MATÉRIAS/REVIEWS
 
  
 
07/02/2007
MATÉRIA: WITCHBLADE: A BELA OU A FERA?
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 



Em julho de 2006, Witchblade chegou à 100ª edição nos Estados Unidos e, pouco depois, no mês de dezembro, o título mensal da personagem voltou a ser publicado no Brasil na forma de uma edição especial (Witchblade: Caça às Bruxas), além do primeiro volume da série clássica, que também já está nas bancas.

Lá nos EUA, Witchblade conseguiu consolidar toda a base da Top Cow. A série foi o primeiro título com o selo da editora de Marc Silvestri (Uncanny X-Men, Wolverine), que assumiu o cargo de Presidente Executivo. Por um ano inteiro, num total de 10 edições, o sucesso da detetive Sara Pezzini garantiu sozinho vida à Top Cow.

Porém, aqui no Brasil, as primeiras tentativas de publicar Witchblade foram um tanto quanto frustradas. Primeiro, a Editora Globo lançou as oito primeiras edições como uma mini-série, numa tentativa de testar o mercado, e parou por aí.  Em seguida, a Abril assumiu a publicação, zerando a numeração e fazendo Sara Pezzini dividir a revista com Jackie Estacado, o Darkness que, nos EUA, debutou em Witchblade #10. Surgia então a revista The Darkness & Witchblade.

A idéia de reunir os dois personagens era sensata, pois já se sabia que os dois estariam sempre muito próximos. A revista deu conta de seu próprio universo e cronologia, e dessa forma, conquistou os fãs.

Essa idéia de inter-relação culminou, na edição #9, em Laços de Família, um crossover entre os personagens. O arco serviu para vários propósitos, alguns deles americanos e outros brasileiros. O principal foi juntar o (então jovem) talento de Michael Turner ao talento veterano de Marc Silvestri, alternando-os na arte de cada edição. Outro propósito foi exclusivo para leitores brasileiros, pois o arco, auto-explicativo, eliminou diversas dúvidas sobre Sara e a Witchblade que poderiam pairar na cabeça de um leitor que embarcou somente na publicação da Abril.

Tudo corria bem para os leitores e fãs de Witchblade até que a Abril, por qualquer razão, começou a boicotar a personagem em sua própria revista. A partir da edição #18, as capas eram exclusivamente do título The Darkness. Logo em seguida, até o logotipo da personagem começou a desaparecer das capas. Coincidentemente ou não, Michael Turner havia abandonado o título na edição #17.Seu substituto, Randy Green, não tinha o mesmo apelo.

Veio então a edição #24, que deixou um gancho fenomenal para a próxima: o maior vilão da série retornava, era o fim de uma era e o começo de outra no título... ou não. A edição #25 trazia apenas a edição correspondente a The Darkness #25, com o dobro de páginas e um edital sinistro se despedindo dos personagens. Era o fim de Darkness & Witchblade no Brasil.

Entretanto, nos EUA, as coisas se mantiveram na média. Se Randy Green não era o superstar Michael Turner, pelo menos conseguia manter um nível razoável, afinal, a roteirista continuava sendo Christina Z, co-autora das 32 edições anteriores. A partir daqui, o conteúdo é inédito no Brasil.

Randy Green e Christina Z perduraram até a edição #39, com uma intervenção de Billy Tan (Marvel Knights: Spider-Man) na edição #36, que novamente colocava Jackie Estacado no caminho de Sara Pezzini. A fase de Green narrou o retorno de Kenneth Irons, primeiro vilão da série, e de seu guarda-costas Ian Nottingham, ambos interessados em ter a Witchblade. A relação entre Sara e Nottingham por vezes cruzou a linha da inimizade para se tornar algo tão ou mais passional. Porém, o interesse de Nottingham na Witchblade sempre os afastava de algo mais concreto.

O time criativo que assumiu a seguir tinha Paul Jenkins no roteiro e Keu Cha na arte. A abordagem do título mudou completamente com Jenkins. Da edição #40 até a edição #49, a série deixou um pouco de lado a abordagem mística e mergulhou em mistérios com pouca coisa de sobrenatural, embora a Witchblade sempre estivesse em foco. Crimes inexplicáveis e bizarros, e a arte extremamente detalhista de Keu Cha deram um novo rumo para o título, mas o mantiveram interessante, talvez até mais que antes. Embora Ken Irons, Ian Nottingham e a maioria dos personagens iniciais tenham ficado em terceiro ou quarto plano, Jenkins introduziu alguns outros que serviram a seus propósitos na série. No final dessa fase, Jenkins estava fazendo uma verdadeira revolução em todo o universo da Top Cow, do mesmo jeito que Ron Marz fez e está fazendo após a edição #100. Naquela época, a edição #50 estava muito próxima.

Essa marca foi motivo de comemoração e também de grandes revelações. Ian Nottingham reapareceu com uma manopla semelhante à Witchblade e colocou a responsabilidade de impedir o fim do mundo em Sara e em si próprio. A explicação veio logo depois, contando a origem dessa nova arma de Ian. Para não estragar as surpresas, vamos dizer apenas que se trata de uma variação da Witchblade, que escolhe apenas hospedeiros homens. Ian sentiu a manifestação da arma desde o final do arco em que Sara retoma a Witchblade dele à força (publicado no Brasil em Darkness & Witchblade #17).

Ambos salvam o universo do colapso, Nottingham torna-se mais aliado do que vilão e Keu Cha dá adeus à série. Esse é o balanço das 50 primeiras edições. Cabe aqui dizer que a revolução que Jenkins havia planejado foi por água abaixo. Algumas mini-séries surgiram nesse momento cronológico e esboçaram um mega-evento, envolvendo todas as treze entidades de poder do universo Top Cow. No entanto, apenas algumas mini-séries foram completadas e, por exemplo, Inferno: Hellbound, não tem conclusão até hoje.

As edições #51 e 52 são fill-ins (histórias fechadas), a clássica calmaria entre duas tempestades. Jenkins e Brian Ching contam uma história de detetive sem muitas repercursões, apenas aparando as pontas soltas. Na edição #53, Jenkins e Ching dividem a edição com a nova equipe criativa formada por David Wohl (co-criador da personagem) e Francis Manapul.

A nova equipe criativa, a princípio, seria responsável pelas edições #54 até a 65, mas a dupla foi o motivo pelo qual Witchblade alavancou novamente as vendas. Não se via nada parecido em números desde que Michael Turner havia deixado a série. Francis Manapul imprimiu um estilo sensacional no universo de Witchblade e David Wohl mostrou qual fora seu papel na criação da personagem. Ambos pareciam conhecer Sara e os leitores muito bem, trabalhando à exaustão a dualidade de Ian Nottingham e a corrupção de sua bondade pelo poder da sua versão da arma mística. Também mostraram o senso de oportunismo de Ken Irons, que viu nisso uma chance de voltar ao cenário.

Na edição #60, a equipe colocou Lara Croft no caminho de Sara novamente (já haviam sido publicados, inclusive no Brasil, dois crossovers entre as personagens). A edição #60 faz parte de um arco em três partes, Endgame, que envolve Tomb Raider #25 e Evo #1.

Depois de salvar a musa dos games, Sara se encontrou com outra personagem, Madalena. Criada nas páginas de The Darkness e com duas mini-séries, a personagem cruzou o caminho da Witchblade num arco que envolve conspirações da Igreja e um clã de paranormais e que dura até a edição #65.

David Wohl e Francis Manapul tiraram duas edições de folga para se prepararem para o que estava por vir. A Top Cow convidou então dois nomes que estavam em alta no mercado para contribuirem com a série. Ironicamente, um deles é atualmente um dos roteiristas mais odiados e o outro, um dos mais enaltecidos. São eles Chuck Austen e Geoff Johns, que assumiram os roteiros das edições #66 e 67, respectivamente.

Wohl e Manapul voltaram para ficar até a edição #75 e fizeram um pré-aquecimento com um arco em duas partes, bem no estilo Stephen King, nas edições #68 e 69, onde Sara se depara com uma jovem pedindo carona na estrada. Aos poucos, Sara se comove com a história da menina e acaba caíndo nas garras dos pais dela, místicos milenares que praticam sacrifícios humanos para manter suas vidas eternas.

Na edição #70 comecou o arco Death Pool, que exigiu a contribuição dos fãs para compor o roteiro. Foi criada uma narrativa vertiginosa em seis partes. Em cada edição dois personagens deveriam ser salvos através de uma votação online. O arco trazia Ian Nottingham, insano e com sede de sangue, espalhando destruição por onde passava. A única pessoa que poderia pará-lo era Sara Pezzini. O embate final, na edição #75, é entre Sara e Ian. Sara não só vence, como re-anexa a arma de Ian à Witchblade, alegando que a arma nada mais é do que uma fração da Witchblade que resistiu no corpo de Ian há dezenas de edições atrás.

A partir da edição #76, o universo de Witchblade sofre nova transformação, tanto visual quanto conceitual, e mais alguns fill-ins ganham tempo para uma nova equipe regular desenvolver o próximo grande evento.

As edições #76 e 77 são de Troy Hickman, e mostram brevemente uma candidata melhor que Sara para empunhar a Witchblade. As edições #78 e 79 trazem Tony Daniel (Teen Titans) na arte, com uma história remetendo a personagens criados por Jenkins (frutos de uma das mini-séries da época da edição #50 de Witchblade) e com um clima de propaganda para a mini-série Humankind, do próprio Daniel, publicada pela Top Cow na época.

A partir da edição #80, os leitores brasileiros já podem conferir nas bancas. O encadernado Witchblade: Caça às Bruxas, de Ron Marz e Michael Choi eleva a personagem a um novo patamar. A regularidade espetacular de Marz se mantém até hoje, na edição #103 de Witchblade, com agradáveis surpresas, entre elas, a desenhista brasileira Adriana Melo. Além de Caça às Bruxas, também já está disponível o primeiro volume da série clássica, compilando a mini-série publicada no Brasil pela Editora Globo. O próximo volume das histórias clássicas deverá trazer o encontro entre Witchblade e Darkness. Também para breve, a Panini promete Witchblade: Obakemono, uma aventura que se passa no Japão feudal.

Além dos quadrinhos, Witchblade também ganhou uma série de tevê que durou somente duas temporadas, trazendo a atriz Yancy Butler no papel de Sara Pezzini. Recentemente, Witchblade ganhou um animê (animação japonesa) produzido pelo estúdio Gonzo e uma versão em mangá produzida pela Bandai Entertainment, mas em ambos, Sara não é a portadora da arma mística. Porém, nestas versões, suas “rivais” não deixam nada a desejar, pois também abusam da sensualidade, como a bela heroína da Top Cow.

  facebook


 


 

Seções
HQ Maniacs
Redes Sociais
HQ Maniacs - Todas as marcas e denominações comerciais apresentadas neste site são registradas e/ou de propriedade de seus respectivos titulares e estão sendo usadas somente para divulgação. :: HQ Maniacs - fundado em 19.08.2001 :: Brasil