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27/12/2004
 
MATÉRIA: CRONOLOGIA
Por : Ben Santana
 

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New Fun #1
 
 
Action Comics #1
 
 
Astonishing X-Men #2
 
 
Avengers #500
 
 
All Star Comics #3
 
 
Fantastic Four #12
 
 
Amazing Spider-Man #1
 
 
Crisis on Infinite Earths #12
 


Segundo o Aurélio, cronologia é “o tratado das datas históricas”. Para nós, leitores de quadrinhos de super-heróis, é muito mais que isso, é a ordem lógica de eventos pelos quais um personagem passa, ou a coerência entre um título e outros que são publicados na mesma época, pela mesma editora. Qualquer leitor/fã que valha seu sal vai citar de cabeça várias implicações cronológicas que seu personagem favorito teve em determinados títulos, em um determinado momento. A cronologia é algo inerente aos quadrinhos de super-heróis, vocês podem dizer. Nem sempre foi assim. Quando os “comics”, as revistas em quadrinhos surgiram nos EUA no começo do século 20, elas eram simplesmente republicações das tiras de jornal mais populares na época. Como tal, a “cronologia” não existia nas tiras cômicas da época, e mesmo as tiras de aventura tinham que se preocupar somente com a consistência interna de suas histórias. Quando em Fevereiro de 1935, um escritor chamado Malcolm Wheeler-Nicholson criou uma revista que seria o embrião do que hoje conhecemos como DC Comics, ele mudou para sempre o panorama dos quadrinhos. A revista era a New Fun, que trazia uma novidade: apenas histórias inéditas, sem os reprints costumeiros desse formato. A New Fun trazia histórias de aventura, com os costumeiros cowboys e detetives, todos sem nenhuma relação entre eles. E sem super-heróis. Foi apenas três anos depois que o mundo foi tomado de assalto pela publicação de Action Comics (Junho de 1938). O super-herói como hoje conhecemos tinha nascido. Na capa do número 1, um homem de azul e vermelho levantava um carro acima de sua cabeça. E levantou muito mais que isso. Levantou toda uma indústria. O Super-Homem tinha sido apresentado a todos nós. E o resto, como dizem, é história. E que história. Nos rastros do Super-Homem, muitos outros seguiram. Batman, na revista que viria a dar o nome a companhia (Detective Comics # 27, 1939), Flash (Flash Comics #1, 1940), Lanterna Verde (All-American Comics # 16, 1940), Mulher-Maravilha (Sensation Comics #1, 1942), assim como dezenas de outros que apareceriam no começo da década de quarenta. É interessante notar que na época todos os personagens publicados pela DC viviam em universos diferentes, nunca se encontrando. Isso mudou de certa forma com a publicação de All-Star Comics #3 (Inverno de 1940). Nesse número a Sociedade da Justiça da América faz a sua primeira aparição. Os membros dessa equipe eram: o Flash, Lanterna Verde, Átomo, Sr. Destino, o Espectro, Homem-Hora e Sandman. “De certa forma”, porque apesar de participarem das reuniões do grupo, os personagens não interagiam em missões, tendo aventuras solo na revista. Dessa forma, All-Star Comics não era nada mais que uma antologia. Isso foi mudar apenas em 1947, quando eles começaram a lutar lado a lado. Mas foi por pouco tempo, já que em 1951, a Sociedade da Justiça chegou ao seu fim, assim como o interesse nos super-heróis, coisa que já vinha acontecendo desde o final da Segunda Guerra Mundial, interesse que vinha sendo substituído pelos westerns e histórias de ficção científica. E mesmo durante o tempo em que estavam dividindo aventuras em All-Star, essas histórias não tinham influência nos títulos solo dos personagens. E isso não aconteceu durante muito tempo. E quando finalmente aconteceu, aconteceu primeiro do outro lado da rua, na Marvel Comics. Em 1961, o que hoje chamamos de Marvel, estava em franca decadência. Seus títulos de monstros e ficção científica não mais se sustentavam, e a companhia estava em apuros. Foi então que o editor Stan Lee teve uma brilhante idéia: olhou para a concorrência. Desde 1956, quando o Flash voltou em Showcase #4, os heróis da Era de Ouro estavam voltando com uma nova roupagem na DC. Depois de um hiato de cinco anos, os super-heróis estavam retornando com uma vingança, reaquecendo o mercado para esse tipo de quadrinhos. Foi com isso em mente que Stan Lee lançou em novembro de 1961 o primeiro número de Fantastic Four. Vários outros personagens seguiram, como Hulk (The Incredible Hulk #1, Maio de 1962), Thor (Journey Into Mystery # 83, uma antologia, em Agosto de 1962). Também em Agosto de 1962, surge nas páginas de Amazing Fantasy #15 o personagem que se transformaria em um ícone da Marvel, o Homem-Aranha. Logo em Março de 1963, dois crossovers ocorreriam: no número 12 de Fantastic Four, aparece o Hulk. E já no primeiro número de The Amazing Spider-Man, o Homem-Aranha visita o Quarteto Fantástico. Com isso, o Universo Marvel (e a cronologia como nós a conhecemos hoje) começa a tomar forma. Até então, mesmo existindo os famosos encontros do Super-Homem e Batman em World’s Finest (encontros que realmente apenas começaram a acontecer em 1954...apesar da revista existir desde 1941,ela apenas mostrava aventuras solo de ambos), nunca um universo de quadrinhos foi tão coeso e interligado quanto o da Marvel desse início dos anos sessenta. Fatos ocorridos em um título tinham repercussão em outros, coisa que nunca tinha ocorrido na DC, Fawcett e outras. Obviamente, com o tempo a DC começou a usar essa mesma estratégia em suas publicações e isso tornou-se uma regra não escrita durante muito tempo. Todos achavam que os quadrinhos de super-heróis tinham que ser interligados. O problema é que a cronologia deveria ser uma ferramenta, não uma razão de ser. De repente, para ser uma boa história, essa história tinha que estar enraizada em dezenas de anos de outras histórias. Os fãs mais ardentes da cronologia reclamavam se, por exemplo, no mesmo mês Sue Richards estava usando um penteado em Fantastic Four e outro em Avengers. E esqueciam que tinham duas boas histórias nas mãos. O zelo absoluto pela cronologia desaguou em 1985 no maior crossover já criado na indústria dos quadrinhos, Crise nas Infinitas Terras. Todos os personagens de todas as Terras do Universo DC participaram dessa maxi-série, criada justamente para arrumar 50 anos de bagunça cronológica. Por melhor que a série tenha sido, obviamente não deu certo, e em 1994 foi publicada Zero Hour: Crisis in Time, na tentativa de aparar as pontas soltas deixadas por Crise. Resultado? Mais confusão. A solução encontrada pela DC foi começar a tratar títulos, ou grupos de títulos, individualmente. É claro, os mega-eventos costumeiros foram sentidos em todos os títulos, como o caso de Lendas, Milênio, War of Gods (inexplicavelmente inédita no Brasil, mas essa é uma outra história), Invasão! e mais recentemente Identity Crisis. Mas a cronologia anal retentiva que era lei na Marvel (e durante tempos na DC) não era aplicada mais. Até mesmo grandes retcons são permeados lentamente nos títulos de linha, como é o caso recente de Birthright (O Legado das Estrelas, Panini). A Marvel, depois de quatro décadas de uso dessa cronologia, na gestão de Joe Quesada começou a ter menos preocupação com a influência que um título tinha no outro, e mais com boas histórias (ou pelo menos histórias não influenciadas cronologicamente). A criação dos selos Marvel Knights e Max são prova disso. E hoje? A DC está fazendo os eventos de Identity Crisis serem sentidos em vários de seus títulos. A Marvel está voltando a integrar o seu universo de forma mais coesa com X-Men Reload e Avengers: Disassembled. A pergunta é: “Isso é bom ou ruim?” Pessoalmente, sempre achei que o mais vale em uma história em quadrinhos é o fato dela ser boa. As melhores histórias de super-heróis que eu já li eram estanques e não dependiam de conhecimento prévio de outras histórias. Por exemplo, O Cavaleiro das Trevas pode ser lido por qualquer um, mesmo sem qualquer conhecimento anterior do universo de Batman. Isso sem falar em Watchmen. Como disse, a cronologia pode ser uma ótima ferramenta, mas nunca deve ser usada como uma muleta. É um meio, nunca um fim. Se ela ajuda a contar uma boa história, ótimo. Se ela atrapalha, castra o autor, deveria ser ignorada, na minha opinião. Só assim teremos boas histórias. E Deus sabe que elas são raras de encontrar ultimamente. Abraços e sleep in the light Ben Santana
 
Zero Hour #4
Identity Crisis #1
 

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