MATÉRIAS/REVIEWS
 
  
 
14/09/2006
MATÉRIA: AS ARTES MARCIAIS NAS HQS - PARTE 1
 
 
Judomaster #93: o herói e seu parceiro Tiger
 
 
Visual do Judomaster em LAW - arte de Bob Layton
 
 
Yang #1: parecido com o seriado televisivo Kung Fu
 
 
Wonder Woman #181: Diana pronta pra briga
 
 
Diana nas artes marciais - arte de Mike Sekowsky
 
 
Republicação de “The Wraith of Fu Manchu
 
 
Marvel Special Edition #15: estréia de Shang Chi
 
 
Shang Chi, a la Bruce Lee - arte de Paul Gulacy
 


:: Parte I - Pancadaria, Filosofia e Espionagem

Meus amigos, minhas amigas, vamos falar a verdade: quem não vibrou com os filmes de Jackie Chan? Quem não achou Kill Bill o máximo? Quem não pensou em entrar em uma academia de karatê para ficar tão forte quanto o Chuck Norris ou o Steven Seagal? Ora bolas, quem de nós, mesmo na mais remota infância, nunca brincou de kung fu? Bom, o que pretendemos fazer dentro dessas mal traçadas linhas é justamente explicar aos amantes dos gibis como as artes marciais foram usadas nos quadrinhos americanos. Não falaremos aqui sobre a presença das artes marciais nos mangás (quadrinhos de origem japonesa) porque a ligação entre as duas coisas é tão extensa, complexa e até mesmo óbvia que seriam necessários livros e mais livros para tratar sobre esse assunto. E também por antecipação pedimos desculpas à nossa audiência, porque devido à extensão do tema poderemos esquecer de citar um ou outro personagem nessa série de artigos. Dito isso, comecemos a falar sobre pancadaria, então!

Uma definição formal de artes marciais seria essa: “sistemas de práticas e tradições para treinamento de combate, usualmente (mas nem sempre) sem o uso de armas de fogo ou outros dispositivos modernos”. Tal definição engloba desde o boxe até a nossa brasileiríssima capoeira, porém geralmente a primeira imagem que vêm na cabeça das pessoas quando pensam em artes marciais é a de um sujeito de origem oriental arrebentando um montão de adversários ao mesmo tempo. Tal imagem começou a ser lentamente construída no início do século XX, quando imigrantes japoneses e chineses chegaram na América e trouxeram consigo técnicas de luta milenares que foram criadas e desenvolvidas nos seus países de origem.

Com o passar do tempo tais técnicas começaram a ser ensinadas para os ocidentais através de academias fundadas pelos imigrantes e nos anos quarenta e cinqüenta as primeiras competições em solo ocidental começaram a ser organizadas. No final dos anos sessenta e início dos anos setenta muitas pessoas saíram em busca de novas filosofias de vida e encontraram nas artes marciais uma disciplina que atendia aos seus anseios, e essa busca foi refletida nas desventuras do “gafanhoto” David Carradine ambientadas no Velho Oeste e que eram retratadas no seriado televisivo Kung Fu. E, é claro, não podemos nos esquecer que também no início dos anos setenta o Ocidente descobriu o cinema de ação produzido em Hong Kong, e descobriu também Bruce Lee, o sino-americano que se tornaria sinônimo de artes marciais no mundo inteiro. Infelizmente Bruce morreria em 1973 pouco antes da estréia mundial do filme Operação Dragão, todavia seu falecimento não impediria que uma verdadeira febre de kung fu, judô e karatê tomasse conta do mundo naquela época, e os quadrinhos não ficaram de fora dessa. Mas, para falar do nosso primeiro personagem, devemos antes voltar para os meados dos anos sessenta.

Em 1965, a Charlton Comics tinha um belo elenco de super-heróis, e o prolífico escritor Joe Gill e o artista Frank McLaughlin resolveram criar mais um para essa editora, que estreou na revista Special War Series #4 e que foi batizado com o nome de Judomaster. As aventuras desse herói se passam na Segunda Guerra Mundial, e sua origem segue aqueles clichês que todo mundo já viu em um montão de filmes: o bondoso sargento do exército americano Hadley "Rip" Jagger salva a vida da filha do líder de um vilarejo japonês localizado no Pacifico Sul, e em retribuição tal líder ensina ao heróico ianque os segredos do judô. Depois disso, só restou ao Sargento Jagger usar seus novos talentos para combater as forças do Eixo, tendo inclusive ao seu lado como sidekick um adolescente japonês vestido em trajes brancos que atendia pela alcunha de Tiger.

Nos anos que se seguiram, o personagem teria caído no total esquecimento, caso a DC Comics não tivesse adquirido os direitos autorais dele e de outros heróis da Charlton. Só que o Judomaster praticamente não foi usado em sua nova casa, sendo que sua última aparição significativa foi na mini-série L.A.W. (inédita no Brasil), onde os antigos aventureiros da Charlton se reúnem para encarar a ameaça do vilão Avatar, que se revela ninguém mais ninguém menos que o “parceirinho” do mestre do judô, Tiger! Para terminarmos de falar sobre o Judomaster, devemos lembrar que ele foi publicado com sucesso no Brasil pela saudosa editora EBAL no final dos anos sessenta, onde recebeu o nome de O Judoka (embora fosse chamado em algumas chamadas de Judô Master), e nem mesmo o cancelamento de suas aventuras nos Estados Unidos impediu que ele, de certa “forma”, continuasse a ser publicado aqui na “terrinha”.

Mas, como foi que isso aconteceu? Bom, explicaremos isso em outra ocasião, porque devemos nos recordar que o Judomaster não foi a única tentativa da Charlton de investir no gênero, já que em 1973 ela lançou o gibi de um personagem chamado Yang, que contava as aventuras de um artista marcial chinês no Velho Oeste (meio parecido com o seriado Kung Fu, não acham?), aventuras essas escritas por Joe Gill e desenhadas por Warren Sattler. Não podemos falar que essas histórias eram exatamente o supra-sumo das artes marciais, mas pelo visto existiram pessoas que gostaram desse gibi, tanto que em 1975 a Charlton botou no mercado o gibi spin-off House of Yang, onde eram narradas histórias do primo de Yang na China do final do século XIX, com a arte de Sanho Kim e os scripts, como sempre, de Joe Gill. A falência da Charlton fez com que esses títulos tivessem vida curta, porém mesmo assim Yang foi publicado no Brasil pela EBAL e pela Bloch nas revistas de kung fu que essas editoras lançaram respectivamente nos anos setenta e oitenta. Mas vamos deixar de lado esses obscuros heróis da Charlton, porque agora vamos falar de uma heroína que todos conhecemos, no caso a Mulher-Maravilha!

Esperem um minuto! Que papo é esse de Mulher-Maravilha ser artista marcial? Vamos explicar. No final de 1968 a DC decidiu revirar do avesso a vida da mais famosa de todas as super-heroínas, e no gibi Wonder Woman #179 — escrito por Denny O’Neill e desenhado por Mike Sekowsky — Diana renunciou aos seus poderes para continuar vivendo no “mundo dos homens”, já que suas irmãs amazonas se auto-exilaram em outra dimensão. Nesse ínterim a princesa amazona acabou travando amizade com um velho sábio chinês conhecido pelo nome de I Ching, que deu a ela algumas aulinhas de defesa pessoal, transformando a outrora indefesa Diana em uma autêntica arma viva. Nas edições seguintes, a nossa heroína ganhou um guarda-roupa “moderno” (para os padrões da época, é claro) e suas aventuras passaram a ter um tom muito próximo das séries de TV de espionagem que faziam sucesso na época, como “Os Vingadores” e “Missão: Impossível”.

Algumas pessoas adoraram essas mudanças, como por exemplo o renomado escritor de ficção científica Samuel R. Delany, que chegou a escrever duas edições da revista da personagem como roteirista convidado. Outras pessoas, como a militante feminista Gloria Steinem odiaram o novo status de Diana, sendo que a própria Sra. Steinem em pessoa liderou na famosa revista feminista Ms. Magazine” uma campanha para que a princesa amazona voltasse a ser uma super-heroína. Bom, o final dessa polêmica todos nós sabemos: obviamente Diana voltou a vestir seu uniforme vermelho e azul, fato esse que ocorreu no início de 1973 no gibi Wonder Woman #204, roteirizado por Robert Kanigher e desenhado por Don Heck. E, antes que esqueçamos de dizer aqui: algumas dessas histórias foram trazidas ao Brasil pela boa e velha Ebal no início dos anos setenta, nos gibis As Aventuras de Diana e As Aventuras de Diana em Cores, e também pela Abril em Heróis em Ação.

Vocês repararam que até agora não falamos nada da Marvel Comics? Pois é, não pensem vocês que a editora do “titio” Stan Lee estava alheia a “febre de kung fu” que assolava o mundo. No inicio dos anos setenta a Marvel decidiu investir em artes marciais e obteve a licença para utilizar o personagem Fu Manchu em seus gibis. Tal personagem foi criado em 1913 pelo escritor e jornalista britânico Sax Rohmer (pseudônimo de Arthur Sarsfield Ward). Basicamente o Doutor Fu Manchu era um mandarim chinês que tinha um objetivo de vida muito “simples”: dominar o mundo! Rohmer escreveu treze romances envolvendo o personagem até o ano da sua morte, em 1959, e em todos eles o vilão oriental enfrentava geralmente o agente da Coroa Britânica Denis Nayland Smith, em escaramuças que envolviam viagens internacionais, traições e até mesmo Fah Lo Suee, a bela e perigosa filha de Fu Manchu.

Logo na sua estréia o vilanesco oriental fez muito sucesso, e desde os anos vinte ele ganhou várias adaptações cinematográficas e inspirou a criação de diversos outros malfeitores orientais no mesmo estilo, como o Mandarim e o Garra Amarela, da Marvel Comics. Mas vocês devem estar se perguntando se a intenção da Marvel era fazer um gibi estrelado por um vilão. Não, meus caros, na verdade as histórias de Fu Manchu seriam usadas apenas como base para que fosse lançado um novo personagem, no caso Shang Chi, o Mestre do Kung Fu!

No final de 1973, a Marvel botou na praça o gibi Marvel Special Edition #15, e na história criada por Steve Englehart e desenhada por Jim Starlin os fãs conheceram a origem do Mestre do Kung Fu: desde a mais tenra infância Shang Chi passou por um duro treinamento em kung fu, treinamento esse que o transformou em um dos maiores artistas marciais do mundo. E o nosso herói também cresceu acreditando que o seu pai Fu Manchu era um homem bom e preocupado em melhorar o mundo, tanto que não relutou quando o mandarim o enviou à Inglaterra para matar o Doutor Petrie, um velho inimigo.

Shang Chi cumpriu sua missão, porém logo após o término dela ele encontrou Denis Nayland Smith, agora envelhecido e ostentando o título de Sir Smith, que revelou a Shang Chi que por trás da “aura de bondade” de Fu Manchu na verdade se escondia um cientista que prolongava a sua vida através de fórmulas secretas e que sempre conspirou para obter a dominação mundial. Estarrecido com essas revelações, Shang Chi rompeu com seu pai e passou a combatê-lo, e para tanto acabou se aliando a Smith e a outros agentes da organização secreta inglesa MI-6: o irascível Black Jack Tarr; o galante Clive Reston (cuja criação foi levemente inspirada em James Bond) e a bela Leiko Wu, que acabou se tornando amante do herói oriental.

A Marvel se deu bem com essa investida no terreno das artes marciais, tanto que o gibi Marvel Special Edition a partir da edição #17 teve seu nome modificado para The Hands of Shang Chi, Master of Kung Fu. Porém, a dupla Englehart/Starlin logo abandonou o título, e acabou sendo substituída por Doug Moench e Paul Gulacy respectivamente no roteiro e na arte. E então Moench transformou as aventuras de Shang Chi em uma fantástica mistura de pancadaria, filosofia e espionagem que conquistou de vez os fãs, mistura essa que era valorizada pela maravilhosa arte de Gulacy, que desenhava de maneira brilhante cenas de ação.

Aliás, uma pequena curiosidade: mais ou menos após um ano de permanência no título Gulacy começou a desenhar Shang Chi de maneira semelhante a Bruce Lee. Sobre isso, o artista disse o seguinte em entrevista à revista especializada Comic Book Artists: “Quando eu comecei no título, eu nem mesmo tinha visto ‘Operação Dragão’, e só o assisti quase um ano depois da morte de Lee, quando certamente fui fisgado” (...) O que eu tentei fazer naquela época em um certo sentido foi trazer Bruce de volta. Quando Bruce morreu, eu senti que o gibi do Mestre do Kung Fu era a única saída para tipos como o Bruce Lee – que era como eu via Shang Chi (...) Na verdade, houve um rumor de que a esposa de Bruce ligou para Stan Lee e disse a ele: ‘Parem com isso’. Pelo menos foi o que uma pessoa da Marvel me contou.”

O Mestre do Kung Fu com certeza foi um dos maiores sucessos da Marvel nos anos setenta, e esse sucesso reverberou no Brasil, onde Shang Chi deu as caras pela primeira vez em 1974, na revista Kung Fu da EBAL. Tempos depois o personagem iria para a Editora Bloch, aonde chegou a ganhar uma revista só dele que durou trinta e uma edições, e que tinha um padrão de qualidade e distribuição sofríveis. Shang Chi começou a ser publicado de forma decente por aqui a partir de 1979, quando a Editora Abril adquiriu a licença de publicação do personagem, e ele virou estrela de gibis como Heróis da TV, Superaventuras Marvel e Capitão América. Mas, voltando a falar da carreira de Shang Chi nos EUA: vieram os anos oitenta... E com eles vieram a queda na qualidade das histórias e o desinteresse do público, e a revista do nosso herói foi cancelada na edição #125, em 1983. Depois disso, o Mestre do Kung Fu fez aparições esporádicas nas aventuras de outros heróis, teve algumas aventuras-solo inéditas no Brasil publicadas entre as edições #1 e 8 do gibi Marvel Comics Presents no final dos anos oitenta e estrelou uma graphic novel chamada Bleeding Black em 1990, também inédita em terras brazucas.

Em 2002, a Marvel tentou relançar o personagem em grande estilo no selo adulto MAX, e para tanto chamou Doug Moench e Paul Gulacy, que acabaram concebendo a mini-série Master of Kung Fu: Hellfire Apocalypse (no Brasil, em Marvel Max #4 a 9, 2004, Panini). Infelizmente os dois não conseguiram resgatar a magia das aventuras que criaram nos anos setenta e a mini-série não foi exatamente um grande sucesso, porém os leitores perspicazes devem ter percebido um pequeno detalhe na história: Shang Chi como sempre voltou a enfrentar o seu pai, que em várias passagens da mini-série é chamado de Conde de Saint Germain, “Doutor” ou então de “Pai”, mas nunca de Fu Manchu. Por que será?

Muito simples: a Marvel não renovou o contrato para usar as criações de Sax Rohmer, porém reteve para si os direitos sobre todos os personagens criados no gibi do Mestre do Kung Fu, o que a obrigou a usar o “simpático” expediente de nunca citar os nomes Fu Manchu, Denis Nayland Smith, Petrie e Fah Lo Suee nas aventuras do herói. Mas, independente dos bons ou maus resultados de Hellfire Apocalypse, a Marvel resolveu apostar de novo em Shang Chi, e em 2006 ele se tornou parte do elenco fixo da revista Heroes for Hire (Heróis de Aluguel), ao lado de outros heróis que citaremos mais tarde.

Quando um gibi faz muito sucesso não demora muito para que sejam lançados outros dentro da mesma linha. Seguindo essa velha regra de mercado, em maio de 1974 o gibi Marvel Premiere #15 serviu de palco para a estréia de mais um super-herói bom de briga, batizado com o nome de Punho de Ferro (Iron Fist).  Na sua primeira aventura, o escritor Roy Thomas e o artista Gil Kane apresentaram a origem do novo herói aos fãs: o empresário Wendell Rand era obcecado pela lenda de Kun Lun, uma cidade mística que supostamente de dez em dez anos aparecia na cordilheira do Himalaia. Disposto a confirmar a veracidade de tal lenda, Wendell levou sua mulher Heather, o seu pequeno filho Daniel e o sócio Harold Meachum a uma região próxima ao Tibete.

Ao chegarem lá, Wendell foi assassinado por Meachum, que há muito tempo cobiçava tanto os bens quanto a mulher do amigo. Heather ficou chocada com tal ato de violência e fugiu com o filho montanha adentro, e sacrificando a própria vida acabou levando-o até Kun Lun. Daniel acabou sendo acolhido por Yu Ti, o líder da lendária cidade e nos anos que se seguiram o menino passou por um rigoroso treinamento nas disciplinas marciais praticadas em Kun Lun. Ao atingir a maioridade Daniel passou por uma série de desafios, e em um deles o rapaz encarou o dragão Shou-Lao, e acabou o derrotando. Porém, após a morte do monstro emanações místicas advindas da falecida criatura banharam o corpo de Daniel, deixando o seu peito totalmente coberto por uma tatuagem de dragão e lhe conferindo o poder do “punho de ferro”: concentrando o seu “chi” (nome que os orientais usam para designar a energia vital) em um de seus punhos, Daniel conseguia enrijecer como aço a sua mão e aumentava a potência do seu soco a um limite sobre-humano, além de poder usar seus novos dons para eventualmente curar a si ou a outras pessoas de ferimentos ou envenenamentos.

Após ser agraciado com o poder do “punho de ferro” Daniel abandonou Kun Lun e rumou para os EUA com o propósito de vingar a morte do seu pai, porém Harold Meachum acabou sendo morto por um assassino ninja, acontecimento esse que esvaziou o desejo de vingança do nosso herói. Posteriormente Daniel derrotou o assassino ninja, e depois disso ele assumiu o codinome Punho de Ferro e se transformou em um combatente do crime atuando em Nova York, e nessa tarefa ele era eventualmente auxiliado por duas investigadoras particulares: a nipo-americana Colleen Wing, uma samurai que era especializada no uso da katana (espada japonesa) e Misty Knight, uma ex-policial afro-americana que era exímia atiradora e portadora de um braço biônico.

Tempos depois Daniel se envolveu romanticamente com Misty, naquele que foi um dos primeiros relacionamentos inter-raciais mostrados nos gibis de super-heróis, e que para a época era algo bem ousado para se mostrar em uma revista em quadrinhos. E, como reviravoltas são um dos maiores clichês dos quadrinhos, o Punho de Ferro acabou descobrindo um segredo do seu passado: seu pai Wendell na verdade nasceu em Kun Lun e fazia parte da nobreza local, e devido a uma série de intrigas palacianas foi expulso da cidade pelo irmão, que era ninguém mais ninguém menos que Yu Ti, a mesma pessoa que adotou o pequeno Daniel quando ele chegou na cidade.

Roy Thomas e Gil Kane criaram o personagem, entretanto suas aventuras subseqüentes ficaram a cargo de outros roteiristas, como Doug Moench, Lein Wein e Tony Isabella, que bolaram aventuras boas o bastante para que o Punho de Ferro ganhasse uma revista-solo bimestral em 1975. Porém, indiscutivelmente a melhor fase do personagem foi aquele em que suas histórias foram concebidas pela dupla Chris Claremont e John Byrne. Inclusive, foi nessa fase do Punho de Ferro que apareceu pela primeira vez o vilão Dente-de-Sabre (Sabretooth), que anos mais tarde se tornaria arqui-rival de um certo baixinho canadense chamado Wolverine. Só que, a despeito da qualidade do material produzido por Claremont e Byrne o gibi do herói durou apenas quinze edições.

Mas não pensem que as coisas acabaram por aí: em 1978 o Punho de Ferro se mudou de “mala e cuia” para a revista do herói de aluguel Luke Cage, e a partir da edição #50 o gibi Luke Cage: Power Man teve seu nome alterado para Power Man and Iron Fist, e passou a apresentar histórias dos dois aventureiros em parceria. Esse gibi até que tinha aventuras interessantes, só que as baixas vendas causaram seu cancelamento em 1986 e na edição #125 — que marcou a despedida do título — os leitores se depararam com a morte do Punho de Ferro, morte essa ocasionada por um menino capaz de se transformar em um adulto superpoderoso chamado Captain Hero. Em 1992, John Byrne “ressuscitou” o Punho de Ferro na revista Namor, the Sub-Mariner #23, explicando que o sujeito morto pelo Captain Hero na verdade era um clone criado pelos H´ylthri, uma antiga raça alienígena inimiga do povo de Kun Lun. Depois da “ressurreição”, o Punho de Ferro teve participações especiais em diversos gibis da Marvel, estrelou duas mini-séries publicadas respectivamente em 1998 e 2004, dividiu outra mini-série com Wolverine em 2000 e fez parte da primeira encarnação da equipe Heroes for Hire (Heróis de Aluguel) nas dezenove edições dessa revista, que foi publicada entre 1997 e 1999.

Ficamos aqui esperando que Daniel Rand retome a sua antiga glória, e talvez isso ocorra, já que a Marvel anunciou que em 2007 o personagem terá uma nova série mensal, escrita pelo roteirista Ed Brubaker. Ah, não podemos deixar passar uma informação essencial para os fãs que estão lendo esse artigo: o Punho de Ferro apareceu pela primeira vez no Brasil em 1977, estrelando um gibi próprio publicado pela Editora Bloch que durou cinco edições, onde foi batizado com o nome Punhos de Aço e onde estranhamente seu uniforme era colorido de vermelho e azul. Posteriormente em 1979 ele se mudou para a Editora Abril e teve suas aventuras publicadas na revista Heróis da TV até 1986. A grande maioria das suas histórias em parceria com Luke Cage permaneceu inédita por aqui, assim como a sua “ressurreição” e as mini-séries estreladas por ele.

Bom, o tempo urge e já abusamos demais da boa vontade da nossa audiência. Na próxima parte dessa série de artigos continuaremos nos anos setenta, e falaremos sobre as investidas da DC Comics no território das artes marciais e sobre uma revista em preto-e-branco da Marvel que serviu de laboratório para o lançamento de uns personagens bem interessantes. Até lá!


Brodie Bruce, também conhecido como Claudio Roberto Basilio.

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Marvel Premiere #15: a estréia do herói
Iron Fist #8: Punho de Ferro em pose clássica
 


 

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