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25/01/2007
 
ENTREVISTA: BECKY CLOONAN
Por : Felipe Duarte
 

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Becky Cloonan
 
 
Capa de American Virgin - arte de Joshua Middleton
 
 
Demo, com Brian Wood
 
 
Capa de American Virgin - arte de Frank Quitely
 
 
Conquest: roteiro e arte de Becky Cloonan
 
 
Dracula, por Gary Reed e Becky Cloonan
 
 
East Coast Rising
 
 
Jennie One: mais um trabalho com Brian Wood
 



Artista de origem italiana, criada nos Estados Unidos, Becky Cloonan, 26 anos, passa seu tempo procurando manuscritos originais de H.P. Lovecraft e outras antiguidades raras em sebos pelo mundo. Quando tomamos coragem para pedir uma entrevista à menina, ela estava de partida para a Grécia, mas disse que em algumas semanas enviaria as respostas. Não tardou e tínhamos uma longa e exclusiva entrevista com uma das mais simpáticas e promissoras quadrinistas da atualidade.

Conheçam melhor o gosto e as idéias da desenhista de Demo, American Virgin, East Coast Rising, entre outros.


Primeiramente, fale um pouco sobre você. Como descobriu os quadrinhos?
Becky Cloonan:
Como a maioria das crianças, eu amava as tiras que vinham com os jornais dominicais. Calvin e Haroldo foi a primeira que eu realmente me amarrei. Meu pai lia para mim Surfista Prateado e Quarteto Fantástico, então esse tipo de coisa fez com que eu gostasse de quadrinhos. Nunca parei pra pensar porque amo tanto os quadrinhos, só sei que sempre gostei.

Tem algum autor ou título favorito? O que você tem lido?
Becky: É difícil ter apenas um favorito, então vou dizer alguns: The Escapists, Pirates of Coney Island, Civil War, BPRD, Blade: A Lâmina do Imortal, e muitos outros que eu poderia dizer. Eu pego a maioria dos quadrinhos da Marvel, e na verdade, tento ir a comic shops toda semana pra conferir as novidades. Eu normalmente amo qualquer coisa que tenha o nome Brian K. Vaughan estampado. Ele é um escritor maravilhoso (sua passagem no Doutor Estranho é muito fofa), e eu realmente amo a narrativa e a arte de Guy Davis. Ross Campbell é brilhante em fazer seus personagens interagirem. Fábio Moon e Gabriel Bá têm estilos muito diferentes, mas ambos trabalham muito bem quando estão juntos; é ridiculamente inspirador. Amy Ganter compõe as mais fáceis leituras de quadrinhos por aí, e seu noivo, Kazu Kibuisji, é como um deus dos quadrinhos, e não sei como ele o faz. Eu poderia parar um dia inteiro e listar artistas que admiro, então vou parar por aqui.

Não é difícil notar alguma influência de mangá em seus desenhos. É intencional? Quais outras influências você tem?
Becky: Quando passei a levar mais a sério o ato de desenhar quadrinhos, estava lendo mais quadrinhos japoneses, então provavelmente eles têm muito a ver com como minha arte é hoje. Muito disso porque são diversas as garotas que desenham quadrinhos no Japão, e me fizeram pensar “se elas podem, eu posso”, e então pensei em fazer carreira com os quadrinhos. Antes disso eu apenas lia super-heróis e não percebia que havia todo um mercado que poderia me aceitar. Por outro lado, não acho que seja intencional, tento fazer com que meu trabalho não se pareça intencionalmente com o trabalho de outra pessoa. Apenas desenho como gosto e isso é o que tem acontecido, para o bem ou para o mal!

Qual é seu método de trabalho?
Becky: Não tenho um método, eu acho. Eu faço um boneco de cada página e depois desenho, finalizo e faço qualquer trabalho necessário no computador. Não tenho nenhum ritual estranho ou uma técnica específica. Na verdade, fico frustrada quando desenho. Talvez seja meu método, ficar sempre louca com as artes que faço!

Como veio o convite para trabalhar em Demo? Como foi trabalhar com Brian Wood? O que acha que a indústria pode esperar dele?
Becky: Brian e eu trabalhamos juntos em uma pequena graphic novel chamada Jennie One, então, quando ele me propôs Demo pareceu para mim uma decisão natural. Após Demo decidimos tirar algum tempo e trabalharmos em projetos separados, mas espero fazer mais histórias junto com ele no futuro. Estou realmente interessada em seu título Northlanders, que sairá pela Vertigo. 

O primeiro encadernado de American Virgin acabou de sair, como o público está reagindo à série? Como é trabalhar em um título da Vertigo e trabalhar com Steven Seagle?
Becky: Quando eu comecei American Virgin, tive um tremendo pavor. Trabalhar com a Vertigo até agora tem sido uma viagem! Eu realmente agradeço a oportunidade por trabalhar com eles e com Steven T. Seagle, que está fazendo um trabalho fantástico nos roteiros da série. E, acredite se quiser, não sei realmente como as pessoas estão reagindo à série. Eu apenas desenho o título! ha ha! Tive um retorno muito positivo, e muitas pessoas estão me dizendo que suas esposas, ou namoradas, ou irmãs, que não liam quadrinhos estão adorando American Virgin, então essa é uma boa notícia. Não posso querer muito mais que isso.

Os números cresceram, mas as mulheres ainda são minoria na indústria, tanto fazendo como lendo quadrinhos. Na sua opinião algo tem que mudar? Como você se sente em relação a como as mulheres normalmente são mostradas nos quadrinhos?
Becky: Acho que vamos ver o número de mulheres trabalhando com quadrinhos aumentar fortemente nos próximos anos. Ser a minoria na indústria não é uma coisa legal. Eu nunca fui barrada por nenhum teto de vidro nem nunca passei por algum tipo de sexismo. Acho que o tempo irá consertar a lacuna sexista. Há muitas garotas lendo quadrinhos atualmente, mais do que quando eu era uma criança. Pense o que mais dez anos farão!

Enquanto as mulheres forem mostradas nos quadrinhos do jeito que são, acho que apenas será um reflexo de como as mulheres são vistas na cultura popular em geral, e estou falando de quadrinhos de todo o mundo, incluindo Ásia e Europa, não apenas o mainstream dos quadrinhos americanos. Mas, por outro lado, para cada mulher posando de fio dental, haverá um equilíbrio com homens idiotas correndo por aí em colantes, então diria que há algo muito errado em como os homens se vêem nos quadrinhos também. Talvez apenas precisemos repensar como vemos a espécie humana na mídia, não?

Se tivesse total liberdade, qual seria seu trabalho dos sonhos? Com quem trabalharia e o que faria?
Becky: Quando eu era muito jovem, fantasiava que eu seria uma paleontóloga cavando ossos de dinossauro no Deserto de Gobi. Agora acho que meu trabalho dos sonhos ainda seriam os quadrinhos! Provavelmente teria uma agenda menos apertada, uma que me deixasse com mais férias e tempo para viagens. Eu tenho muita sorte por estar vivendo o sonho que tinha quando era criança.

Tem algum futuro projeto que quer nos contar?
Becky:
Tenho alguns projetos que estou planejando no momento, o mais excitante é uma história de ficção científica e ação, que provavelmente poderei comentar mais adiante neste ano. Estou colaborando nisto com Vasilis Lolos, um incrível artista e escritor, e temos muito trabalho preliminar já feito. Como já fazemos dois títulos cada no momento, este terá que esperar. Ainda está indefinido, mas estou muito empolgada.

É muito diferente trabalhar em um quadrinho independente e na Vertigo? Se sim, quais as diferenças?
Becky: Sinto muito mais pressão trabalhando para a Vertigo. Como sei que será melhor distribuído, tento fazer a narrativa a mais clara possível. Quando estou trabalhando independentemente, me sinto muito mais livre para experimentar mais a minha arte e meu jeito de contar histórias.

Adaptar o Drácula de Bram Stoker foi um desafio especial? Quais as mudanças em termos de estilo e composição?
Becky: Foi um projeto interessante, e definitivamente valioso para mim. A consistência foi o primeiro ponto que surgiu na minha cabeça, algo com que eu nunca tinha me preocupado antes, porque tinha trabalhado apenas em pequenas histórias anteriormente. Foi muito importante para mim, especialmente com East Coast Rising  surgindo no horizonte. A segunda parte mais difícil desse título (que foi trabalho de Gary Reed), foi adaptar um enorme romance em uma graphic novel de 130 páginas, com cinco ou menos painéis por página. Foi confuso! Acho que a adaptação faz um ótimo apanhado do romance, e foi ótimo trabalhar nessa notável história. Se eu pudesse fazer uma adaptação verdadeira, precisaria de umas 400 ou mais páginas de quadrinhos para percorrer toda a história. É por isso que acho que os quadrinhos são muito corridos. Em American Virgin, por outro lado, tento manter meus layouts simples e fáceis de se acompanhar painel por painel.

Fale um pouco sobre East Coast Rising. Como foi trabalhar com a Tokyopop?
Becky: East Coast Rising foi a primeira graphic novel que eu escrevi. Está prevista para ser um arco em três partes, e é muito desafiador. Estou tentando manter divertido para leitores de todas as idades, apenas uma boa história de ação e aventura que se passa em uma Nova Iorque inundada. Trabalhar com a Tokyopop tem sido muito divertido, é estranho como meu trabalho tem sido marcado como mangá, porque ele não é de verdade. Não tenho certeza se algum dia vou me acostumar com isso, he he he. Mas sim, aprendi muito com o título, está sendo um grande processo. O primeiro volume saiu direitinho, mas já improvisei muito no segundo até agora. Espero que quando o terceiro volume terminar, eu esteja confiante o suficiente para escrever algo muito mais sério e complexo. Como ele é, East Coast Rising é uma caça ao tesouro com piratas sedentos por sangue, monstros marítimos comedores de carne e toda diversão da vida marítima; todas as coisas que gostaria de ter vivido enquanto crescia!

Foi difícil entrar na indústria ou aconteceu naturalmente?
Becky: Para mim foi uma transição muito tranqüila. Após ter deixado a escola, onde estudava animação, me dediquei em tempo integral a fazer mini histórias em quadrinhos. Foi assim que acabei trabalhando com Brian Wood, mostrando meu trabalho e pegando alguns trabalhos freelances para pagar as contas. Eventualmente, cinco anos depois, já sou capaz de viver de quadrinhos, e parei quase que completamente com meu trabalho freelance! Então, demorou um pouco, mas nunca tive que me livrar de nada, e nunca precisei de um portfólio para trabalhar com quadrinhos. Acho que você pode dizer que eu estava no lugar certo na hora certa. Não estou dizendo que não trabalhei muito, mas tudo caiu direitinho no lugar certo. Espero que se eu continuar trabalhando duro as coisas se mantenham assim.

Para onde você acha que a indústria está caminhando? Como você acha que vai se encaixar nas próximas décadas, com o crescimento de pequenas editoras e toda a atenção que os quadrinhos alternativos estão chamando?
Becky: Eu passo muito tempo pensando nisso e debatendo o assunto com meus amigos, porque há muitas direções diferentes para se seguir. Muitas pessoas são céticas sobre o futuro dos quadrinhos mensais, mas acho que eles sempre estarão aí, assim como as comic shops. Todo mundo ama lojas especializadas, certo? Espero que mais editoras se envolvam, muitas já estão se inserindo, mas espero que elas comecem a levar tudo a sério. Talvez um dia veremos quadrinhos na lista de best sellers do New York Times! Acho que quanto mais pessoas se interessarem em fazer, ler ou publicar quadrinhos, mais veremos diversidade nos tipos de quadrinhos que são feitos. Será muito legal, eu nem posso esperar.

O que tem a dizer para cada criança que está por aí se esforçando para se tornar um artista de quadrinhos?
Becky:
Continuem se esforçando! A chave para o sucesso é trabalho duro, eu acho. Fazer amigos é ótimo também, e muito divertido. Mas na maioria das vezes a chave é mesmo manter o bom trabalho e se esforçar para melhorar. É isso aí!!! Ah sim, os quadrinhos são demais!! Beijos!!


Becky Clonnan realmente mandou beijos em português para todos os leitores e ainda em linguagem de internet (bjs). Agradecimentos especiais ao amigo Felipe Duarte pela entrevista.


 
 

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