu arquiinimigo.

Obviamente o vilão se livrou da pena de morte, mas no final de 2001 ele não conseguiu escapar de um mortífero câncer no cérebro, que o motivou a se despedir da vida em grande estilo, espalhando o terror por todo o Universo DC na minissérie em seis partes Joker – The Last Laugh (A Última Gargalhada, inédita no Brasil), que se estendeu por outras revistas publicadas pela DC Comics e que foi escrita por Chuck Dixon e desenhada por vários artistas. Naturalmente nem passou pela cabeça dos editores da DC Comics matar um de seus melhores vilões, e no final dessa saga milagrosamente o vilão ficou curado (com uma explicação das mais estapafúrdias)...

Em 2004 coube ao roteirista Ed Brubaker e ao artista Doug Mahnke recontarem para uma nova geração de fãs o primeiro encontro entre o Homem-Morcego e o Palhaço do Crime através da graphic novel Batman – O Homem que Ri (Batman – The Man Who Laughs), lançada no Brasil em 2005 pela Panini Comics. Aliás, 2005 foi um ano marcante para o defensor de Gotham City, já nesse ano as salas de cinema foram tomadas de assalto pelo filme Batman Begins.

Essa produção cinematográfica dirigida por Christopher Nolan e protagonizada por Christian Bale teve uma bilheteria espetacular, todavia o seu maior mérito foi trazer uma visão sombria e realista do Homem-Morcego. A cena final do filme – na qual o Tenente Gordon entrega para Batman uma misteriosa carta de baralho – deixava claro que uma continuação estava a caminho, e deixava também muito claro que o Coringa seria o próximo adversário do herói. Imediatamente após o lançamento de Batman Begins iniciou-se a especulação em torno de quem interpretaria o Palhaço do Crime, e diversos atores foram cogitados para o papel. Sean Penn, Vincent Cassel, Crispin Glover e até mesmo Mark Hamill estavam entre as possibilidades aventadas pelos fãs, entretanto surpreendentemente o papel do vilão coube a Heath Ledger.

Nascido em 1979 na Austrália, Ledger iniciou sua carreira em produções televisivas locais até despontar para o sucesso mundial nos filmes O Patriota (The Patriot) e Coração de Cavaleiro (A Knight’s Tale). Muito bem-apessoado, a primeira impressão que Ledger passava era a de ser apenas mais um entre os tantos rostinhos bonitos que povoam Hollywood, porém o seu trabalho como um atormentado guarda prisional em A Última Ceia (Monster’s Ball) e como um caubói homossexual no premiado O Segredo de Brokeback Mountain (Brokeback Mountain) mostraram para o público que Ledger era um ator dedicado e talentoso e que os seus predicados não se restringiam somente à sua beleza física.

Segundo várias informações veiculadas pela imprensa, ao aceitar o papel do Palhaço do Crime, Ledger colocou à prova a sua dedicação, já que a sua preparação para o papel incluiu leituras maciças de gibis do Coringa, aulas de ventriloquismo (com o propósito de modular melhor a voz do personagem) e a feitura de um diário onde ele dava vazão para os mais insanos pensamentos que supostamente o Coringa poderia ter, como achar a aids uma coisa engraçada.

Batizado com o título Batman – O Cavaleiro das Trevas (Batman – The Dark Knight), as primeiras imagens e trailers do novo filme do Homem-Morcego demonstraram que a dedicação de Ledger aparentemente trouxe frutos, já que nunca antes o Coringa foi mostrado de forma tão ameaçadora e sinistra, e um fato lamentável é que infelizmente o jovem ator não pôde desfrutar de todos os elogios que recebeu, já que no final de janeiro de 2008 a ingestão acidental de uma dose excessiva de medicamentos o fez abandonar para sempre o nosso convívio. Entretanto, colegas de profissão que trabalharam com ele no filme e jornalistas que já assistiram à película (quando este artigo foi concebido o filme ainda não havia chegado aos cinemas) garantiram de imediato que o Coringa interpretado por Ledger está à altura das maiores atuações registradas no cinema americano, e que não seria nada improvável que uma indicação póstuma ao Oscar de melhor ator fosse concedida ao falecido ator australiano.

No dia 18 de julho Batman – O Cavaleiro das Trevas foi mundialmente lançado, e conhecemos em toda a sua plenitude o Coringa segundo Heath Ledger, e a visão de Ledger se uniu às outras que foram criadas durante os quase setenta anos de vida do personagem. Um quase inofensivo bufão, um assassino frio e impiedoso, um psicopata com um gosto especial por assassinatos requintados, um artífice de crimes tão insanos quanto a sua psiquê, o Coringa foi de tudo um pouco nos quadrinhos, cinema e animação, e enquanto o Batman continuar defendendo as ruas de Gotham City, fatalmente à meia-noite ele sempre encontrará o mais mortífero palhaço de todos os tempos!

:: Hora de Agradecer

Escrever qualquer coisa sobre o Coringa não é fácil, e infelizmente não pudemos disponibilizar aqui todas as informações existentes sobre o maior inimigo do Cavaleiro das Trevas, o que nos obriga a pedir desculpas para a nossa audiência. Entretanto, esperamos que aqueles que nos acompanham tenham gostado dessa série de artigos, e tornamos público o fato de que não haveria a menor possibilidade desse artigo ser escrito ou publicado se o autor dessas mal traçadas linhas não tivesse tido a ajuda de pessoas que sabem tudo e um pouco mais sobre quadrinhos.

Por isso, cabe a nós agradecermos aos nossos editores do HQ Maniacs, que como sempre de maneira generosa viabilizaram a publicação dessa matéria; cabe a nós registrarmos aqui um enorme “obrigado” para os fãs Alex Costa Maciel, Antônio Luiz Ribeiro e José Salles, que nos forneceram informações vitais sobre o Palhaço do Crime; e, principalmente, cabe a nós humildemente agradecermos a você, que pacientemente dedicou seu tempo à árdua e muitas vezes chata leitura desse rascunho sobre a vida e a obra do maior inimigo do Batman. Obrigado a todos! E, por favor, continuem acessando diariamente o HQ Maniacs!


Brodie Bruce, também conhecido como Claudio Roberto Basilio.

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