MATÉRIAS/REVIEWS
 
  
 
09/03/2005
MATÉRIA: VOCÊ JÁ OUVIU FALAR DA BIG APPLE COMIX?
 
 
Capa da Big Apple Comics
 
 
New York - Ilustração da terceira capa
 
 
“O Homem sem uma Cidade” de Schwartzberg e Severin
 
 
“Over & Under” de Larry Hama e Neal Adams
 
 
“The Battery´s Down” de Alan Weiss
 
 
 
Flo Steinberg é mais lembrada por seu período como secretária de Stan Lee durante a efervescente “Era Marvel” nos idos dos anos 1960. Todavia, em 1968, pouco antes da editora ser incorporada à Cadence Industries, Flo decidiu respirar novos ares. Após passar um ano em São Francisco, voltou para Nova Iorque e acabou sendo convidada por Jim Warren para trabalhar como gerente do Captain Company – o departamento de merchandise da editora Warren Publishing. Entretanto, sua curta estadia na cidade dos hippies renderia um belo fruto ao cenário quadrinhistico... Flo estava encantada com o forte movimento hippie na cidade de São Francisco. As comunidades de cabeludos “maluco beleza” que viviam a pregar o amor livre e a negação ao consumismo desvairado do capitalismo selvagem, eram regadas e embaladas ao jugo de “estranhas substâncias” e rocks bluseiros de Janis Joplin e Jimmy Hendrix. Essa mesma dupla “assinaria” o epílogo da Contracultura com suas prematuras mortes, reforçando a decadência do movimento – já explicitada no assassinato de um rapaz negro nas mãos (e facas) da gangue de motoqueiros Hell’s Angels, durante uma apresentação caótica do Rolling Stones no autódromo de Altamont. Mas São Francisco era também a cidade dos “comix” – assim mesmo com “X”, como eram chamados os emergentes quadrinhos undergrounds. Quem começou com isso foi Robert Crumb, ainda em 1968, ao lançar a revista Zap Comix – estopim do futuro “Mercado Direto” americano de revistas. Logo, veio Gilbert Shelton e a sua Feds’ n’ Heads e Rick Griffin, com o seu “projeto surfista” Tales From the Tube. Quem apresentou essas pérolas a Flo foi a cartunista Trina Robbins – a mesma que descreveu, via telefone, o visual de Vampirella ao grande Frank Frazetta. De volta a Nova Iorque, Flo estava com a idéia fixa de editar uma revista underground, mas que homenageasse a “Grande Maçã” (apelido de Nova Iorque). Ela queria repetir o “espírito” anárquico dos comix e, por isso mesmo, a tal revista não poderia ser publicada por uma grande editora. Aliando seus anos de experiência e contatos na Marvel, e então, na Warren, a moça conseguiu reunir uma gama de profissionais da pesada: Neal Adams, Herb Trimpe (e sua esposa Lind Fite), Wally Wood, Larry Hama, Al Williamson, Ralph Reese e Marie Severin, entre outros – todos grandes amigos que ajudaram a imortalizar o título Big Apple Comix. Todos toparam a empreitada e se submeteram a receber míseros 10 dólares por página. Jim Warren permitiu que ela estocasse os exemplares de BAC em sua editora, e Neal Adams cedeu a caixa postal de seu estúdio (Continuity), de onde ela respondia e despachava os pedidos. Se você está achando que Flo foi uma folgada e politicamente incorreta, atente ao comentário da moça: “O Jim era demais! Ele me ajudou muito com a Big Apple Comix. Além de deixar que eu estocasse tudo lá, ele me dava muitos conselhos. Ele tinha um estilo único de gerenciamento, mas o que o tornava um sujeito especial era o fato de se importar com todo mundo. Ele foi um dos caras bons nesse ramo... e além de tudo, era um tremendo gatão!” BAC foi lançada em setembro de 1975, com capa em 4 cores, 32 páginas de miolo (P/Bs) e no formato 17,8 x 24,8 cm (um pouquinho menor que os comic books habituais). No editorial assinado por Denny O’ Neil, ele diz que Flo chegou a Nova Iorque em 1965 e constatou que a cidade não tinha nem um pouco do glamour estampado nos filmes hollywoodianos, destacando ainda que: “Nova Iorque é mal iluminada, suas ruas são imundas e os mendigos, espalhados por suas calçadas, fedem a vinho barato. Seus alugueis são ridiculamente altos e seus apartamentos, ridiculamente pequenos! Mas Flo decidiu ficar. E o resto de nós também. Por quê? Porque São Francisco é muito legal pra agüentarmos, saco!” Recomendada apenas para leitores adultos, a Big Apple Comix tornou-se, rapidamente, um item de colecionador. Ainda hoje, é interessante folheá-la e ver todos aqueles grandes nomes da indústria renderem, sem qualquer tipo de censura, suas homenagens à maior cidade do mundo num típico gibi underground... daqueles recheados de argumentos e desenhos bem sacados! Roberto Guedes é autor do livro "Quando Surgem os Super-Heróis", da Opera Graphica.
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