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09/10/2006
 
MATÉRIA: SHAZAM! - SURGE O CAPITÃO MARVEL
Por : Roberto Guedes
 

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Whiz Comics: estréia oficial
 
 
The Marvel Family: A Família Marvel
 
 
Shazam! & Superman: O Primeiro Trovão
 
 
O Capitão Marvel de Jeff Smith
 
 
Power of Hope: a graphic novel de Alex Ross
 
 
O Reino do Amanhã: arte de Alex Ross
 
 
The Power of Shazam!: a graphic novel de Ordway
 
 
The Power of Shazam!: a nova revista mensal
 



O oficial da Primeira Guerra Mundial, Capitão Billy Fawcett, ao se afastar do serviço militar, fundou a editora Fawcett Publications e, após algum tempo publicando revistinhas de piadas decidiu investir no mercado de quadrinhos, principalmente em super-heróis – afinal, eles estavam fazendo um sucesso danado...

Por Roberto “Shazam” Guedes

Em meados de 1939, Billy Fawcett requisitou ao editor Bill Parker e ao ilustrador – e amigo particular – C. C. Beck, que criassem um super-herói para concorrer com o Superman da National Periodical (isso mesmo, a editora que mais tarde seria conhecida como DC Comics). A dupla então veio com um tal de Captain Thunder (Capitão Trovão) e com uma origem baseada em preceitos sobrenaturais, contrapondo ao apelo pseudocientífico de Superman. Beck inspirou-se nos atores Fred MacMurray e Max Schreck (Nosferatu) para criar as faces de Captain Thunder e Dr. Sivana, o vilão da série, aqui no Brasil, rebatizado como Dr. Silvana.

A revista de estréia do Capitão Trovão chamava-se Flash Comics e foi lançada em janeiro de 1940. Essa publicação foi produzida a toque de caixa, com a capa e miolo em tom acinzentado. Para o leitor entender melhor esse procedimento, a revista tinha um aspecto de fanzine, mesmo. Esse tipo de publicação, hoje, é conhecido pelos especialistas como “Edições Ashcan” e, na época, era normal ver as editoras lançando aos montes essas revistas-protótipo no intuito de garantir a marca delas, já que uma vez editadas, caiam no “conhecimento público” – embora não descartassem o envio das mesmas para os órgãos de registros e patentes. Hoje, os colecionadores pagam verdadeiras fortunas por essas revistas.

Infelizmente (para a Fawcett), a National/DC lançou de forma oficial a sua própria revista Flash Comics, inclusive, tendo o seu próprio herói “Flash” no título. Fulo da vida – pra não dizer outra coisa –, Billy Fawcett mudou o título do gibi para Whiz Comics e o nome do herói para Capitão Marvel. No mês seguinte, Whiz Comics nº 1 chegava às prateleiras totalmente colorida e com uma distribuição muito mais abrangente. Era a “estréia oficial” de um ícone da cultura popular ocidental, embora a história fosse a mesma de um mês antes...


:: GRITE MEU NOME!
O babado era o seguinte: o velho mago Shazam confere as capacidades de um patriarca bíblico e de várias figuras mitológicas ao jovem entregador de jornais Billy Batson, contanto que este continue sua cruzada contra o mal e a injustiça. Assim, ao gritar o nome do ancião, Billy adquire a sabedoria de Salomão, a força de Hércules, a resistência de Atlas, o poder de Zeus, a coragem de Aquiles e a velocidade de Mercúrio; transformando-se no homenzarrão Capitão Marvel. Essa história de um garotinho se transformar num “super-homem” apenas falando uma palavra parece ter caído no agrado geral dos leitores, principalmente pelo fato destes serem, em sua grande maioria, adolescentes ávidos por uma auto-afirmação. Em pouco tempo, a revista tornou-se a mais vendida do mercado, superando a marca de um milhão de cópias... todos os meses.

Apesar do grande sucesso da série, Bill Parker preferiu voltar para a revista sobre mecânica que escrevia anteriormente, passando a bola para Otto Binder, um escritor veterano de pulp magazines. Não me perguntem se o Bill tinha algum parafuso a menos... provavelmente sim, por isso que voltou para a revista de mecânica.

Bem, mas com a entrada de Binder, as histórias do Capitão ficaram mais sofisticadas e seu universo cada vez mais rico em conceitos e personagens. Surgiram então: Capitão Marvel Jr., uma espécie de versão juvenil do Capitão, com memoráveis desenhos de Mac Raboy; Mary Marvel, a graciosa irmã do Capitão Marvel; os “imprescindíveis” Titio Marvel e os Tenentes Marvel; o feioso King Kull; o babacão do Ibac; o casca-grossa do Adão Negro; Seu Malhado, o tigre falante e, claro, o – pra lá de asqueroso Sr. Cérebro, literalmente um verme.

A demanda era grande e a Família Marvel espalhou-se por vários títulos tais quais Wow Comics e Master Comics, passando a contar com outros artistas na produção das aventuras. Kurt Schaffenberger e Pete Costanza foram os principais deles, mas vale lembrar a participação do rei Jack Kirby, também.


:: E NESTE CANTO... SUPERMAN!
Quem não estava nada feliz com essa badalação toda da Fawcett, era a National/DC, detentora dos direitos de Superman, Batman e cia. Numa manobra judicial, seus advogados tentaram convencer o juiz de que o Capitão Marvel era um plágio descarado de Superman, mas o máximo que conseguiram foi uma constatação da Suprema Corte para o fato de que, embora fosse evidente a semelhança entre os personagens, desde suas fantasias até suas respectivas profissões, o único modo de se comprovar cópia deslavada era examinando história por história (Afêee... e àquela altura do campeonato, quantas centenas de “Supermen” já não existiam?).

Entretanto, esse arranca-rabo entre as duas editoras arrastou-se até 1953 quando, finalmente, a Fawcett desistiu de publicar qualquer história do Capitão Marvel – não por causa do processo em si, ou porque o Superman estava chorando as pitangas na Fortaleza da Solidão, mas sim, porque as revistas do “Queijão Vermelho” não estavam dando o mesmo lucro de outrora (na verdade, os quadrinhos de super-heróis estavam bem por baixo na década de 1950).


:: INFLUÊNCIA INFINITA
Embora a Família Marvel tenha sumido da área, era notória a sua influência no meio, principalmente se levarmos em conta que muitos dos que trabalharam em suas histórias migraram para a DC. Vejam então se estou falando abobrinha:

– A Supergirl, que era idêntica a Mary Marvel, e só foi aparecer em 1959, em Action Comics #252, foi idealizada por Otto Binder, o mesmo que criou a irmã do Capitão Marvel na Era de Ouro.

– Superboy, a contraparte adolescente do Superman, não só foi inspirado em Capitão Marvel Jr., como também “tomou emprestado” um de seus mais emblemáticos desenhistas, o impronunciável Kurt Schaffenberger.

– Falando em desenhistas, Pete Costanza, oriundo da Fawcett, trabalhou para a National/DC em vários títulos ligados a “Família Super”, tais como: World’s Finest Comics, Superman’s Pal Jimmy Olsen e Adventure Comics (que continha aventuras de Superboy e Legião dos Super-Heróis).

– Já na Marvel Comics, foi possível testemunharmos um manco Dr. Donald Blake transformar-se no Poderoso Thor, fazendo-nos remontar ao alter-ego de Capitão Marvel Jr., o rapazote Freddy Freeman, que se amparava em muletas.

– E mais evidente ainda, ficou o próprio Capitão Marvel da Marvel (nada mais justo, já que o nome estava “desocupado” em meados dos anos 1960), quando o “traça-gibis” Roy Thomas tomou as rédeas do título e mudou o uniforme do guerreiro Kree de verde e branco para azul e vermelho, ficando parecido com o do herói da Fawcett, e fazendo com que o roqueiro Rick Jones trocasse de lugar com ele ao bater suas pulseiras, numa descolada alusão à transformação de Billy Batson.

– Ruim mesmo foi a versão da M.F. Enterprises, que encarregou o veterano Carl Burgos (criador do inesquecível Tocha Humana) de bolar uma série sobre um outro Capitão Marvel que, quando gritava a palavra mágica “split” (divida-se), partes de seu corpo (que tal o punho direito?) soltavam-se,  para, em seguida nocautear um criminoso. Falando em crime, esse só durou cinco números...

– Na Inglaterra, para não cancelarem a revista do Marvel, inventaram o Marvelman. Nos anos 1980, uma bela atualização do personagem inglês foi levada para os Estados Unidos, mas para não irritarem a Marvel, o personagem foi rebatizado de Miracleman.

– E no Brasil, o (finado) Roberto Marinho –, não esquentou muito a moringa com o cancelamento do bom e velho Capitão Marvel nos States e continuou colocando seu gibizão pela (RGE) nas bancas até 1967. Inclusive, teve até um crossover maneiro com o Tocha Humana feito pelos artistas da editora.

– Em 1987, Roy Thomas lançou seu próprio Captain Thunder.


:: “DIACHO! JUSTO VOCÊS?!”
Mas em 1973, após 20 anos do sumiço do bom Capitão, não é que por uma “ironia do destino” a DC comprou os direitos de toda a Família Marvel? E na revista de estréia, o próprio Superman o apresenta como o mais novo membro do infinito panteão DC. Por causa do Capitão da Marvel, que fazia um relativo sucesso à época (cortesia de Jim Starlin), a DC não poderia colocar o nome do herói na capa, então, e isso vale até hoje, o bom e velho Capitão Marvel original passou a ser identificado nas capas das revistas DC como “SHAZAM!”.

Infelizmente, o roteirista da nova série, Denny O’Neil, não chegava a um acordo com C. C. Beck, escalado novamente para desenhar o título. Beck insistia num aspecto visual e conteúdo pueril. O’Neil alertava aos editores que num mercado ditado por caras como Neal Adams, Jim Starlin, John Buscema e outros, aquele tipo de história não iria vingar. Desde seu revival, a DC tentou – de forma insistente – manter o apelo ingênuo e sem compromisso do personagem o que, infelizmente, parece, ninguém entendeu. E não deu outra... o gibi do Capitão foi descontinuado anos depois, apesar da entrada de outros artistas.

Roy Thomas ainda escreveu uma mini-série interessante nos anos 1980 (não publicada por aqui), e o herói ainda fez parte de um período cômico da Liga da Justica. Não podemos esquecer também de sua presença em O Reino do Amanhã, desenhado pelo espetacular Alex Ross. Mas sua melhor caracterização desde sua volta em 1973, sem dúvida, foi na série mensal comandada por Jerry Ordway. Mas durou poucos anos.

Depois de uma fase como membro da Sociedade da Justiça, o personagem voltou recentemente estrelando uma mini-série escrita por Judd Winick com arte de Howard Porter. No Brasil está sendo publicada Shazam! & Superman - O Primeiro Trovão, também escrita por Winick. Vamos ver, então, o que o futuro guarda para o nosso querido e simpático herói... Diacho!



*Matéria publicada originalmente em Quartel-General, 2ª série, #1, em agosto de 2000, revista, atualizada e autorizada pelo próprio autor.

 
The New Beginning: Roy Thomas e Tom Mandrake
The Trials of Shazam!: Judd Winick e Howard Porter
 

Tags : Billy Fawcett, Bill Parker, C. C. Beck, Superman, National Periodical, Captain Thunder, Dr. Sivana, Dr. Silvana, Flash Comics, Edições Ashcan, Flash, Whiz Comics, Capitão Marvel, Whiz Comics nº 1, :: GRITE MEU NOME!, Shazam, Billy Batson, a sabedoria de Salomão, a força de Hércules, a resistência de Atlas, o poder de Zeus, a coragem de Aquiles, a velocidade de Mercúrio, Otto Binder, Capitão Marvel Jr., Mac Raboy, Mary Marvel, Titio Marvel, Tenentes Marvel, King Kull, Ibac, Adão Negro, Seu Malhado, Sr. Cérebro, Família Marvel, Wow Comics, Master Comics, Kurt Schaffenberger, Pete Costanza, Jack Kirby, :: E NESTE CANTO... SUPERMAN!, :: INFLUÊNCIA INFINITA, Supergirl, Action Comics #252, Superboy, World’s Finest Comics, Superman’s Pal Jimmy Olsen, Adventure Comics, Dr. Donald Blake, Poderoso Thor, Freddy Freeman, Capitão Marvel da Marvel, Roy Thomas, Rick Jones, Carl Burgos, Tocha Humana, Marvelman, Miracleman, Roberto Marinho, Captain Thunder, :: “DIACHO! JUSTO VOCÊS?!”, Jim Starlin, “SHAZAM!”., Denny O’Neil




 

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